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Terça-feira, 9 de dezembro.

Primeira Leitura: Judiciário é o Poder mais corrupto, diz pesquisa.

Marketing em xeque

O marketing do governo Lula, sobre um ano novo de forte crescimento econômico, foi colocado em xeque pelo resultado da produção industrial em outubro, que caiu 0,5% em relação a setembro, depois de três meses de resultados positivos, segundo pesquisa nacional do IBGE divulgada ontem.

A força negativa dos sem-renda

O levantamento reproduz a realidade da falta de renda dos brasileiros. O segmento de bens de capital registrou aumento de produção de 3,8%. O de bens de consumo duráveis -- dependentes do crédito -- teve aumento de 1,8%. Já o de bens de consumo semi-duráveis e não duráveis, que são dependentes da renda, ficou estagnado: 0,0%. A indústria farmacêutica foi a que mais puxou para baixo o resultado (-4,4%), seguida pela de produtos alimentícios (-1,6%) e pela indústria química (-0,7%). Os demais 17 ramos tiveram resultados positivos.

Crescimento zero

No conjunto, a indústria neste ano (janeiro-outubro) não cresceu nada -- 0,0%, segundo o IBGE. Em relação a outubro do ano passado, houve avanço de 1,1%, um índice magro que reflete, também nesse tipo de comparação, a falta de renda dos consumidores, já que a produção de bens de consumo semi e não duráveis recuou 3,8% nesses 12 meses.

Muito aquém do paraíso

Em qualquer tipo de comparação, mensal ou anual, o desempenho ficou aquém do esperado por analistas do mercado financeiro e consultores. Quase todos trabalhavam com índices positivos -- de zero a 2% no confronto mensal, por exemplo. E agora estão revendo seus cálculos para 2004, pensando que talvez o primeiro e o segundo trimestres não sejam tão bons quanto imaginavam.

Apostas

As taxas de juros futuros no mercado financeiro fecharam em baixa generalizada como reflexo do resultado negativo da produção industrial, divulgado pelo IBGE. Ontem, os contratos DI de janeiro, abril e julho de 2004 recuaram, respectivamente, 0,35%, 0,87% e 0,89%. Ou seja, fraco desempenho da indústria reforçou as apostas de um corte maior na Selic, na reunião do Copom da semana que vem.

Civilização perdida

A taxa de juro real "civilizada", expressão usada pelo ministro José Dirceu (Casa Civil) na semana passada, voltou a ser debatida pelo governo. Para o ministro Tarso Genro (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), se o BC persistir em seu "trabalho técnico e qualificado", os juros reais ficam entre 5% e 8% em 2004. Ninguém na área econômica havia ainda trabalhado com um piso tão baixo.

Corrupção

Desemprego, violência e corrupção. São esses os grandes problemas que a população enxerga na era Lula. Levantamento do instituto Sensus, encomendado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mostra que 26,4% dos entrevistados consideram que a corrupção no governo aumentou em relação à era FHC. A maior parte (47,2%) acredita que a corrupção se manteve igual ao que era, e 19,5% acham que ela diminuiu. Para 33,3% dos entrevistados, todos os poderes são corruptos. O Judiciário é o mais corrupto para 21,1% dos entrevistados; o Executivo, para 12,5%; e o Legislativo, para 10,2%. O tema corrupção apareceu pela primeira vez na pesquisa, daí não haver base de comparação.

Desemprego

O desemprego é de longe o principal problema do país. Para 70,3%, o desemprego está pior ou igual ao do governo FHC. A pesquisa também mostra a precariedade do mercado de trabalho: 52% não receberam nem receberão 13º salário ou gratificações de final de ano em 2003. A preocupação com a violência vai ganhando proporções: 26,3% acham que ela aumentou muito neste ano; 18,8%, que aumentou um pouco; 43,3% consideram que está igual; e 9,1%, que diminuiu.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"É com muita alegria que eu posso dizer à imprensa do Egito e do Brasil que o presidente Mubarak e eu temos concordâncias em relação ao conflito no Oriente Médio e queremos solucioná-lo da melhor forma possível."

Do presidente da República. Observação: evidentemente, um conflito como o do Oriente Médio não se "soluciona" pelas vontades do Brasil e do Egito, países que, quando muito, podem torcer para uma boa negociação.

O discurso colou, e o presidente se descolou.

Mesmo sem resolver os grandes problemas do país -- desemprego, violência e corrupção -- a popularidade do presidente Lula ficou estável na pesquisa CNT-Sensus. Lula mantém aprovação de quase 70% da população -- exatos 69,9% --, o que é muito depois de um ano de economia rastejando e de indicadores sociais piorando. Ou seja, o discurso de Lula, que mais parece o de um político de oposição do que de alguém que está no governo, colou. Ou melhor, descolou o presidente de seu próprio governo. Eis aí um fenômeno para ser estudado.

Revista Consultor Jurídico, 9 de dezembro de 2003, 9h57

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