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Terça-feira, 2 de dezembro.

Primeira Leitura: Alencar culpa BC por alto custo da dívida do País.

A voz do vice

O vice-presidente da República, José Alencar, deu uma entrevista ao jornal argentino La Nación na qual culpa o Banco Central pelo alto custo da dívida do Brasil e afirma que nunca houve uma tão grande transferência de renda dos trabalhadores e do setor produtivo para os bancos como nos últimos 10 anos. "[No Brasil], a dívida não é tão grande, é de cerca de 56% do PIB. Grande é seu custo. E quem estabelece a taxa de juros desta dívida é o Banco Central", afirmou.

Limites da ortodoxia

Alencar criticou economistas "ligados a grandes bancos" que pregam que o Brasil não pode crescer mais de 3% nem ter taxa real de juros inferior a 10%. "É preciso coragem para romper com isso porque, se não, vamos conviver a vida toda com altas taxas de desemprego e fazer com que a pobreza cresça", disse.

Igual

O vice assume nesta terça, interinamente, o comando do país por causa da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio.

Convicções

A reportagem nem mesmo arranhou as apostas do mercado em continuidade da atual política econômica. E, assim, ontem foi mais um dia de grande euforia no setor financeiro. A taxa de risco do Brasil recuou para algo próximo de 500 pontos. O C-Bond, principal título da dívida do Brasil, alcançou a cotação recorde de 97% do valor da face.

A Bovespa operou em alta forte.

Sinal

Os contratos de juros no mercado futuro, que são negociados na BM&F, tiveram queda generalizada, já que, ao contrário do que Alencar diz, o Banco Central ensaia, sim, redução do juro real para menos de 10% ao ano. Pelo menos é o que tem dito diretores aos banqueiros, e ministros aos jornalistas.

"Manchetes vituais"

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou o governo por ter demorado a reduzir os juros. Segundo ele, foi essa demora que substituiu a previsão de expansão de 2% do PIB pela atual estagnação. De acordo com Virgílio, a falta de crescimento neste ano fez com que o índice de desemprego de outubro fosse o pior para o mês desde 1985. "Está faltando emprego até para Papai Noel", afirmou. "É um governo inconsistente, oco [...]. O país vive das manchetes virtuais, enquanto as melhorias não chegam às vidas das pessoas."

Herança bendita - 1

A expectativa média de vida do brasileiro aumentou para 71 anos, segundo projeções para 2002 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas ontem. É a primeira vez que ultrapassam a casa dos 70 anos. Em relação a 1980, houve aumento de 8,5 anos.

Herança bendita - 2

Basicamente, isso se deve à queda nos índices de mortalidade infantil. No ano passado, de cada mil nascidos vivos, 28,4 crianças até um ano de idade morriam. A redução é de 59% desde 1980. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que a mortalidade infantil no Brasil caiu 37% entre 1991 e 2000. Ou seja, compute-se aí parte da boa herança do governo FHC.

Assim falou... José Alencar

"Nunca houve na história do Brasil semelhante transferência de riquezas do trabalho e da produção em benefício do sistema financeiro. Nunca como nos últimos 10 anos. Esse é o resultado da longa convivência com altas taxas de juros."

Do vice-presidente da República, fazendo questão de não diferenciar a política do governo anterior e a do atual, do qual faz parte.

A história se repete

Na impossibilidade de carimbar com o slogan Fome Zero a testa das famílias beneficiárias dos programas da Rede de Proteção Social, o governo Lula finalmente arrumou um produto para ser suporte da marca assistencialista. Ainda neste mês, mas com efeitos vastos a contabilizar no ano das eleições municipais de 2004, o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, vai, finalmente, carimbar a genial marca "Fome Zero" nos saquinhos de leite do redivivo programa dos malfadados tempos do "Tudo pelo social" do governo Sarney - o agora "companheiro" fiel do PT-no-governo.

Quem diria que na administração PT regrediríamos a tanto! Com a ressurreição do programa de distribuição de leite, como reportou a edição da Folha de S. Paulo, domingo passado, o governo Lula e o "ministro da Propaganda", Duda Mendonça, resolvem a maior de todas as agonias envolvendo o Fome Zero: o fato de que havia a marca, mas não havia nada, além das peças publicitárias em jornais, revistas e outdoors, em que essa marca pudesse ser pespegada.

Revista Consultor Jurídico, 2 de dezembro de 2003, 9h36

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