Consultor Jurídico

Quinta-feira, 21 de agosto.

Primeira Leitura: Lula muda discurso sobre reforma agrária.

No limite do conservadorismo -- 1

A queda de 2,5 pontos percentuais na taxa-Selic, que foi para 22% ao ano, é a maior já promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde maio de 1999, quando o BC, então chefiado por Armínio Fraga, cortou 3,5 pontos percentuais de uma só vez.

No limite do conservadorismo -- 2

O sinal dado pelo BC foi surpreendente. O Copom não se comportou como das vezes anteriores, nas quais sempre atuou, digamos assim, "marcado a mercado" (veja a última nota desta coluna). Desta vez, operou no limite extremo aceito pelo conservadorismo.

Crescimento

A redução da Selic vai, certamente, dar um novo alento para a atividade econômica. Mas não se deve levar ao pé da letra o que diz o ministro Guido Mantega (Planejamento). Ele disse ver na decisão a início da retomada dos investimentos e afirmou que não se pode mais acusar o BC de conservadorismo. No mínimo, ele foi exagerado.

"Companheiro Meirelles"

Para os deputados petistas Paulo Bernardo (PR) e Jorge Bittar (RJ), os efeitos virão ainda neste ano. "Aplaudimos o companheiro [Henrique] Meirelles", disse o imprudente Bernardo.

Cadê a renda?

Sem querer estragar a festa, é preciso notar que uma taxa de juros de 22% ao ano não só é alta demais para que haja crescimento econômico como também não muda -- talvez até agrave -- a situação da renda dos trabalhadores. Segundo pesquisa do IBGE divulgada ontem, o rendimento médio caiu 16,4% em julho em relação ao mesmo mês de 2002. Nunca se viu algo assim.

Salva-2004

A redução maior do que o esperado da Selic, na verdade, tem por objetivo salvar a economia não mais neste ano, já perdido para o crescimento, mas em 2004.

Mudança de tom

Lula prometeu fazer uma grande reforma agrária no país, mas pouco a pouco vai mudando o rumo desse discurso. Vai, digamos assim, sofisticando o raciocínio. Em entrevista a um pool de jornais ontem, ele afirmou o seguinte: "Tenho dito ao ministro Rossetto [Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário]: 'Companheiro Rossetto, você não deve ter pressa para fazer a reforma agrária. Não vamos transformar isso numa disputa de números para ver qual governo assentou mais. Vamos assentar dentro do possível".

De mentirinha

Lula afirmou que não vai "subir em palanques" em 2004, mas que torce pelo sucesso do PT. Ora, em São Paulo, ele já subiu no palanque de Marta Suplicy, que concorre à reeleição no ano que vem.

O miolo da picanha (!!??)

A entrevista de Lula, no fundo, tratou de tudo e de nada. É uma colagem de generalidades que traz mais uma metáfora de gosto, digamos, duvidoso -- o presidente disse, sobre investimentos que seriam prioritários, que o governo ainda está procurando "o miolo da picanha". Veja análise completa da entrevista no site Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br).

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

"Olha! O ministro Palocci está radical hoje, baixou os juros em 2,5 pontos percentuais."

Do presidente da República, sobre a redução da taxa básica de juros para 22% ao ano, afetando surpresa. Ele foi "informado" da decisão enquanto participava de uma reunião com os líderes aliados por um bilhete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Não estava escrito

A decisão do Copom deixou espantados investidores, que andavam desacostumados de surpresas por parte do Banco Central. É verdade que, nos últimos dias, sinais contraditórios vindos de Brasília deixaram o mercado desconfiado de um corte maior na taxa-Selic do que o inicialmente previsto, de 1,5 ponto percentual. Na manhã de ontem, por exemplo, grande parte dos investidores passou a falar em redução de 2 pontos percentuais e a rever suas posições de última hora. Mas, que se saiba, ninguém apostava em 2,5 pontos.

Tanto assim que alguns indicadores do mercado sofreram correções drásticas à tarde. A Bovespa, no fim da manhã, caía 0,40%, mas depois da decisão virou e fechou em alta de nada menos que 2,18%. Os juros futuros desabaram, e mesmo assim, no fechamento, os contratos de setembro projetavam taxa anual de 22,02% (redução de -3,92%), acima da nova Selic, que é de 22%. Os contratos mais negociados, com vencimento em abril, passaram a prever taxa de 20,43% (-2,2%).




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Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2003, 17h18

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