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Justiça decreta prisões de empresários e coronéis em MT

A população de Mato Grosso presenciou, nesta quinta-feira (5/12), o início da maior operação já feita no Estado por agentes da Polícia Federal. O juiz federal Julier Sebastião da Silva decretou a prisão temporária do empresário João Arcanjo Ribeiro, conhecido como "O comendador". Ele é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso.

O juiz decretou ainda a prisão temporária de dois coronéis da Polícia Militar, um empresário e outros réus.

Julier Sebastião expediu mais de 25 mandados de busca e apreensão na casa dos acusados de envolvimento com o crime organizado no Estado. Os pedidos de prisões foram feitos pelo procurador da República, José Pedro Taques. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Arcanjo teria decidido oferecer cerca de R$ 2 milhões pela morte de Taques.

Arcanjo é acusado de crimes como contrabando, homicídios, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A PF afirma que Arcanjo tem ligações com as máfias chinesa e espanhola. Ele também é acusado de mandar matar o empresário Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado.

Em entrevista ao site Consultor Jurídico, Julier informou que Arcanjo é investigado há cinco anos. Segundo o juiz, Arcanjo movimentou mais de R$ 2 bilhões em suas contas no Brasil nos últimos quatros anos. Deste total, cerca de R$ 1 bilhão não foi declarado a Receita Federal.

Operação Arca de Noé

A Polícia Federal chamou a operação de "Arca de Noé". Sites de notícias de Mato Grosso afirmam que foram apreendidas uma escopeta calibre 12, dois revólveres calibre 38 e uma pistola 380 mm na casa do coronel Lepesteur. Até o momento quatro pessoas estão presas. Arcanjo está foragido.

A operação da PF teve a participação de 100 policiais, 22 promotores de Justiça e quatro procuradores federais.




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Revista Consultor Jurídico, 5 de dezembro de 2002, 12h07

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