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'Represália'

D'Urso afirma que só soube da destituição do cargo pelo jornal

O ex-diretor cultural da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, afirmou que soube de sua destituição do cargo somente ao ler a coluna da jornalista Mônica Bérgamo, na edição da última sexta-feira (22/8) da Folha de S. Paulo.

Segundo D'Urso, o presidente da Seccional, Carlos Miguel Aidar não o avisou previamente da destituição. Ele afirmou que Aidar deveria tê-lo afastado numa "conversa pessoal" e que isso é o mínimo que se espera do presidente com cuja gestão colaborou.

O presidente da OAB-SP respondeu que o pré-candidato "deveria acessar a caixa postal de seu celular, se é que pretende ganhar a eleição".

Em nota divulgada à imprensa, D'Urso disse que só pode entender o gesto de Aidar como uma "represália", com motivação política, porque é pré-candidato ao comando da OAB-SP e não conta com o apoio dele.

Leia a carta de D'Urso à Aidar:

São Paulo, 23 de agosto de 2003

Exmo. Sr.

DR. CARLOS MIGUEL AIDAR

DD. Presidente da OAB/SP.

Prezado Presidente.

Foi com grande perplexidade e decepção que na data de ontem (22/08/03), tomei conhecimento pelo Jornal Folha de São Paulo, na coluna da jornalista Mônica Bérgamo, que V. Excia. havia me destituído da Comissão de Cultura e Eventos da OAB/SP, tendo por motivação supostas críticas que eu teria feito a vossa gestão, em artigo meu, publicado na "Revista Literária de Direito".

Primeiramente, quero registrar minha decepção pela forma como tal se deu. Penso que o dirigente máximo da OAB/SP, deveria ter um mínimo de consideração com aqueles que a seu lado, garantiram sua vitória nas últimas eleições, colaborando nesta gestão, com afinco e dedicação como fiz, desde o primeiro dia, por mais de dois anos e meio, produzindo um recorde de palestras e atividades culturais na OAB/SP.

Assim, mesmo que tivesse decidido por meu afastamento, tal deveria ser feito por uma conversa pessoal, sendo o mínimo que se espera de um presidente, para aqueles que colaboraram em sua gestão.

Quanto ao fato de eu ter tecido críticas a vossa gestão, penso que V. Excia., não leu meu artigo ao qual se reporta para justificar meu afastamento; ou se leu, não prestou atenção, pois em nenhuma palavra fiz críticas a quem quer que seja, limitei-me a apresentar soluções a problemas enfrentados pela advocacia na atualidade. Problemas, aliás, que são muitos.

Penso que mesmo que eu tivesse feito críticas a vossa gestão naquele artigo, tal faria parte da contribuição que sempre dei à OAB/SP, pois ninguém está livre de errar e a crítica oportuna precisa existir para que não se perpetuem os erros cometidos.

Se críticas tivesse feito, ainda assim, não posso admitir um presidente, um líder ou qualquer dirigente que não as aceite e reaja a elas, com represálias.

Caro presidente Aidar, apesar da amizade e respeito que sempre tive por V. Excia., tal gesto só posso receber como uma represália ou pretexto, pois sou candidato a vossa sucessão e não conto com vosso apoio, o que revela, que talvez a verdadeira motivação para tal gesto seja, exclusivamente, política.

Por fim, registro que indagado por jornalistas qual resposta daria a V. Excia., limitei-me a reiterar meu trabalho à frente da área cultural da OAB/SP, pois na gestão Approbato realizei 1.700 cursos, palestras e eventos culturais e na atual gestão, mais de 2.000, em dois anos e meio. O recorde foi batido e meu trabalho pelo advogado é de conhecimento de toda classe.

Agora, que a corrida sucessória ocorre, submeto meu nome e meu trabalho na OAB/SP, quer na área cultural, no Conselho do Jovem Advogado e em outras áreas, bem como em diversas entidades, à apreciação dos advogados, advogadas e estagiários que saberão reconhecer que estamos todos na OAB/SP, não para servir um presidente, mas a nossa classe.

Cordialmente,

Luiz Flávio Borges D'Urso

Conselheiro Seccional




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Revista Consultor Jurídico, 25 de agosto de 2003, 16h41

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