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Peso do passado

Para Procuradoria, ficha suja é motivo para negar registro

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo deu parecer favorável à sentença que rejeitou o registro de candidatura no estado. O recurso ainda será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de SP.

No texto, o procurador eleitoral Luiz Carlos Santos Gonçalves destaca “que a sentença se fundamentou na ausência de requisitos subjetivos mínimos para o exercício do mandato eletivo, considerada a condenação criminal confirmada em 2ª instância e a condenação por improbidade administrativa”.

João Cristino Rodrigues Ferreira tentava concorrer a uma vaga na Câmara de Itapetininga e tem em sua biografia uma condenação de cinco anos e quatro meses pelo crime de peculato.

A decisão de primeira instância já havia sido confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e a condenação foi determinante para que o pedido de impugnação fosse aceito pelo Ministério Público Eleitoral.

Assim, registra o parecer, que “uma condenação recorrível apenas especial ou extraordinariamente comprova o fato que caracteriza a infração penal, eleitoral ou de probidade administrativa”.

No recurso, Ferreira sustenta que não tem condenação penal transitada em julgado. No entanto, a Procuradoria argumentou que artigo 14, parágrafo 9º da Constituição não exige esse trânsito.

Lei de Inelegibilidades

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Tribunal Superior Eleitoral se manifeste na ação em que a Associação dos Magistrados Brasileiros contesta a Lei das Inelegibilidades. De acordo com o texto, apenas políticos com sentença condenatória transitada em julgado, em processo criminal ou de abuso de poder político e econômico, são proibidos de se candidatar.

A AMB afirma que a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) não foi recepcionada depois das mudanças constitucionais com a promulgação da Emenda Constitucional de Revisão 4, de 1994.

A intenção da AMB é fazer com que a Justiça Eleitoral analise caso por caso em vez de fixar jurisprudência no sentido de que candidato com processo ainda em andamento pode se candidatar.

Clique aqui para ler o parecer.

Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2008

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Total: 4Comentários

Antonio Cândido Dinamarco (Advogado Autônomo - - ) 01/08/2008 - 10:06

Perguntar não ofende : quem seria candidato ?
acdinamarco@aasp.org.br

MUDABRASIL (Outros - - ) 31/07/2008 - 21:20

Quem sabe se o TSE tivesse entendido no mesmo sentido o Brasil não começaria a se livrar de políticos tão desacreditados e distantes dos anseios da sociedade????
Temos uma legislatura a nível federal das mais problemáticas, com grande número de pessoas envolvidas em escândalos e respondendo a processos. Temos candidatos do tráfico, das milícias, de organizações criminosas e que certamente, uma vez eleitos, irão tentar satisfazer as entidades que os patrocinaram. MUDA BRASIL...

Vianna (Advogado Autônomo - - ) 31/07/2008 - 20:25

A despeito do candidato estar condenado por crime de peculato, ainda que a sentença tenha transitado em julgado, para que tenha seu pedido de registro negado pela Justiça Eleitoral, mister, que a decisão criminal tenha previsto como acessoriedade da pena, a suspensão dos direitos políticos do condenado. Do contrário, salvo melhor juízo,entendo que a impugnação é de todo improcedente.

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