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Mal das pernas

Luiz Francisco diz que CPI do Banestado é manipulada politicamente

A CPI mista que apura a ablução de US$ 30 bilhões a partir do Banestado do Paraná vem se tornando um elefante que se arrasta, moroso, e por detrás desse passo de lesma esconde-se uma manipulação política -- feita para que o governo não meta os pés pelas mãos ao convocar, para depor, políticos que possam ajudar a base governista a levar à frente seu projeto de reforma da Previdência.

A afirmação é do procurador da República, Luiz Francisco Fernandes de Souza -- que junto das procuradoras Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá -- compõe a tropa de elite do MPF no caso. Essa semana, os procuradores esmeram-se no ajuntamento de mais provas contra o ex-presidente do BC, Gustavo Franco, e contra Tereza Grossi.

Luiz Francisco não gosta de falar no assunto mas sabe-se que, também esta semana, artistas -- de televisão sobretudo -- começam ter as suas vidas monetárias vasculhadas pela Procuradoria e pela PF. Duas notórias figuras do estrelato brasileiro tiveram os seus nomes encontrados em esquemas de lavagem do Banestado, em bancos de Nova York.

Luiz Francisco, além dos trabalhos de investigação, esmera-se na revisão de sua obra "Socialismo: uma Utopia Cristã", com o prefácio de Frei Betto. O livro chega às livrarias em outubro, pela Editora Casa Amarela.

Leia a entrevista:

O sr. está feliz com os caminhos da CPI mista?

Não, porque outras CPIs, por exemplo a CPI do Banestado lá de Curitiba, bastou um dia lá para se quebrar o sigilo bancário e fiscal da Tereza Grossi, do Gustavo Franco, foi aprovado lá por exemplo para se convocar o Jayme Lerner, o ex-governador.

Mas a CPI Mista até hoje não convocou nenhum suspeito, nenhum político que tem conta lá fora, ou cuja família tenha ligações, tipo a família do sr. Borhausen. A CPI não chamou o Maluf para depor. A CPI ainda não foi para Nova York para pegar outros dados. Então, enquanto todas essas coisas não acontecerem e não se começar a quebrar o sigilo bancário e fiscal dos suspeitos, e não convocar e não intimar os suspeitos, essa CPI está indo devagar.

Quais os próximos passos?

O principal passo é terminar, não esta semana mas no máximo em um mês, a ação contra Gustavo Franco. E ampliar a questão da análise da responsabilidade da Tereza Grossi. Ao mesmo tempo vamos continuar a procurar outros políticos e outros Silveirinhas dentro dos bancos de dados, porque esta procura não é tão fácil, mas está em curso.

Ou então procurarmos artistas, etc, que a gente possa encontrar, porque isso é importante sob o prisma ético. E o outro passo que é muito importante é implorar de novo para a CPI para estender todos aqueles bancos de dados, o sigilo quebrado, para a Receita Federal. Porque aí a Receita Federal vai poder concluir e poder trabalhar a questão dos autos fiscais que podem gerar uns RS$ 20 bilhões em autos contra os sonegadores.

O sr. acha que o caráter político está promovendo algo como uma mão fatídica sobre os aspectos técnicos, de investigação, da CPI, ou melhor dizendo: há manipulação da CPI?

Eu acho que sim. Eu acho que a questão da reforma da Previdência ela é colocada assim, ela está atrapalhando a CPI porque é como se eles falassem assim: "Não podemos chamar muitos políticos para depor porque isso pode conflagrar, porque torna conflituoso o ambiente do Senado e do Congresso e se isso acontecer pode atrapalhar a reforma da Previdência".

Então eu acho que o ritmo que está sendo impresso à CPI é extremamente moroso, extremamente sem agressividade, sem combatividade, totalmente de forma segura, no sentido ruim da palavra, manietado, amarrado, justamente para não atrapalhar a reforma da Previdência. E por isso é que ela praticamente não tem alarde. Essa CPI ocorre de forma tão silenciosa, cada decisão que poderia ser feita às vezes em três dias, às vezes demora um mês e meio, e por isso a morosidade que essa CPI tem.

Revista Consultor Jurídico, 11 de agosto de 2003, 12h44

Comentários de leitores

3 comentários

Opiniões são opiniões. Cada um tem a sua. Todas...

Rodrigo Laranjo ()

Opiniões são opiniões. Cada um tem a sua. Todas devem ser levadas em conta até que tudo fique esclarecido. Mas que os relatos deste senhor parecem ser bem sensatos, parecem. E eu sou obrigado a concordar... www.wibs.com.br

Como pode acontecer isso, vindo justamente de u...

Eduardo de Araújo Marques (Estudante de Direito - Civil)

Como pode acontecer isso, vindo justamente de um partido que foi perseguido, que se diziam os honestos, os intocáveis. Fazem o que até o FHC fazia de forma branda, espurgam os que se levantam contra eles. Os que votam contra são punidos, os que investigam contra e que são considerados bandidos. Mas não é de se estranhar, pois vários elementos do governo, são terroristas da Revolução Cubana. Senhores militares, estejam atentos a qualquer caracterização de um governo autoritário e sem limites. Os Senhores Deputador e Senadores que votaram e votarão contra a Reforma da Previdência só devem satisfação a seus eleitores e não a um partido que se acha dono da vontade popular. Infelizmente, em meu Estado do Acre, as coisas são bem parecidas. O Governador tem até um apelido aqui: O REI, pois manda e desmanda em tudo, somente satisfazendo a sua vontade. QUE PAÍS E ESSE???

Senhores Temos que ter paciência. O Governo do...

Wolny Menezes Filho ()

Senhores Temos que ter paciência. O Governo do PT ainda está em fase de descer do palanque eleitoral para poder tomar as ações que durante 22 anos criticaram dos demais partidos politicos que sempre estiveram no poder. Vocês acham que eles irão tocar para frente nenhuma CPI que implique em pérder os amiguinhos do PSDB, PFL, PTB, PP, etc? Amiguinhos que darão, por consciencia de troca de cargos, etc, um voto pelas reformas de previdência e tributária? Vocês parecem uns bobinhos... Viva o governo do PT, Viva o LULA LA...bem longe

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