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Dinastia Eleitoral

Processo eleitoral apenas perpetua os mesmos no poder

por Giovani Clark

Novamente, estamos no início de mais uma campanha eleitoral e os munícipes descrentes do processo. Votamos “livremente” desde os anos 1980, mas há tempos continuamos insatisfeitos com os resultados. Por vezes, somos “obrigados” a decidir pelo menos pior. Os cidadãos escolhem o que já foi escolhido, ou seja, na democracia brasileira os candidatos vencedores são impostos ao gosto das cúpulas partidárias, dos chefes políticos e do poder econômico privado.

Os acima citados são os reais senhores do processo eleitoral, decidem, nas distorcidas convenções partidárias, quais serão os efetivos candidatos. No Brasil, o próprio possuidor do voto e destinatário das políticas públicas não opina em quais candidatos gostaria de ver disputando a sua preferência. É a nossa herança política autoritária presente no Século XXI onde Estado e política são assuntos das elites nacionais e estrangeiras.

Parte significativa dos eleitos são sempre os mesmos e quando diferem, representam, geralmente, uma sucessão ou ampliação política familiar. Continuamente estamos diante de uma Dinastia Eleitoral onde os reais escolhidos a disputar os votos, e quase sempre os vencedores, são os filhos, esposas, irmãos, tios, sobrinhos, netos, afilhados da própria classe política. Assim sendo, o poder político é transmitido dentro dos núcleos familiares, de forma hereditária e interligada, através do processo eleitoral embalado pela força do capital e pela sedução de seu aparato midiático.

Não é por acaso, também, que os candidatos possuem idéias genéricas e superficiais em relação aos dilemas socioeconômicos. Mesmo porque, em regra, comungam com o sonho dourado do perfeito funcionamento dos mercados. Aprofundar-se sobre temas de educação, infra-estrutura ou saúde pode criar vínculos perigosos e desagradar os financiadores das campanhas. O importante é a aparência pessoal, as belas imagens, as músicas comoventes e o dinheiro disponível para os milagres eleitorais. Nada não muito diferente das publicidades de bebidas alcoólicas ou de cigarros que tentam convencer os telespectadores dos prazeres extraordinários proporcionados por eles.

Nesses tempos contemporâneos temos outro complicador: a figura dos “Coronéis Eletrônicos”, os reais controladores da grande mídia, dignos representantes dos donos do dinheiro e da classe política, que incutem diuturnamente na sociedade, via aquela, independentemente do período eleitoral, padrões de consumo, ideais de felicidade e necessidades duvidosas. Tudo de acordo com os seus interesses comerciais, produtivos e políticos. As tentativas de questionamento ou de reação dos segmentos sociais contestadores são taxadas de radicais e subversivas da ordem.

É necessário repensarmos o processo eleitoral, a escolha das candidaturas e o financiamento das campanhas. O modelo atual apenas protela o tratamento de nossa democracia doente, onde o eleitor não se vê representado (geralmente) e os votos nulo, branco ou de “protesto” significam uma reação contra os interesses da Dinastia Eleitoral e dos Coronéis Eletrônicos. A plena mobilização social buscando a viabilização de um leque concreto de opções para os eleitores é fundamental no processo democrático brasileiro, mas não agrada os históricos donos do poder político e econômico comandantes da colonização pós-moderna.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2008

Sobre o autor

Giovani Clark: é doutor em Direito pela UFMG, membro da Fundação Brasileira de Direito Econômico e professor da Faculdade de Direito da PUC Minas.

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Total: 5Comentários

Habib Tamer Badião (Professor Universitário - - ) 03/09/2008 - 19:58

Bom texto que merece acolhida doutrinária. Apenas lembro ao autor que as elites sempre pugnaram por um processo de cabresto e nem de longe aceitam o Voto Distrital Misto. Os partidos politicos são na sua maioria de aluguel dos grandes interesses financeiros.

Então tá! (Advogado Autônomo - - ) 03/09/2008 - 12:04

Os honestos têm vergonha do poder.

Logo, sobram os corruptos.

Quintela (Engenheiro - - ) 03/09/2008 - 11:25

Inicialmente parabéns ao texto.
Vejo aqui no fórum da Conjur muitos defensores da democracia sempre com o mesmo discurso: Que a democracia deva ser exercida a qualquer custo e que para candidatos corruptos, o cidadão deve dar o troco nas eleições. Concordo plenamente! Mas algo me incomoda de 4 em 4 anos, são os mesmos se candidatando. Uma andorinha faz verão? Nesse caso não faz mesmo. Precisamos de reformas urgentes. O tempo passa e vemos os mesmos “caras de pau” se candidatando! Na minha cidade o atual prefeito era da oposição, criticava tudo e a todos, quando foi eleito não fez nada! (Ele é filho de um ex governador!) Agora pede ao eleitor mais um mandato para continua a obra dele (SIC). Detalhe: Nesse ultimo ano ele resolveu trabalhar (???). Deu uma maquiada na cidade! Mas por que somente no último ano? Claro que não somente eu, mas várias pessoas percebem e sabem disso! Mas... vou votar no menos pior! Isso limita minha vontade democrática! limita meu poder de cidadão não ter opções! Ele está se candidatando, o segundo lugar nas pesquisas é parente de político, neto de um falecido senador, e o terceiro é um ex-prefeito. E são sempre os mesmos, os políticos profissionais. E que depois de eleito começam os conchavos, as alianças e mais 4 anos a ver navios! Vemos que sem “mensalão” não se governa! Essa é a verdade dura que temos que encarar. O sistema de governo e eleitoral brasileiro precisam de mudanças e urgentes! Mas quem fará essas mudanças? Os próprios políticos? Eu não acredito em duendes.

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