Consultor Jurídico

Quarta-feira, 20 de agosto.

Primeira Leitura: ataque à ONU soterra idéia de vitória dos EUA.

Novo padrão de resistência

O ataque à sede da ONU em Bagdá, que matou o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, consolida um novo padrão na resistência iraquiana à ocupação americana, que começou a se evidenciar com o atentado a bomba contra a Embaixada da Jordânia na capital iraquiana no último dia 7.

Ataques e...

As forças que resistem à ocupação americana têm atacado os soldados em seus deslocamentos. As sucessivas mortes levaram à adoção de um esquema de segurança mais eficaz para preservar as tropas. Essa medida, no entanto, deixou desguarnecidos outros possíveis alvos.

Sabotagens

A sabotagem de um aqueduto no domingo passado, que deixou Bagdá sem abastecimento de água, é exemplo da estratégia adotada pelos guerrilheiros a fim de minar os esforços dos EUA para estabilizar o país. Outro alvo dos combatentes é a infra-estrutura da indústria petroleira. Entre sexta e domingo, um mesmo oleoduto foi atacado duas vezes.

Guerra aberta

Com o incidente de ontem, perde o sentido a discussão sobre se há ou não uma guerra de guerrilha em andamento no Iraque. Comandantes militares americanos já admitiram que há, sim. Trata-se de uma guerra aberta, embora não convencional.

O fim de uma doutrina -- 1

O ataque à ONU e os constantes ataques contra soldados americanos e contra a infra-estrutura iraquiana soterram a idéia de que a "Doutrina Rumsfeld" saiu triunfante da guerra no Iraque. Essa doutrina, proposta pelo secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, defende a estratégia de lançar um ataque fulminante, com alto poderio tecnológico e intensa força aérea, mas com poucas tropas em solo.

O fim de uma doutrina -- 2

A estratégia, também chamada de "choque e pavor", foi bem-sucedida para derrubar o governo iraquiano e desmontar o Exército regular do país. Desde a queda de Bagdá, porém, ficou claro que faltam soldados no solo para estabilizar a situação e impedir a continuidade da resistência armada. Oficialmente, a guerra acabou em 1º de maio. Mas deste este dia, morreram 61 soldados americanos vítimas de ataques iraquianos.

Nunca houve um Copom como este

No Brasil, a reunião do Copom, que termina hoje com o anúncio da nova taxa básica de juros, pode ser considerada única pelo menos num sentido: é inédita a reação do mercado, de apostar em peso num corte de 1,5 ponto percentual da taxa-Selic embora, racionalmente, veja espaço para um corte bem maior, de até 2,5 pontos.

E essa análise não se vê em bocas de ousados investidores, mas sim nas vozes econômicas mais conservadoras do país, como a do ex-presidente do BC, Affonso Celso Pastore. Para o site (www.primeiraleitura.com.br), a Selic deveria ser reduzida em 3 pontos percentuais e os depósitos compulsórios deveriam ser diminuídos, condicionando-se a liberação dos recursos ao aumento da carteira de empréstimos pelos bancos.

Assim falou... Luiz Marinho

"Eu consigo ver na cara de cada um quem é que está vaiando, ouviu José Maria?"

Do presidente da CUT, Luiz Marinho, vaiado e chamado de "pelego" em protesto, ontem, contra a reforma da Previdência que reuniu cerca de 20 mil servidores em Brasília. Ele se referia a José Maria de Almeida, que além de pertencer aos quadros do PSTU é diretor da própria CUT. Tempos estranhos...

Está escrito

Há dois anos, no dia 24 de agosto de 2001, falando de Timor com a reportagem da revista Primeira Leitura, por volta de 3h15 da madrugada, Sérgio Vieira de Mello, o Alto Comissário da ONU morto ontem no atentado em Bagdá, avaliou a missão na ex-colônia portuguesa e fez uma projeção sobre o que o aguardava no futuro: "É a experiência mais gratificante na minha carreira. Tudo, depois disso, vai ser monótono".

Classificado pelo embaixador brasileiro em Londres, Maurício Bustani, como a "estrela das Nações Unidas atuais", Vieira de Mello, 55, carioca de Copacabana, chegou à chefia da missão da ONU em Timor, em novembro de 1999, depois de ter passado por quase todos os países onde guerra e refugiados foram ou são parte preponderante do cotidiano - Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique, Peru, Líbano, Ruanda, Cambodja, Bósnia, Iugoslávia e Kosovo.

Filho de um diplomata cassado pelo AI-5 do regime militar, em 1969, Vieira de Mello era doutor em filosofia e ciências humanas. Espartano nos hábitos, era leitor viciado de um livrinho que carregava para onde quer que fosse enviado, a Lógica, de Hegel. Estava no Iraque, em missão especial de quatro meses, que se encerraria no próximo dia 2 de outubro.




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Revista Consultor Jurídico, 20 de agosto de 2003, 9h40

Comentários de leitores

2 comentários

Perdeu-se o maior diplomata brasileiro da atual...

Paulo Stanich Neto ()

Perdeu-se o maior diplomata brasileiro da atualidade...embora representasse a ONU e não pertencesse ao nosso ministério das relações exteirores, trouxe mais louros para nós brasileiros e representou melhor nosso país do que os que pagamos. Que descanse em paz este saudoso e bom homem.

é muito triste para o país, e para o mundo em s...

Firmino dos santos maniva ()

é muito triste para o país, e para o mundo em saber que perdeu um homen que se interessava pelas causas humanas, e queria somente mostrar as nações que a diplomacia é importante e o diálogo é a forma mais pacífica de solucionar conflitos onde as partes não entram em consenso, a resistência que os iraquianos estão é contra a estabilidade deles mesmo e não contra os americanos que somente reforçam o poder no país, temos que compreender que não houve de fato um surgimento de uma democracia más isto já era evidente, se constituir um povo livre, seria muito difícil em uma nação diversificada com culturas diferente, costume, modos. quem perde com isso são os indivíduos inofensivos ao poder militarista dos estados unidos, tendo envista que os que fizeram este ato não foi com o embaixador, mais contra a onu, e todo o corpo que a compõem, principalmente as nações que ainda a creditam que sem ela a desumanidade seriam muito mais entristecedor, com o povo iraquiano, todos nós temos concepções que dentre estas organizações existem a minoria que querem tirar proveito da situação, que se encontra este país para a possar do poder e tornar a vida deste povo mais assolador, não é que têm gente a favor das atrocidades que os americanos fizeram contra estes indivíduos, é bem verdade que todo país tem que ter sua soberania respeitada, mais é ciente de todos que o governo do iraque não concedia igualdade social para os que tinham sua vida imersa na violência, e na miséria. sendo que não é matando pessoas que visa somente agilisar os procedimentos para a reconstrução do país que eles vão alcançar a sua independência. Firmino dos santos maniva

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