Consultor Jurídico

Terça-feira, 5 de agosto.

Primeira Leitura: Câmara vota reforma com esquema de segurança.

A história se repete...

Você já viu isso antes: uma mudança, ainda que leve, nos ventos internacionais colhe o Brasil, mais uma vez, sem defesas. Já se viu esse filme várias vezes no governo FHC, com crises externas desestabilizando os indicadores do país. A história se repete, e os indicadores utilizados, até agora, pelo governo Lula como prova de uma boa administração da economia se deterioraram rapidamente.

...e a farsa se prova

Ontem, a corretora Merrill Lynch rebaixou a recomendação para a compra de títulos brasileiros e agravou a desconfiança do mercado em relação aos rumos do país. O rebaixamento se deveu ao aumento da rentabilidade dos títulos norte-americanos, que passaram a atrair investidores do mundo todo, em detrimento da opção por papéis de países emergentes.

Indicadores

A taxa de risco do país, que já esteve abaixo de 600 pontos básicos, bateu ontem em 900. O dólar, que já esteve em R$ 2,81, passou de R$ 3,10 e fechou em R$ 3,07. A Bovespa fechou em baixa, os juros futuros dispararam e o principal título brasileiro no exterior, o C-Bond, derreteu.

Na berlinda

Aparentemente, o governo não teve resposta no campo econômico para tamanha agitação. Tanto assim que outra razão para a deterioração dos indicadores foi a boataria de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, estaria demissionário. Líderes petistas tiveram de desmentir publicamente essa versão.

No ataque

No campo político, a resposta possível foi a tentativa de apressar a votação da reforma da Previdência. O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), convocou sessão extraordinária para a manhã desta terça para ganhar tempo e votar, talvez no mesmo dia, o relatório da reforma elaborado pelo deputado José Pimentel (PT-CE).

Liberdade vigiada

A Câmara montou um esquema especial de segurança para evitar incidentes durante a marcha dos servidores contra a reforma da Previdência, marcada para quarta-feira. O objetivo é evitar que se repita o que houve em 23 de julho, quando a tropa de choque da PM entrou na Casa para reprimir um protesto do funcionalismo.

Liberdade assistida

A ordem é cumprir a lei e limitar a ação dos policiais militares à área externa do Congresso. A segurança interna será reforçada, mas executada apenas pelo pessoal do próprio Legislativo. Os manifestantes receberão panfletos com dados sobre a área em que poderão circular. Alguns grupos serão admitidos no auditório Nereu Ramos da Câmara e haverá telões na área externa transmitindo a votação.

Bomba de efeito moral

Chama a atenção a forma agressiva como o governo Lula defende os prédios públicos. Além da entrada da tropa de choque da PM no Congresso, policiais quase arrastaram pelos cabelos uma senadora da República (Heloisa Helena, PT-AL) quando foram expulsar servidores em greve do prédio do INSS. Já quando se trata da propriedade privada, as leis são sistematicamente descumpridas.

Assim falou...José Genoino

"Não há perda de controle. Nem luz amarela e muito menos vermelha (...) A autoridade e o respeito estão claros. Aliás, se há uma liderança que tem respeito e autoridade é o presidente Lula."

Do presidente do PT, confirmando uma velha máxima: quando uma autoridade precisa negar veementemente algo, é porque este algo está acontecendo.

Bolsa de futuros

O Consenso de Washington está morto. E quem afirma isso não são ativistas do Fórum Social Mundial, e sim o chefe de mercados emergentes do banco Morgan Stanley, um dos mais importantes do mundo, em artigo no Financial Times, um dos dois mais influentes jornais de economia do mundo. Em artigo publicado ontem, o analista Narayan Ramchandran afirma: "Parece que estamos vendo a morte do Consenso de Washington e sua rápida substituição pelo mantra faça o crescimento acontecer".

Ou, na abreviatura em inglês, GGG, de "get growth going". Ramchandran cita vários exemplos de como a lógica fiscalista do Consenso, que ele chama de "cinto de castidade" foi trocada por estimulo ao investimento. O mais evidente é a Tailândia, que conseguiu crescer 5% depois de abandonar o receituário do Fundo. A exceção é o Brasil, onde o "esquerdista" PT prefere ficar mesmo colado à mediocridade de um modelo que faz a festa dos reacionários.




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Revista Consultor Jurídico, 5 de agosto de 2003, 10h32

Comentários de leitores

1 comentário

Quanto ranço, não ? Tem muita gente apostando...

Rose Lima ()

Quanto ranço, não ? Tem muita gente apostando no caos total, perda do controle, dificuldade de governar. No entanto, este governo está respaldado pelo anseio popular e com certeza, sairá vitorioso ! Se essas forças, que hoje, após 6 meses de governo, atiram à torto e à direito em toda direção, tivessem feito cobranças, mesmo que de forma mais amenas, em governos anteriores, com certeza a história desse país seria outra. Mas... tem gente que tem muito medo de apanhar e de enfrentar a luta. É uma atitude inútil, derrotista e covarde, própria dos fracos e oportunistas ! Rose Lima

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