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"Fui eu"

Líder petista confessa que denunciou presidente do Supremo

Quem levou ao conhecimento da Delegacia Regional do Trabalho a acusação de que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, mantinha trabalhadores rurais sem carteira assinada foi o líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Chico Vigilante.

A informação foi prestada ao site Consultor Jurídico pelo próprio deputado (leia abaixo). Em sua nota à imprensa, Vigilante declara que sempre que souber de irregularidades praticadas por quem quer que seja, ele as encaminhará aos órgãos competentes.

Nos últimos meses, o presidente da República, incompatibilizado com Maurício Corrêa, principalmente depois que o ministro fez duras críticas ao governo petista em entrevista à revista Veja, passou a tratá-lo como inimigo. No aniversário do STF, Lula proibiu seus ministros de comparecer à Corte. Na semana passada, os dois ensaiaram uma reconciliação que, pelo visto, não vai longe.

Leia a manifestação de Chico Vigilante:

Nota à imprensa

Considero grave que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Côrrea, mantenha empregados sem carteiras assinadas e menores em atividades incompatíveis com a idade legal, numa fazenda na Região Administrativa de Sobradinho, a 26 km do Plano Piloto de Brasília, conforme denunciou esta semana a Revista Veja (edição 1.831). Como presidente da Suprema Corte, em minha opinião, Corrêa deveria dar o exemplo e cumprir a lei.

O trabalho de fiscalização foi executado pelos fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de Brasília, depois que pedi investigação por meio de ofício. Como fato corriqueiro em meu gabinete, recebi, há poucos dias, uma denúncia anônima que tratava da existência de trabalhadores rurais sem carteira assinada numa fazenda nas proximidades de Sobradinho.

Encaminhei a denúncia, por meio de ofício, à DRT de Brasília, a exemplo do que fiz, diversas vezes, durante meu mandato de deputado federal. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, quando atuei como membro da Comissão do Trabalho, denunciei àquela Delegacia a prática de trabalho escravo em cerâmicas do Distrito Federal.

Eu repudio ainda a acusação do presidente do Supremo -- em entrevista concedida ao site Consultor Jurídico (*) -- de que há "interesses petistas" em investigar fazendas da propriedade dele. Os únicos interesses do Governo Luís Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores são: cumprir a lei e proteger os trabalhadores de nosso país. E será sempre assim: toda e qualquer denúncia que chegar ao meu conhecimento, seja ela contra quem for, terá o mesmo tratamento. Vou encaminhá-la aos órgãos competentes.

Deputado Chico Vigilante

Líder do PT

Câmara Legislativa do DF

(*) Há na afirmação um ligeiro equívoco. Os "interesses petistas" foram insinuados pelo ministro em entrevista à Revista Veja e não a este site.

Revista Consultor Jurídico, 1 de dezembro de 2003, 20h23

Comentários de leitores

10 comentários

Concordo integralmente com o que disse a advoga...

Antonio Sérgio Socolowski ()

Concordo integralmente com o que disse a advogada Luciana Cordeiro. Por outro lado, o ministro político tem no mínimo culpa no caso, pois teria entregue a gestão do seu imóvel ao genro que não agiu com o mínimo dever de prudência que deve nortear os atos dos mais altos cargos da República, tendo portanto culpa in elegendo. Como muito bem disse o Leandro, à mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta.

Interessante que o deputado Vigilante somente f...

Cid Bianchi ()

Interessante que o deputado Vigilante somente ficou vigilante nesse momento e enfocando seus holofotes em pessoas que contrariam o governo. O sr. Vigilante não foi vigilante no caso da Min. Benedita da Silva nem está sendo vigilante na quantidade de ministérios e na quantidade de viagens de nosso Presidente e sua comitida infindável. O trem da alegria continúa, só mudaram os passageiros

Senhores leitores, percebam nos comentários aba...

Leandro Martins Araújo ()

Senhores leitores, percebam nos comentários abaixo, como a nossa classe é de fato coporativista: precisamos de um técnico em informática nos dizer o óbvio: não há explicação para a atoridade máxima do judiciário no país descumprir a Lei, de uma forma tão prejudicial à cidadãos, sejam eles quem forem. Parabéns ao comentário do Sr. Daniel, tácnico em informática. Lamento precisar reconhecer que os operadores do direito nesse país são, sim, extremamente tendenciosos. E ao senhor Maurício Corrêa, homem conhecido da nossa política inclusive, sabe muito bem que a mulher de César DEVE ser honesta e também parecer honesta, para conviver no mundo político. Agora, é partidarismo defender a Lei? A Constituição? Alguém pensou nos funcionários que não têm direitos à FTGTS, Previdência Social e as garantias que qualquer trabalhador registrado, nas menores empresas do país, têm? Sejamos coerentes, tirem os tapa-olhos.

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