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Sob suspeita

MP pede prisão de PMs acusados de fornecer armas para o PCC

O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta sexta-feira (1º/8), cinco oficiais da Polícia Militar. Eles são acusados de fornecer armas da PM para o crime organizado. O MP pediu as prisões preventivas dos oficiais e pena de 12 a 48 anos de reclusão.

Eles são acusados de terem desviado as armas justamente do extinto todo-poderoso grupo de elite da Polícia Paulista, o Gradi, um dos orgulhos do ex-secretário Marco Vinício Petreluzzi, da Segurança Pública. Os policiais denunciados, que ganhavam a vida investigando o PCC (Primeiro Comando da Capital), são acusados de terem desviado as armas justamente para esse grupo criminoso.

Os denunciados são: sargento Rodney Carmona, tenente Henguel Ricardo Pereira, coronel Roberto Mantovan, coronel Rafael de Albuquerque Pereira, e o tenente Álvaro Inocêncio de Jesus, do Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo.

Segundo o MP, "os denunciados por determinação do seu comando foram deslocados de suas funções policiais militares típicas para que atuassem diretamente perante o gabinete da Secretaria de Segurança Pública, junto ao Gradi (Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância)".

Irregularidades como essa, incluindo crimes de tortura de presos, acabaram extinguindo o Gradi. A denúncia revela mais detalhes sobre os policiais.

Diz a denúncia que "nessa estável formação criminosa, apropriaram-se, em proveito próprio, desviando, de bens públicos que lhes foram confiados, em razão de suas condições funcionais públicas, especificamente, uma submetralhadora com carregador de marca Ingram, calibre 9mm, numero 275939, de uma submetralhadora de marca Cobray, calibre 9mm, numero 890035486, e de um fuzil Rugger, calibre 233, numero 18897532, dos quais tinham posse, em razão da condição de depositários judiciais".

De acordo com a denúncia, em 3 de outubro de 2002, os mesmos policiais roubaram do Segundo Batalhão de Choque da PM, na rua Jorge Miranda, 789, "uma submetralhadora com carregador de marca UZI, calibre 9mm, numero UP61238 e de um quite para transformação de fuzis calibre 5.56 para calibre 22".

Os policiais, afirma ainda o MP paulista, davam parte dos desvios por eles praticados como "roubos" cometidos contra viaturas da PM, fraudes que eram registradas pelos oficiais da PM no 13º Distrito Policial, na Casa Verde.




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Revista Consultor Jurídico, 1 de agosto de 2003, 15h30

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