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Batata quente

Paulo Ricardo, Deluqui e Schiavon desentendem-se sobre marca RPM

O guitarrista Fernando Deluqui e o tecladista Luiz Schiavon, do grupo RPM, estão em litígio com o vocalista da banda, Paulo Ricardo. A confusão provavelmente irá parar na Justiça.

Deluqui e Schiavon divulgaram uma carta aberta afirmando que, em junho e julho de 2003, Paulo Ricardo registrou as marcas RPM, Revoluções Por Minuto e Rádio Pirata em seu próprio nome, sem avisá-los. Alegam que foram lesados.

Paulo Ricardo nega que tenha feito o registro sem o conhecimento dos demais integrantes da banda. "No meio da última turnê, eu disse para os integrantes da banda que gostaria de ter camisetas, bonés e pôsteres do grupo para vender nos shows e pela Internet. Todos ficaram empolgados com a idéia. Então, falei que entraria com o pedido de registro para que pudéssemos vender os produtos sossegados. Dei entrada e acabamos não nos reunindo mais para dar seqüência. Mas todos sabiam e gostaram da idéia", disse o cantor em entrevista à revista Consultor Jurídico.

O vocalista do grupo afirmou que registrou as marcas em seu nome porque foi ele quem as criou, assim como a maioria das letras das músicas da banda.

O outro foco de discussão refere-se à autonomia do grupo. Segundo Deluqui e Schiavon, o vocalista montou a empresa RPM Entretenimento, com atribuições de gravadora e agência de empresariamento, e a registrou em seu nome, sem a participação deles. O objetivo seria administrar sozinho do destino da banda.

Paulo Ricardo coloca os fatos em outra perspectiva. "Em agosto, a Universal Music disse que não teria verba para lançar nosso disco em outubro, como estava previsto. Então, repensei tudo sobre a banda, à luz dos dois anos de turnê. Concluí que me sentia desconfortável por ter que submeter decisões de repertório, por exemplo, a executivos de gravadora. Queria mais autonomia para fazer a nossa música. E também concluí que o material que estava para ser lançado estava muito antigo, muito anos 80. Precisávamos de um som mais moderno."

Então, segundo Paulo Ricardo, para alcançar maior autonomia da banda e reformular o repertório, mergulhando na música eletrônica, ele "resolveu colocar a mão na massa." Liberou-se de seus contratos com a Universal (o contrato dos demais já havia acabado) e com seu empresário.

"O PA [baterista da banda] ficou muito empolgado com as novas idéias. O Deluqui não se entusiasmou e o Schiavon não gostou. Achou que o grupo deveria continuar com o mesmo estilo musical. Inclusive, tenho vários e-mails dele defendendo essa posição conservadora."

Diante disso, Paulo disse a Schiavon que cada um deveria preparar as músicas como quisesse e que depois voltariam a conversar. "Quando eu tinha montado basicamente as estruturas, paguei um estúdio de ensaio e convoquei a todos. O PA gostou. O Deluqui foi displicente. Estava satisfeito com a carreira solo, queria uma coisa meio funcionalismo público marajá. Isso é impossível. O RPM ou qualquer banda profissional exige dedicação integral. Conversamos amigavelmente que era melhor ele se dedicar a carreira solo, se não queria ir ensaiar e participar."

Segundo Paulo Ricardo, Schiavon gravou "uma coisa displicente". "Tenho guardadas as demos que ele gravou no ensaio. É tudo muito antigo, um trabalho desleixado."

O vocalista da banda sustenta, ainda, que perguntou a Schiavon ("que tem estúdio, restaurante, site...") se ele não aceitava empresariar o RPM, já que tinha estrutra. "Tenho tudo isso documentado com e-mails", diz o cantor. "Ele disse que achava o RPM muito grande pra ele. Então, fui à luta", diz Paulo.

Segundo o cantor, o mais desagradável é a afirmação dos dois músicos de que ele fez tudo em segredo. "Essa é a inverdade fundamental. Tenho como provar."

Paulo disse, também, que esperava algum tipo de reação de Schiavon. "A disputa de poder dele em relação a mim é crônica e de nascença. Antes ele tinha interesse por música. Desde que o RPM acabou, nos anos 80, ele virou produtor empresário. Foi para o outro lado do balcão, saiu do mundo do rock e não se interessa mais pela banda."

