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Software Livre (II)

Consultor da Conectiva examina as vantagens do Linux (II)

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Então existem dois tipos de mensagens dessa classe: as que vêm de pessoas que têm consciência da necessidade de proteção da informação e as de quem não têm essa consciência. Estas são pessoas que recebem o e-mail com um mundo de endereços, e o que elas fazem é acrescentar mais endereços para esta lista e mandar para a frente.

ConJur - (comentando) Aquilo na mão de um spammer é um achado...

Roxo - Isso é um grande alimentador de spammers! Se um spammer quer ser alimentado é só ele publicar piada na Internet. Ele manda para uma lista pequena e em muito pouco tempo recebe isso de volta. E com uma lista enorme de endereços eletrônicos a mais.

A primeira coisa que as pessoas que sabem da importância da segurança fazem é deletar toda essa listagem de endereços eletrônicos, e não é só isso, pois é muito comum as pessoas acrescentarem no rodapé informações como endereço, telefone, etc., o que se chama de assinatura. Então a pessoa que tem esse conhecimento apaga não só os endereços iniciais como todas essas assinaturas, deixando apenas a piada realmente.

E quando manda para uma lista, esta lista é colocada em BCC:, que é o blind carbon copy, e esses endereços não são divulgados, não se tornam públicos. Ou seja, eu posso mandar uma mensagem para mil pessoas e quem recebeu não vai ficar sabendo para quem mais eu mandei. Eu tenho esse tipo de cuidado porque tenho a nítida noção que a importância da informação.

Veja bem, eu não estou protegendo a minha informação, porque o meu endereço de e-mail ta lá - estou protegendo a informação dos outros. O comportamento comunitário, esse é o grande 'barato' do mundo do software livre. Aprendemos a conviver em comunidade, esta comunidade digital. O grande barato do comportamento comunitário é a gente entender que, mais importante do que eu me defender é eu te defender. Se todo mundo está preocupado em defender os demais, estes vão estar interessados em te defender também.

Então esse é o grande barato da comunidade: todo mundo se defendendo, e a maior defesa é a preservação da informação. Então, no momento em que as pessoas entenderem a necessidade de se preservar a informação, vão começar a prestar atenção na segurança inerente aos sistemas que eles usam.

Hoje as pessoas tratam a informação como algo de menor importância. E isso está errado.

Fim da Parte II

Veja também o Especial "O GNU", com o 'guru' Richard Stallman sobre o Software livre na Administração Pública, no site da Prefeitura de SP:

"Como o professor de Stanford, Larry Lessig, explica, 'código é lei'; o poder de decidir o que existe nos programas que outras pessoas utilizam é o poder de legislar por essa gente. Um pacote de software proprietário, funciona como uma lei que liga você aos criadores do programa e que não abre possibildade se manifestação. Da mesma forma que os governos têm a obrigação de serem democráticos ao fazer as leis oficiais, eles deveriam também encorajar a democracia ao fazer o software que funciona como as leis."

A Parte III e final (veja a Parte I) irá tratar da visita à sede da Conectiva em Curitiba, e a entrevista com o CMO - Diretor de Marketing, José Manuel C. Barbosa.

(A série de três reportagens foi realizada em parceria com o jornalista Giordani Rodrigues, editor do site especializado em segurança InfoGuerra).




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 é advogado, diretor de Internet do Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática (IBDI), membro suplente do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e responsável pelo site Internet Legal (http://www.internetlegal.com.br).

Revista Consultor Jurídico, 21 de dezembro de 2001, 12h39

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