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Punição geral

Quadrilha de Arcanjo deve perder meio bilhão de dólares, decide juiz.

De sua vez, conquanto tivesse negado a operação simulada em seu interrogatório tomado às fls. 459/470, por ocasião de seu reinterrogatório assim se pronunciou Luiz Alberto Dondo Gonçalves: "..que quando se começou a investigar as ligações da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso com empresas de factorings, João Arcanjo Ribeiro ficou receoso de que pudesse também ser investigado; que assim decidiu encerrar as atividades da Confiança Factoring, o que não foi possível, pois havia dívidas a serem pagas; que ante a impossibilidade constatada, decidiu-se por transferir 99% das cotas da Confiança Factoring para a empresa uruguaia Lyman S/A e 1% restante para o Sr. Edson Marques que recebia R$900,00 por mês para que o seu nome fosse utilizado; que o contrato que transferia a Confiança Factoring para a Lyman S/A , presume o interrogando, fora elaborado pelo advogado João Celestino Correa da Costa; que parte da dívida da Confiança Factoring junto ao Deutsch Bank fora transferida para João Arcanjo Ribeiro que ainda ficou com a propriedade do avião que se encontra apreendido; que Adolfo Sesini era o procurador da Lyman S/A;..."

Corroborando a assertiva, esclarece o acusado Edson Marques de Freitas, às fls. 985/990: "... que é garçom por profissão; que nos último sete anos no entanto trabalhou no Cassino Estância 21,de propriedade do acusado João Arcanjo;... que o interrogando pensava até o dia 13 de janeiro que o proprietário da Real Factoring fosse o Sr. João ArcanjoRibeiro; que após essa data, descobriu que a Real Factoring era de sua propriedade, quando recebeu uma intimação do Ministério Público Federal em sua casa para que comparecesse àquele órgão no dia 15 de janeiro do corrente ano;... que cerca de dois meses antes do fechamento do Cassino, o interrogando foi procurado pelo Sr. Flavio Vila Real que lhe pediu um favor em nome de Arcanjo; disse Flávio que o interrogando já havia pedido muitos favores a Arcanjo e que estava na hora de fazer um; que Flavio pediu-lhe que entregasse cópias de seus documentos pessoais, o que foi feito; que os documentos foram encaminhados ao réu Luiz Dondo Gonçalves, na Diego Contabilidade; que Flavio disse ainda que o interrogando deveria comparecer à Diego Contabilidade para assinar uns documentos importantes, os quais lhe dariam uma garantia de emprego; que após esse fato, o cassino foi fechado, ocasião em que Flavio disse ao interrogando que o seu emprego já estava garantido; que o interrogando não leu os documentos que o réu Luiz Dondo lhe entregou; que se recorda que deu entre oito ou nove assinaturas;...que Flavio conversou em seguida com Luiz Dondo, que algum tempo depois ligou para a casa do interrogando pedidno para que comparecesse à sede da Diego Contabilidade para assinar mais alguns documentos;...que então Dondo pediu ao interrogando que entrasse em seu carro para que o acompnhasse até a Real Factoring para conversar com o acusado Nilson Teixeira;..que ao chegar a Real Factoring, Dondo e Nilson conversaram por um tempo; que ao término da conversa, Dondo perguntou ao interrogando se um salário de R$ 900,00 estava bom, com o que concordou; que acordados, Dondo disse-lhe que deveria passar todo primeiro dia útil do mês na Real Factoring para receber o seu salário; que nunca trabalhou nas factorings, pois recebia sem trabalhar; que o interrogando só começou achar estranho esse fato quando em certa oportunidade pediu um adiantamento salaraial à Luiz Dondo e este lhe resondeu que não seria bom perder o emprego naquele momento. Que acredita que Dondo quiz lhe assustar porque o interrogando já estava desconfiando de alguma coisa; que o pagamento do salário do interrogando era feito pelo réu Davi Bertoldi a mando do acusado Luiz Dondo;... que foi regularmente até a Diego Contabilidade para assinar documentos até o mês de agosto/2002; que continua até a presente data recebendo salário de R$ 900,00; que atualmente, quem recebe o salário do interrogando é a sua mãe, Sra. Maria Bento de Freitas;.. Que em virtude da matéria do Fantástico, não compareceu no início de dezembro/2002 à Real Factoring para receber o seu salário; ... que na noite do dia oito de dezembro, aparareceram na casa do interrogando o concunhado do Arcanjo, um homem conhecido por "Carlão", e mais outro Sr. conhecido por "Zezé" ...;.... que Carlão lhe disse que o interrogando deveria tirar algumas férias para não comprometer o patrão, que era o Sr. João Arcanjo Ribeiro;.. Que Carlão disse que deveria tirar umas férias fora do Estado; que Zezé ainda disse que se o interrogando ficasse em Cuiabá, provavelmente "pegaria uns trinta anos de cadeia" e que não seria bom continuar na cidade; que o interrogando sesentiu ameaçado pela segunda vez;

Ainda a atestar a continuidade da titularidade do casal Arcanjo mesmo após a suposta venda, tem-se os inúmeros documentos apreendidos que demonstram que a factoring continuava a pagar as contas pessoais destes, bem como despesas de outros empreendimentos de sua propriedade sem qualquer cerimônia ou justificativa adequada. Vislumbra-se no Auto de Apreensão nº 12, item 13, que os antigos donos da factoring supostamente alienada, quase dois anos após a venda, continuavam a perceber seus lucros, bem como seus mais eficazes comparsas (Nilson Roberto Teixeira e Luiz Alberto Dondo Gonçalves) continuavam a comandar a referida empresa, seja dando ordens aos empregados, seja percebendo numerário dela, como é o caso de Nilson Teixeira (auto de apreensão nº 08, item 12).

Revista Consultor Jurídico, 17 de dezembro de 2003, 19h17

Comentários de leitores

1 comentário

Excelente a decisão do Judiciário ! 37 e 25 ano...

Antonio Fernando Bertolini ()

Excelente a decisão do Judiciário ! 37 e 25 anos em regime fechado? Espero não ser como o bíblico Thomé: Ver para crer!

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