Consultor Jurídico

Maiores e melhores

Leitores do site ConJur debatem critérios de ranking na advocacia

Embora já tenha peso político, status e a expressão econômica de segmentos empresariais, a advocacia ainda não se habituou com o patamar que alcançou. Essa é uma das conclusões que se cogita diante da forte reação à notícia, publicada pelo site Consultor Jurídico, de que o escritório Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados passou o Pinheiro Neto Advogados -- em número de advogados.

Alguns leitores acusaram o site de ter favorecido indevidamente o escritório e de ter misturado propaganda com notícia.

A notícia repercutiu mais do que o normal. Para Eduardo Diamantino, do escritório Diamantino Advogados Associados, há uma confusão por trás da polêmica. "Estão relacionando o maior número de advogados com o melhor escritório", disse. Ele lembrou que, na advocacia, o único dado transparente para classificação é o de número de advogados. "Por isso, há muito tempo os grandes escritórios se identificam com esse critério", acrescentou. Segundo o advogado, ser o maior "é muito diferente de ser o melhor".

Evidentemente, a notícia veiculada por este site teve unicamente o objetivo de informar. E não se afirmou em qualquer momento que algum escritório fosse melhor, mais rentável ou maior economicamente que outro.

"Não há porque se questionar o critério utilizado pelo site Consultor Jurídico que foi o mesmo da revista inglesa Latin Lawyers. Quem tem mais advogados é o maior e pronto", afirmou o advogado Jorge Nemr, do escritório Leite Tosto e Barros Advogados.

O advogado Alberto Zacharias Toron, do escritório Toron, Torihara & Szafir Advogados, afirmou que o número de profissionais das bancas é "absolutamente irrelevante". De acordo com ele, "um escritório com menos advogados pode ter, por exemplo, um faturamento maior".

Um advogado tributarista de São Paulo disse que "o número de cabeças só tem importância quando se trata de boiada". Para o tributarista, o único critério válido é o do faturamento. "Como ninguém diz quanto fatura, não há como saber quem é maior."

O advogado Ricardo Hasson Sayeg, do escritório Hasson Sayeg, Finkelstein, D'Avila e Nelson Pinto Advogados, afirmou que o critério adotado sobre número de advogados "é sensacionalista, não expressa nada de importante para a advocacia e induz o cliente e a comunidade ao erro".

"No momento da prestação de serviço advocatício, pouco importa quantos advogados existem em um escritório, mas, sim, que o serviço seja prestado com qualidade, independência, ética e celeridade", afirmou. Sayeg disse que "o valor profissional que interessa ao cliente, ao Judiciário e a comunidade não está no número de advogados de um escritório".

O advogado Luiz Kignel, do escritório Pompeu, Longo e Kignel Advogados, afirmou: "Não acredito que um cliente escolha um escritório de advocacia apenas pela sua posição no ranking. Esta relação é meramente informativa. Existe uma relação pessoal de confiabilidade e empatia entre profissional e cliente que não se pode mensurar. E isto não tem preço."

A OAB paulista e o Tozzini Freire não quiseram se manifestar sobre o assunto.

Para o diretor do site, Márcio Chaer, a polêmica se explica pela falta de hábito dos advogados com esse tipo de abordagem. "Não faz muito tempo que os escritórios tornaram-se empresas e a advocacia uma indústria", comenta, para perguntar, em seguida: "Alguém acha estranho ouvir que a Microsoft é campeã de mercado, que a Globo é a maior emissora do país ou que a coca cola é o refrigerante mais consumido no mundo? Não. Mas quando o Brasil entrou na era do jornalismo econômico, muita gente achou que reportagens sobre o mercado e rankings eram pagas. Não eram. Com a advocacia acontece o mesmo", conclui.




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Revista Consultor Jurídico, 7 de agosto de 2003, 20h35

Comentários de leitores

5 comentários

Os únicos prejudicados com essa notícia são os ...

Rodrigo Laranjo ()

Os únicos prejudicados com essa notícia são os pequenos escritórios, porque com isso os principais apareceram e os pequenos são desconsiderados. O consolo aos pequenos é que quem procura um advogado não procura quantidade, e sim qualidade. www.wibs.com.br

Não concordo divulgações como essas, nas quais ...

Edjane Alves ()

Não concordo divulgações como essas, nas quais expõe-se a idéia de "quantidade" de maneira visivelmente voltada ao marketing de um escritório. Dizer que um estabelecimento é "o maior", mesmo que referindo-se ao número de advogados que compõem o seu quadro, é lançar uma mensagem subliminar de que este é o melhor. As pessoas, de uma maneira geral, não vão parar para pensar e estabelecer a diferença entre quantidade e qualidade, pois a advocacia é uma lida também com o "status". Há algum tempo atrás elogiei a equipe do Consultor Jurídico pelo trabalho desenvolvido em termos de informação jurídica. Continuo gostando do trabalho da revista, mas alerto que é preciso tomar cuidado com informações como estas, que causam a impressão de puro marketing.

Esta na hora da OAB E O TRIBUNAL DE ETICA DISCI...

Paulo Trevisani (Advogado Assalariado - Previdenciária)

Esta na hora da OAB E O TRIBUNAL DE ETICA DISCIPLINAR , rever o Codigo de Etica e passar a tratar a materia com a seriedade que ela merece. A quem beneficia divulgar ranking ou informaçoes de quem e o melhor ou o maior. Aos ilustres e desconhecidos advogados nao e. Paulo Trevisani

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