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CPI do Banestado

Depoimento de Tereza Grossi não agrada parlamentares em CPI

O depoimento da ex-diretora de fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, na CPI mista do Banestado não agradou aos parlamentares presentes na reunião. A relatora ad hoc, deputada Iriny Lopes (PT-ES), afirmou que houve omissão do Banco Central no controle das operações financeiras das instituições que operavam com contas CC-5 na região de Foz do Iguaçu, o que permitiu a evasão ilegal de bilhões de reais do país.

Tereza Grossi foi chefe de fiscalização quando Cláudio Mauch era diretor de Fiscalização do BC e a partir de 1999 o substituiu no cargo. Ela participou de auditorias de contas CC5 em Nova York. Seu depoimento vinha sendo aguardado com grande expectativa, pois poderia contribuir para elucidar o esquema de lavagem de dinheiro, mas foi considerado evasivo, assim como o depoimento de Mauch, ontem na CPMI do Banestado.

No depoimento, Tereza Grossi destacou que o BC é um órgão administrativo que só tem poder para punir com multas ou tirando habilitação para atividade financeira. "A punição criminal é responsabilidade do Ministério Público". A ex-diretora do BC disse que só soube das possíveis irregularidades na região de Foz do Iguaçu quando, entre 1996 e 1997, realizou fiscalizações no Banestado de Nova York, a fim de trazer informações para a CPI dos Precatórios.

Tereza Grossi disse aos parlamentares que a competência para abrir processos administrativos por irregularidades em operações de instituições financeiras era dos gerentes regionais do BC e que não havia qualquer interferência da diretoria na condução destes processos. Segundo ela, o mesmo acontecia nos casos das fraudes que precisavam ser informadas ao Ministério Público."Nunca votei em nenhum processo administrativo e nunca interferi neles", enfatizou.

Ela disse que em abril de 1997 foram comunicadas as irregularidades do Banestado ao MP. "A partir desse momento, o BC assumia um papel coadjuvante. Se o Ministério Público precisa de informações, o BC auxilia nas investigações", afirmou Tereza.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) lembrou que a CPI do Sistema Financeiro concluiu que houve responsabilidade de Tereza Grossi no prejuízo causado pelas operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. "O que encontramos na época da CPI continuou, piorou, foi levado adiante. Parece que o Banco Central é a Torre de Babel. Cada um fala a sua língua. Todos se defenderam como se os setores não se comunicassem. Ninguém se preocupa com a organização", afirmou Simon.

A senadora Ideli Salvati (PT-SC) disse que, mesmo depois de a CPI dos Precatórios haver detectado irregularidades com o Araucária, o banco, diferentemente dos outros que foram multados ou liquidados, recebeu "como prêmio" a autorização especial para receber depósitos acima de R$ 10 mil em contas CC-5.

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Revista Consultor Jurídico, 19 de agosto de 2003, 18h32

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