Consultor Jurídico

'Tom de irreverência'

Presidente da OAB paulista defende tradição do 'pindura'

O dia 11 de agosto, Dia do Advogado, marca a criação dos cursos jurídicos no Brasil, mas para muitos estudantes e profissionais do Direito a data possui mais uma tradição: o "Pindura". Trata-se de uma manifestação que surgiu na metade do século XIX, quando os proprietários de restaurantes convidavam os acadêmicos, seus fregueses habituais, parar brindar a grande data da Advocacia.

"Com o passar dos anos e o incremento da crise econômica, diminuíram os convites para os estudantes, mas a criatividade e a irreverência dos acadêmicos encontraram alternativas para a comemoração e o Pindura surgiu na forma como o conhecemos hoje. Os estudantes entram como fregueses normais, comem, bebem, fazem um pronunciamento sobre a data festiva e mandam pendurar as contas", diz Aidar.

Embora afirme que a vocação do advogado sempre começa no respeito à lei, Aidar não deixa de reconhecer que o Pindura tem um tom de irreverência que precisa ser mantido.

"No caso de impasse na hora de pagar a conta, a alternativa é dirigir-se ao Distrito Policial mais próximo para que as partes possam colocar seus pontos de vista ao delegado, que também foi bacharel de Direito, um dia. Os estudantes devem comprovar que dispõem de recursos para pagar a conta, para não ser enquadrados em crime penal, mas não o fazem por respeito à tradição do Pindura", diz o presidente.

Como a confraternização do Pindura nem sempre é encarada com bom humor pelos gerentes de restaurante, Aidar afirma ser favorável, também, ao "Pindura Diplomático", pelo qual o Centro Acadêmico faz um contato antecipado e comunica a quantidade de alunos participantes, especialmente junto aos estabelecimentos mais caros da cidade.

"Embora comprometa a surpresa do Pindura, a proposta parece razoável. Também seria o caso de os estudantes pensarem em alternativas para abrandar os gastos dos restaurantes visitados, pagando a bebida consumida, por exemplo", pondera Aidar.

Outra garantia para os restaurantes são as "comendas" ou ofícios dos Centros Acadêmicos, garantindo que quem está fazendo o Pindura é um estudante de Direito. (OAB-SP)




Topo da página

Revista Consultor Jurídico, 7 de agosto de 2003, 20h34

Comentários de leitores

3 comentários

RIDÍCULA ESSA "TRADIÇÃO". SE NÁ IDADE DA PEDRA ...

barbosa (Outro)

RIDÍCULA ESSA "TRADIÇÃO". SE NÁ IDADE DA PEDRA LASCADA ERA COMUM ESTUPRAR AS MULHERES, SERÁ QUE A OAB ACHA QUE ESSA TRADIÇÃO DEVE SER CONSERVADA? ATENÇÃO, COMERCIÁRIOS. INSTITUAM JÁ O DIA DO "LEVA". AO TERMINAR O EXPEDIENTE, O COMERCIÁRIO PODE LEVAR DA LOJA QUALQUER OBJETO QUE QUEIRA SEM PAGAR. ATENÇÃO, CRIANÇAS. O DIA 12 DE OUTUBRO VAI SER O DIA DO PICOLÉ. ATAQUEM OS CARRINHOS DE PICOLÉ. VOCÊS PODEM PEGAR UM E SAIR SEM PAGAR. ORA, SE OS ESTUDANTES DE DIREITO PODEM POR QUE AS CRIANÇAS NÃO PODEM?

O "pindura" deixou de ser uma tradição. Hoje te...

Raul Haidar (Advogado Autônomo)

O "pindura" deixou de ser uma tradição. Hoje temos uma faculdade de Direito em cada esquina, como se fosse uma rede de lanchonetes ou lojas de tecidos. No mais das vezes, tais escolas são meras fábricas de diplomas, onde quase nada se ensina e pouco se aprende, cometendo verdadeiro estelionato educacional contra os estudantes. O tal "pindura" tinha algum sentido quando havia 2 ou 3 faculdades em São Paulo, cujos alunos viviam em repúblicas ou de mesada e podiam dar-se ao luxo de frequentar (e pagar) os restaurantes em que, no Dia do Estudante, eram recebidos com festas, onde o freguês assíduo era homenageado. Hoje, a maioria dos estudantes de direito mal conseguem pagar as mensalidades da fábrica onde seu diploma vai ser produzido. E os que podem estudar na USP ou mesmo na PUC ou no Mackenzie (onde só entram os que frequentaram os colégios da "elite") devem ter dinheiro para pagar os restaurantes no dia 11/8, se os podem frequentar nos outros dias do ano. O país mudou, os estudantes mudaram, as faculdades e os restaurantes também. E, infelizmente, os dirigentes da OAB ainda não mudaram. Essa história de "pindura" só tem sentido para quem ainda pensa que os limites da Advocacia se restringem ao Largo de São Francisco, Praça da Sé e suas cercanias...

Fiquei decepcionado com a atitude do Presidente...

Leandro Martins Araújo ()

Fiquei decepcionado com a atitude do Presidente da OAB paulista, um homem que deve zelar pelo Estado de Direito apóia e incentiva atitudes criminosas, como não pagar a conta de um produto consumido, enquanto 30 milhões de cidadãos brasileiros passam fome, se humilhando todos os dias por comida, sem mesmo sonhar com o significado da palavra dignidade. "Dignidade da pessoa humana", princípio consagrado pela Constituição Pátria, signinifica também, na minha opinião, respeitar quem trabalha e trabalhar em busca do bem de todos, porque se todos não forem dignos de respeito, ninguém o será. É difícil colocar-se no lugar dos proprietários? De pensar que alguém pagará pela tradição?? E porque não uma tradição em colaborar efetivamente com a sociedade? Acho que o poder da ordem dos advogados do brasil pode ser melhor aplicado, voltando-se, repito, mais ao bem comum e menos defendendo supostos costumes que prejudicam os interesses sociais. E também acredito que não sejam esses os interesses que nossa classe deseja ver defendidos.

Comentários encerrados em 15/08/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.