Deluqui e Schiavon afirmaram que "este 'novo' RPM, como está sendo apresentado, não passa de um engodo para disfarçar um projeto individual do Sr. Paulo Ricardo, que não tem a hombridade de fazê-lo com seu próprio nome, temeroso de uma possível rejeição do público e usa a marca da banda para garantir seus lucros."

O vocalista do grupo respondeu: "Eu sou suficientemente conhecido pra não precisar da marca RPM. Tenho uma carreira de quase 20 anos e me recuso a parar no tempo e gravar coisas que não concordo. Se eles não têm condições de se atualizar, é melhor que se afastem mesmo. Não vou permitir que queiram me manter acorrentado ao passado. RPM não significa repartição pública de músicos."

Segundo o advogado de Deluqui e Schiavon, Dirceu P. de Santa Rosa, ele está conversando com os representantes de Paulo Ricardo, mas a situação se encontra num estado "pré-litígio". Se Deluqui e Schiavon decidirem, de fato, procurar a Justiça, é possível que ajuízem uma ação de nulidade dos registros das marcas e uma ação ordinária pedindo a cessação do uso do nome artístico RPM.

Leia a íntegra da carta aberta divulgada por Deluqui e Schiavon:

Em Junho/Julho do corrente, quando a banda estava em plena turnê, o vocalista da banda RPM, Paulo Ricardo, registrou as marcas RPM, Revoluções Por Minuto e Rádio Pirata em seu próprio nome, sem avisar nenhum dos membros do grupo. Em seguida, também em segredo, iniciou a montagem de uma empresa, denominada RPM Entretenimento, com atribuições de gravadora e agência de empresariamento, sempre em seu próprio nome e SEM PARTICIPAÇÃO dos membros da banda RPM.

Concluída esta preparação, a cerca dois meses ele deu um ultimato aos membros do grupo. Ou assinaríamos um contrato com a empresa dele, que lhe daria poderes para decidir TUDO, inclusive repertório, capa, venda de shows, licenciamentos, propriedade sobre os fonogramas, etc, ou seríamos "excluídos" da banda. Todo o lucro destas operações fica para a "RPM S/A", da qual são sócios o próprio Paulo e três ou quatro "investidores", entre eles sua mulher e alguns amigos de ambos.

O repertório que durante meses foi elaborado pela banda, foi descartado. Era exigido que tanto o guitarrista Deluqui quanto o tecladista Schiavon "encaixassem" seus trabalhos nos arranjos de um novo repertório, apenas executando ou complementando partes previamente criadas por terceiros e pelo próprio Paulo. Também era exigido que Fernando Deluqui rescindisse seu contrato individual com a Universal Music, podendo desta maneira ser contratado (assim como os outros membros) como "artista exclusivo" desta nova empresa. Diga-se de passagem, contrariamente às obras anteriores, este "novo repertório" só tem composições do próprio Paulo, o que permite que obtenha um considerável rendimento adicional com direitos autorais.

Diante da recusa de Fernando e Luiz em aceitarem estas e outras imposições absurdas, ambos foram primeiramente pressionados a "abandonar a banda" que construíram juntos através de anos de trabalho árduo e, finalmente, comunicados por terceiros que ambos seriam "desligados" do grupo, uma vez que a marca RPM agora pertence à PRM Artes (PRM quer dizer Paulo Ricardo Medeiros).

Esta não é a forma de uma banda de rock trabalhar, especialmente o RPM, onde sempre houve espaço para que TODOS os seus integrantes criassem juntos, o que resultou numa sonoridade característica e reconhecida por milhões de fãs ao longo de duas gerações.

Tentamos nos últimos dois meses demovê-lo deste intento, mas isso não foi possível. Amparado no fato de haver registrado a marca e certo da força do poder econômico sobre a Justiça, Paulo segue em frente, atropelando quem se opõe à suas decisões despóticas.

