Consultor Jurídico

Sexta-feira, 1º de agosto.

Primeira Leitura: CNI e CNA encerraram lua-de-mel com o governo.

Fim de caso

As duas maiores confederações empresariais, a CNI, da indústria, e a CNA, da agricultura, deram por encerrado o período de lua-de-mel com o governo Lula. De público, as lideranças do empresariado ainda vão continuar a dizer que estão "com esperança", mas a avaliação é que o governo Lula não tem projeto para o desenvolvimento econômico.

Medo venceu esperança

Ontem, depois de um encontro com o ministro Antonio Palocci (Fazenda), o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro (PTB-PE), mostrou-se preocupado: "Precisamos neutralizar qualquer risco de aumento de carga [tributária]". O vice-presidente José Alencar (PL-MG) está cada vez mais contrariado com os rumos da discussão da reforma tributária.

Lotados

E tudo isso, é claro, passa pela recessão. Levantamento da CNI mostra que, no segundo trimestre deste ano, o indicador sobre estoques ficou em 54,2 pontos, numa escala de 0 a 100, resultado que indica "acúmulo" em relação ao trimestre anterior. Significa luz vermelha nas empresas. E possibilidade alta de novas demissões.

Sem-esperança

O aumento da tensão no campo e a lassidão do governo federal em relação às invasões promovidas pelos sem-terra também afastam do Planalto os empresários rurais, a cada dia mais descrentes do apoio prometido ao setor durante a campanha eleitoral.

Mercado unfriendly

Mesmo no mercado financeiro, até aqui o único beneficiado pela política econômica, cresce a cautela em relação ao governo Lula. As notícias que chegam dos EUA e demais mercados internacionais dão conta do "fim da euforia" e do fim do "oba-oba" com o paloccismo.

Prudência

Na verdade, não se trata apenas disso, mas da adoção de uma postura que operadores chamam de "monitoramento" das ações do petismo também na área social. Não há ninguém com o "dedo no gatilho" no mercado, mas também ninguém mais está deixando a arma muito longe do alcance da mão.

CQD

Primeira Leitura contou ontem que o presidente Lula havia anunciado, para três interlocutores diferentes, três propostas de reforma agrária possíveis -- tão diferentes que mais pareciam destinadas a três países distintos, mas governados pelo mesmo presidente e pelo mesmo PT.

A cesta básica...

Há uma quarta versão, que tem tudo para ser a definitiva. Os líderes do MST não vão gostar de saber da novidade. Primeira Leitura apurou que o assentamento será limitadíssimo -- a menos de 10 mil sem-terra, talvez --, mas, em compensação, haverá uma "escalada na distribuição de cestas básicas entre todas as famílias".

...é de quem trabalha nela

Em vez de crédito rural e insumos, o cartão-alimentação do Fome Zero será fartamente distribuído nos assentamentos, na esperança de que o MST se contente com a "melhora das condições sociais". O PT arquivou a idéia de transformar a reforma agrária de FHC em usina de produção de alimentos. Leia mais em www.primeiraleitura.com.br.

Assim falou...José Dirceu

"Eu diria que o país, neste momento, pode ficar tranqüilo. O governo tem um plano de vôo, tem um rumo para a retomada do crescimento econômico. Podemos discordar no tempo de algumas decisões, mas não no rumo delas."

Do ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista à Globonews, claramente na defensiva diante da análise de empresários e já de parte da imprensa de que o governo Lula não tem um projeto para o país.

Bolsa de apostas

O PIB dos Estados Unidos cresceu 2,4% no segundo trimestre, bem mais do que esperavam os analistas financeiros. É uma boa notícia, principalmente porque um dos indicadores que cresceu no período foi o do investimento das empresas, particularmente em softwares e computadores. Um dos motivos da recessão foi justamente a queda abrupta no investimento durante o período de euforia da internet.

Mas o grande responsável pelo crescimento no período foi o aumento no gasto com defesa, por causa da invasão no Iraque, um tipo de despesa que não se repetirá e que tende a ter impacto reduzido no PIB. Muitos apostam que é o início da recuperação. Depende de um número que será divulgado hoje: o do desemprego. Se crescer ou permanecer no nível atual (6,4%), vai esmagar o pouco de entusiasmo gerado pelo resultado do PIB.




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Revista Consultor Jurídico, 1 de agosto de 2003, 9h24

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