Consultor Jurídico

Sexta-feira, 15 de agosto.

Primeira Leitura: governo tem tolerância tática com MST, diz Bastos.

Operação estiiica-PPA -- 1

Na solenidade em que recebeu os relatórios de mais de 2 mil organizações sociais e de classe com reivindicações para o Plano Plurianual (PPA), Lula reclamou da falta de verbas. "Por incrível que pareça, no governo é como na casa da gente: o dinheiro é sempre menos do que aquilo que a gente precisa." Com a metáfora do dia, o presidente acabou por revelar a verdadeira situação do governo, que tem boa parte do Orçamento do próximo ano comprometida com a meta de superávit primário acertada com o FMI.

Operação estiiica PPA -- 2

Mesmo sem dinheiro no Orçamento, nota-se o esforço de Lula e de seu ministro do Planejamento, Guido Mantega, de manter em evidência na imprensa o PPA, que definirá os investimentos prioritários para o período de 2004 a 2007 e pode conferir ao governo uma imagem de compromisso com o crescimento. Ainda que, até agora, esse compromisso não exista.

Neurolinguística?

Lula disse ainda que "não é o dinheiro que faz o projeto, é o projeto que faz o dinheiro", para defender a idéia de que, com uma boa proposta, é possível convencer o setor privado a investir em obras de iniciativa do governo. Explica-se: o governo não tem o dinheiro para tocar adiante o PPA.

Adia isso, adia aquilo...

Mantega adiou para a próxima semana o anúncio dos projetos prioritários de infra-estrutura, que deveria ter sido feito anteontem. Até lá, espera convencer a iniciativa privada a investir neles. Difícil acreditar... O ministro também adiou para a próxima quarta o debate sobre Orçamento da União de 2004, que faria ontem com membros da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Um debate bem indigesto, diga-se, já que será o primeiro Orçamento by Lula -- e vai faltar dinheiro para tudo.

O espetáculo, segundo o consumidor...

Onde está o espetáculo do crescimento prometido por Lula para julho passado? Sondagem de Expectativa do Consumidor naquele mês, feita pela Fundação Getúlio Vargas, revela que o brasileiro está mais pessimista com o mercado de trabalho e, conseqüentemente, menos propenso a gastar. Do total de entrevistados, 57,79% consideraram que será mais difícil conseguir emprego daqui a seis meses. Em abril, esse percentual era de 53,81% e, em janeiro, de 39,34%. Mais da metade dos entrevistados (54,01%) disseram que não pretendem comprar bens de alto valor nos próximos seis meses.

... e segundo o empresário

O mesmo pessimismo pode ser observado na indústria. A confiança dos empresários da região Sudeste na economia caiu de 55,9 pontos em abril para 50 pontos em julho, segundo a CNI. A indústria paulista registrou em junho queda de 4,3% na produção. Foi a maior retração desde 1999 para um mês de junho, segundo o IBGE. Levantamento da Fecomércio-SP mostra que as vendas do comércio paulistano em julho caíram 5,7% em relação ao mesmo mês de 2002.

Assim falou... Márcio Thomaz Bastos

"O governo não age fora da lei. O que há é uma tolerância tática para tentar fazer uma negociação antes de jogar tropas para garantir a reintegração de posse, antes de cumprir o dever policial"

Do ministro da Justiça, em exótica explicação sobre a leniência do governo Lula para com movimentos de sem-teto e sem-terra.

Assim falou...José Dirceu

"Em nome do PT quem fala é o líder da bancada, o senador Tião Viana. Em nome do governo quem fala é o senador Aloizio Mercadante. E em nome do Senado quem fala é o senador José Sarney."

Do ministro-chefe da Casa Civil, tentando reduzir a importância das posições do senador Paulo Paim (PT-RS) contra a reforma da Previdência.

Ironias da história

A votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara consolidou o PFL como o partido que comanda a oposição política ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. O partido passa a ser, assim, o "PT do PT", mas a atuação pefelista é diversa da que o partido de Lula tinha no passado: além de não ser oposição sistemática aos projetos do governo - ao contrário, sem os votos pefelistas, a reforma não teria sido aprovada - o partido conseguiu arrancar mudanças significativas no texto aprovado, como o redutor menor para as pensões.

Inaugura-se, assim, a fase da "oposição de resultados". No Senado, o partido deve voltar a comandar a oposição política a Lula, pelas mãos do presidente da sigla, Jorge Bornhausen (SC), e do líder da bancada, José Agripino (RN), mas também terá a ala defensora do governo, comandada por Antonio Carlos Magalhães (BA) e Roseana Sarney (MA).




Topo da página

Revista Consultor Jurídico, 15 de agosto de 2003, 12h15

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 23/08/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.