Cai por terra a aura romântica da "independência" do Sr. Paulo Ricardo e seu posicionamento "contra a indústria fonográfica". O que o move, é simplesmente a ganância, o lucro e a determinação de controlar a tudo e a todos, mesmo que isso signifique enormes prejuízos morais e materiais a seus companheiros (atualmente ex-companheiros) de banda.

EM RESUMO - Este "novo" RPM, como está sendo apresentado, não passa de um engodo para disfarçar um projeto individual do Sr. Paulo Ricardo, que não tem a hombridade de fazê-lo com seu próprio nome, temeroso de uma possível rejeição do público e usa a marca da banda para garantir seus lucros. Usa-a também para confundir o público, profissionais do meio e promotores de shows, misturando o nome da banda RPM a uma nebulosa empresa "RPM Entretenimento", artifício este que permitirá que ele (ou seus funcionários) venda(m) gato por lebre.

Evidentemente não poderíamos concordar com isso. Esgotadas as possibilidades amigáveis, somos forçados a comunicar à imprensa, aos fãs e ao público em geral, que estamos entrando com as medidas judiciais cabíveis para proteger o patrimônio maior de um artista que é SEU NOME e SUA CREDIBILIDADE.

Assinam:

Fernando Deluqui e Luiz Schiavon

Revista Consultor Jurídico, 19 de dezembro de 2003, 12h09

Comentários de leitores

3 comentários

Eu concordo com o Deluqui e o Schiavon. Paulo ...

Zilda Senna ()

Eu concordo com o Deluqui e o Schiavon. Paulo puxou o tapete deles e veio com um trem pra cima. Sou fãs desde dos anos 80, jamais esperaria uma atitude dessa do P.R. RPM sem Deluqui e Luiz, pra mim não existe, acabou!!! Abaixo trecho da carta do Deluqui e Schiavon Zilda Senna - Rio de Janeiro Comentários finais, Deluqui e Schiavon Acabamos de ver o anúncio do "novo RPM" na revista Show Business. A foto mostra apenas o Paulo Ricardo sem o P. A. ou qualquer um dos outros componentes do RPM, que é mais uma demonstração de uma vontade de dominar tudo. Quem é do meio sabe que esta revista tem um prazo de fechamento de quase dois meses antes do lançamento, e isso nos faz pensar... Quando o anúncio foi entregue à revista pelo Paulo (no mínimo há três meses, isto é, somando-se os dois meses de prazo mais os trinta dias que a revista já está em circulação), Luiz e eu ainda estávamos na banda. Se ele é uma pessoa bem intencionada, porque o Luiz e eu, e nem mesmo o P. A., aparecemos no anúncio? Significativo, não?

Acho rídiculo esse desentendimento. A obra de u...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

Acho rídiculo esse desentendimento. A obra de um artista não deve ser construída pensando-se em lucros. Dinheiro é consequência da obra. Já deixei de comprar vários CDs depois que assisti entrevistas onde o cantor se refere a sua obra como um produto de consumo. Quem pensa assim, deveria esquecer seu lado artístico e ingressar no ramo do comércio. O Rei Roberto Carlos, nunca veio para o público dizer que seu mercado é grande e etc..., o romantismo de suas músicas acabaria aí. Quem gosta de música, não consome música, é consumidor dos CDs, mas jamais da obra ali gravada.

É uma pena esta fofocalhada entre os membros de...

Paulo Renato da Silva ()

É uma pena esta fofocalhada entre os membros de uma das melhores bandas surgidas final dos anos 70, e que prometiam resurgir com a mesma força de outrora. Tenho 49 anos e lembro de 03 bandas que contribuiram em muito para colocar o Rock brasileiro no auge e minimizar a soberania dos enlatados ingleses e americanos, que são: As Freneticas, RPM e Titãs. As Freneticas então, foram as primeiras que lembro-me serem tocadas esgotadamente nas Discotecas da época em meio a avalanche de musicas estrangeiras. RPM é uma pena que o ressurgimento tenha sido só um engodo, e os Titãs, ainda bem, brilham até hoje, sem destaques isolados e talvez seja este o segredo do sucesso do Grupo. E quanto aos estrangeiros, exceto Pink Floyd e um pouco do Black Sabbat, consegui apagar de minha memória. RPM deixem de trejeitos e picuinhas e reunam-se novamente para faturar bastante.

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