Consultor Jurídico

Quarta-feira, 6 de julho.

Primeira Leitura: PT não compareceu para "defender" servidores.

Atravessando o Rubicão

"A sorte está lançada". Repetindo o imperador Júlio César, depois de atravessar o Rubicão, na volta da campanha da Gália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça, a governadores e prefeitos do PT, horas antes de os líderes aliados fecharem um acordo de votação, que a "sorte" da reforma previdenciária estava lançada.

Guarda pretoriana

Também a exemplo de Júlio César, a retaguarda militar de Lula era bastante forte. Mais uma vez, os policiais não economizaram na repressão aos servidores. Houve confrontos, e muita gente apanhou. Desta vez, à diferença das reformas nos tempos de FHC, os parlamentares do PT não compareceram para "defender" os servidores. Na verdade, estavam do outro lado, organizando o aparato repressivo.

Polícia para quem...1

Em todas as entradas do Congresso, incluindo garagens e acessos secundários, foram colocadas equipes com seguranças do Legislativo, policiais e advogados. Muitos servidores tentaram entrar com cópias de uma liminar concedida pelo presidente do STF, Maurício Corrêa, permitindo o acesso de funcionários públicos ao Legislativo. Os advogados recusaram a liminar porque ela estava condicionada às normas de segurança.

Fazendo picadinho

O deputado rebelde João Fontes (PT-SE) cobrou do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que acatasse a liminar do Supremo. "Só não picoto isso aí porque não tenho um picotador de papel agora", respondeu João Paulo, que já liderou protesto contra a reforma da Previdência quando era de oposição.

Polícia para quem...2

O coordenador nacional do MST João Paulo Rodrigues afirmou nesta terça-feira, que a reforma agrária não será feita com armas, mas com tapas.

Polícia para quem...3

"Nós vamos conseguir colocar 1 milhão de famílias na beira da estrada em acampamentos. Não precisaremos de armas para enfrentar o latifúndio. Nós enfrentaremos eles a tapa. Tiraremos eles das fazendas sem que haja necessidade de grandes explicações".

Mulher de César

Ou seja, João Paulo confirmou aquilo que João Pedro Stedile tentou amenizar na semana passada. Detalhe fundamental: o seminário foi realizado na sede da Procuradoria Geral da República, em Brasília. Se as instituições estivessem funcionando normalmente, o procurador-geral, Claudio Fontelles, teria de abrir uma investigação contra o líder sem-terra.

Só urbi, mas não orbi

Novamente, o governo Lula deixa claro que, quando se trata de proteger a estrutura e as propriedades do Estado, não deixa por menos que os cassetetes e escudos da tropa de choque. Já quando se trata de fazer respeitar o Estado de Direito e proteger a propriedade privada, o problema se torna exclusivamente privado.

Quosque tandem?

Adivinhe, leitor, quem Lula responsabilizou pela "falência" das prefeituras e dos governos estaduais? FHC, claro. "Nos últimos anos, o governo federal preferiu empobrecer os municípios e os Estados, para que prefeitos e governadores não saíssem do gabinete dos ministros, pedindo ajuda."

Assim falou...Valdemar Costa Neto

"Nem dei bola. Se não fosse o PL e o vice José Alencar, eles [PT] nem estavam no poder."

Do deputado e líder do PL na Câmara, dando de ombros à ameaça do PT de expulsar quem votasse contra o Planalto, dirigidas justamente a seu partido, que não aceita a fixação do subteto do Judiciário em 85,5% e insistiu nos 90,25%.

Bolsa de futuros

O mercado financeiro deixou claro por que, na prática, é uma espécie de quarto Poder no Brasil. Este papel já foi, diz-se, da imprensa. Mas esta, é forçoso reconhecer, com as exceções de sempre, virou apenas mais uma correia de transmissão do Poder Executivo. Era para dar uma resposta ao mercado que o governo Lula buscava aprovar, a qualquer custo e ontem ainda, a reforma da Previdência.

Os analistas dizem que o movimento criado para acelerar a votação deveria funcionar como um calmante para os investidores. Ontem, de fato, funcionou. Todos os indicadores que tinham piorado na segunda fizeram o caminho de volta. Os números positivos indicam que o mercado expressa sua vontades e que o governo corre a satisfazê-las. Quais serão, agora, as próximas reivindicações do Quarto Poder.




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Revista Consultor Jurídico, 6 de agosto de 2003, 9h46

Comentários de leitores

1 comentário

Quando o povo falou queremos mudanças, o PT não...

Claudio Pereira (Advogado Autônomo)

Quando o povo falou queremos mudanças, o PT não entendeu. Como podemos aceitar pessoas na liderança de nosso país, que mudam sua opinião como se estivese trocando de roupa. Hoje o verdadeiro PETISTA, desconhece o PT.

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