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Cásper Líbero

Professores da Cásper Líbero entram em segunda semana de greve

Os professores da coordenadoria de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, entraram na segunda semana de greve. Os professores divulgaram nota para repudiar o comportamento do diretor da Faculdade, Erasmo de Freitas Nuzzi.

Eles decidiram entrar em greve para protestar contra a recusa do diretor da faculdade em cumprir o acordo firmado com representantes dos professores, dos alunos e da Fundação Cásper Líbero, mantenedora da faculdade, em fevereiro.

Os professores contam com o apoio de: Matinas Suzuki Jr., Leão Serva, Gabriel Priolli, Laurindo Lalo, Hamilton de Souza, Alberto Dines, Ariovaldo Bonas, Bob Fernandes, Carlos Brickmann, Caio Blinder, Eugênio Bucci, Gilberto Dimenstein, Gilson Schwartz, Fernando Mitre, Fernando Morais, Janio de Freitas, Mino Carta e Ricardo Noblat, Demétrio Magnolli, Fernando Pacheco Jordão, Luiz Carlos Merten, Nabil Bonduki e Hélio Campos Mello, entre outros.

Leia a nota divulgada pelos professores:

Ao sr. Paulo Camarda, presidente da Fundação Cásper Líbero

Ao sr. Sérgio Felipe dos Santos, superintendente-geral da Fundação

Aos professores, alunos e funcionários da Faculdade

Os professores da coordenadoria de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, abaixo-assinados, vêem-se no dever de levar ao conhecimento de toda a comunidade acadêmica seus sentimentos de frontal e resoluto repúdio ao comportamento do diretor da Faculdade, prof. Erasmo de Freitas Nuzzi, nas circunstâncias que passamos a narrar.

1- Conforme proposta apresentada pelo superintendente geral da Faculdade, sr. Sérgio Felipe dos Santos, no dia 18 de fevereiro de 2003, formalizou-se um acordo em torno de cinco pontos que vinham sendo objeto de nossa mobilização a partir do segundo semestre de 2002, em especial depois de um ato de truculência do Diretor da Faculdade ter resultado na sumária demissão de nosso coordenador, Marco Antonio Araújo, no penúltimo dia letivo do ano.

2- Os cinco pontos do acordo eram, textualmente, os seguintes:

- a partir do ano letivo de 2004, as novas turmas de Jornalismo voltarão a ter 45 alunos por sala de aula;

- não haverá nenhum veto da Fundação Cásper Líbero a uma eventual recontratação do professor Marco Antônio Araújo;

- as questões de relevância pedagógica e que digam respeito à qualidade de ensino serão discutidas pela comunidade acadêmica, tendo assegurada a democratização do debate sobre o futuro de nossa instituição. Para tanto, que se institua uma comissão responsável por implantar uma reforma regimental da Faculdade Cásper Líbero;

- serão nomeados pela Direção da Faculdade os professores Mário Vítor Santos e Welington Andrade como Coordenador e Vice-Coordenador de Jornalismo, respectivamente, e

- a contratação de novos professores se dará sob a indicação da Coordenadoria, aprovação do CTA e homologação pela Mantenedora, conforme o Regimento Interno, artigo 61.

3- O documento foi publicamente assinado no dia 19 de fevereiro de 2003, na presença de cerca de 50 alunos e de vários professores da Faculdade, pelo diretor Erasmo de Freitas Nuzzi, pelo coordenador Mário Vítor Santos e pelo presidente do Centro Acadêmico, Felipe Moreira Lima.

4- Cópias desse documento, por determinação do próprio Diretor, foram afixadas no mural de cada sala de aula.

5- O documento foi posteriormente assinado pelo presidente da Fundação, Paulo Camarda, e pelo superintendente, Sérgio Felipe dos Santos.

6- Cumprido o prazo legal de seis meses a partir da demissão do professor Marco Antônio Araújo, o Coordenador Mário Vítor Santos encaminhou à Diretoria da Faculdade o pedido formal de sua recontratação.

7- No dia 25 de junho, o Diretor da Faculdade indeferiu o pedido. Ao fazê-lo, o Diretor da Faculdade se coloca em rota de colisão não apenas com a Coordenadoria de Jornalismo, ou com este ou aquele de seus professores, mas com a própria Fundação Cásper Líbero, desmoralizando o acordo que celebrou solenemente. Sua decisão, abusiva e ilegítima, escarnece de todos quantos assistiram, participaram e assinaram de boa-fé o documento acima transcrito.

Se em termos assim veementes qualificamos o ato do Diretor da Faculdade, é porque o próprio texto do acordo não autoriza interpretação mais branda. Vetando o nome do professor Marco Antonio, o Diretor da Faculdade se coloca acima da própria Fundação Cásper Líbero, da qual é -para usar termo de seu agrado- um subordinado. A Fundação não veta a recontratação: é o que estabelece o segundo ponto do acordo; o professor Erasmo de Freitas Nuzzi decide o veto, por conta própria.

Poderia, em tese, impedir a contratação de um professor? Não, pois o quinto ponto do acordo estabelece claramente: "a contratação de novos professores se dará sob indicação da coordenadoria de Jornalismo, aprovação do CTA e homologação pela Mantenedora". Em nenhum momento está prevista a intervenção do Diretor nesse processo. Não lhe cabe vetar nenhum nome; cabe-lhe, aliás, pelo artigo ... do Regimento da Faculdade, cumprir as decisões da Mantenedora.

O Diretor da Faculdade, portanto, rompe um contrato firmado com várias instâncias da comunidade acadêmica: do representante dos alunos à presidência da Fundação, não há quem não tenha sido atingido por essa atitude.

Esta não é a primeira vez em que vemos, por iniciativa do professor Erasmo de Freitas Nuzzi, trincar-se a relação de confiança que deveria ser de praxe entre os membros da comunidade acadêmica. Mais uma crise se abre, por iniciativa do professor Erasmo de Freitas Nuzzi, no cotidiano da Faculdade de Jornalismo. Mais uma provocação sofremos, por iniciativa do professor Erasmo de Freitas Nuzzi.

Não queremos acreditar que a Diretoria paute suas atitudes pelo intuito de provocar uma ruptura definitiva com os quadros docentes da coordenadoria de Jornalismo da Faculdade.

Afirmamos, entretanto, que mais uma vez o professor Erasmo de Freitas Nuzzi nos coloca diante de uma situação limite: pois não concebemos continuar professores numa instituição em que espetáculos de descompromisso com a palavra dada, de arbitrariedade inepta, de prestidigitação institucional e de ludíbrio administrativo se ofereçam, ex cathedra, aos alunos, aos professores, aos funcionários e aos próprios responsáveis pela Fundação.




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Revista Consultor Jurídico, 11 de agosto de 2003, 12h29

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