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Jogo duro

Terceiro, a formação e o aperfeiçoamento de policiais. Vamos investir no treinamento de policiais civis e militares por meio de academias integradas. O objetivo é valorizar o profissional e promover maior consciência do que é o exercício da cidadania.

A secretaria Nacional de Segurança Pública tem um setor de formação e aperfeiçoamento que já está trabalhando nos currículos das academias para definir o conteúdo desses cursos de formação. Quarto, a valorização das perícias. Precisamos dar prioridade à valorização das perícias nos Estados para melhorar a investigação do vestígio dos crimes. Há alguns dias eu fiquei sabendo que de 100% dos crimes que acontecem no Rio, apenas 8% são desvendados e 92% não o são.

Ou seja, se tem uma pessoa rica que é vítima, muitas vezes a pressão da família faz com que a Polícia vá fundo para investigar. Mas se é um pobre, depois da missa de sétimo dia ele é esquecido. E aquilo entra apenas no controle dos boletins de ocorrências.

Quinto, a prevenção da violência e da criminalidade. Começamos já a realizar ações concretas para prevenir e reduzir a violência, não só aqui, mas também nos outros Estados, com Ouvidorias independentes e Corregedorias unificadas. O objetivo é realizar o controle externo sobre a ação de segurança pública nos Estados.

A Ouvidoria tem o compromisso de ouvir as reclamações da população e identificar abusos. E a Corregedoria vai atuar na fiscalização dos atos dos policiais civis e militares. Esses são os eixos do nosso sistema único de segurança pública que vem sendo experimentado com sucesso aqui no Espírito Santo nos últimos 45 dias.

Montamos aqui um gabinete de gestão integrada que inclui, além das autoridades da área de segurança do Espírito Santo, representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública, das polícias Federal e Rodoviária Federal, da Receita Federal e da Agência Brasileira da (?).

Esse gabinete capixaba foi pioneiro, foi criado como a primeira experiência do sistema único de segurança pública. A nossa idéia é unificar padrões, serviço de inteligência e mecanismos de combate à violência nos Estados. Com isso, estaremos dando um passo extraordinário para aumentar a confiança de que vamos enfrentar com galhardia e destemor a questão da violência no nosso país.

Por isso eu quero terminar, aqui, dizendo ao meu querido companheiro Paulo Hartung que ontem eu peguei o helicóptero da Marinha, no aeroporto, para ir à casa do Paulo Hartung. Mas eu fui lá, não para ver a casa e usufruir do conforto e do carinho da família do Governador.

Eu fui lá porque aquele heliporto foi construído para que o Presidente Fernando Henrique Cardoso viesse ao Estado. Mas como ele não veio, eu fui inaugurar o heliporto da casa do Governador com algum tempo de atraso. E queria dizer a você, meu querido Paulo Hartung, que por ser um Estado geograficamente pequeno, o Estado do Espírito Santo está sendo tratado como um filho caçula, aquele que recebe mais carinho, aquele que é tratado com mais chamego. E ele sabe disso.

Ele sabe da disposição do companheiro Palocci em tentar, junto com o Governador, encontrar uma solução para a questão dos royalties para resolver o problema, pelo menos de ordem financeira, para suprir deficiências do passado.

Eu acredito que o Ministro Palocci, não só tem um carinho muito grande pelo Estado do Espírito Santo, como tem uma relação de amizade e respeito que nós aprendemos a ter com você, Paulo. Daqui a pouco nós vamos anunciar tanto investimento aqui que você nem esperava que isso fosse acontecer. Outros governadores não conseguiram.

E nós vamos fazer porque nós entendemos que essa é a tarefa do Governo Federal, de começar a fazer com que as coisas aconteçam no Estado, se nós quisermos acreditar no desenvolvimento, na geração de empregos e na distribuição de renda. Eu quero dizer a todos vocês que tudo começa pelas reformas que vamos fazer. E nós vamos precisar de compreensão, porque todas as coisas que você faz, em toda mudança, tem gente que chora, tem gente que critica e tem gente que gosta.

Você já viu algum jogador de futebol gostar de ser substituído, mesmo quando faltam apenas dois minutos e ele esteja jogando mal? Reforma também tem problemas. Ou nós fazemos a reforma na Previdência Social ou daqui a alguns anos os Estados não terão dinheiro para pagar nem pouco nem muito ao funcionário.

Ou nós fazemos reforma tributária, ou este país não será competitivo. Nós estamos competindo com países que não exportam impostos. E nós, muitas vezes, estamos exportando impostos. Alguém vai perder? Vai. Alguém vai pagar mais? Vai. Mas é assim na vida. Se Jesus Cristo precisou ser crucificado para salvar a humanidade, porque que cada um de nós não pode colocar um pouco do nosso sacrifício para salvar esse imenso Brasil que tanto precisa de nós? Muito obrigado."

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Revista Consultor Jurídico, 22 de abril de 2003, 20h49

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