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por José Dirceu
[Artigo originalmente publicado no blog do Zé Dirceu no sábado (23/2)]
A revisão, suspensão de dispositivos, ou revogação total da Lei de Imprensa, apesar de necessária, deve ser feita com uma discussão mais ampla sobre o respeito aos direitos de imagem e resposta, sobre as formas não só de assegurá-los, como de fazer a imprensa também os acatar. Hoje ela os desrespeita de forma ampla, geral e irrestrita, cotidianamente, prevalecendo-se da impunidade de que usufrui, já que, no caso da instituição imprensa, a Justiça se faz de cega mesmo.
Falo de direitos assegurados pela Constituição, impossível, portanto — ou deveria ser — de serem desrespeitados tão seguidamente no país. Ao se tratar de uma nova lei de imprensa, ou algo que a substitua como legislação na área, que se aproveite para regulamentar o artigo 5, da Constituição de 1988, o item que esta trata da proteção "a honra e imagem das pessoas, assegurado direito a indenização por dano material ou moral e o direito de resposta, "proporcional ao agravo".
Em 20 anos de vigência da Constituição esta regulamentação nunca ocorreu e este mantra da mídia, de que os códigos civil e penal bastam para regular sua atividade encobre, na verdade, o seu propósito de não ter nenhuma regulamentação. Até porque, na seqüência — e já há postulações nesse sentido — vão querer revogar, também, qualquer legislação que estabeleça pena de prisão ou multas para crimes da mídia. É óbvio que isso visa coagir o Poder Judiciário.
Temos o código penal e civil, mas eles em relação à mídia são letra morta. Não resolvem questões do direito de resposta e nem da indenização por dano material e moral — pelo menos como os tribunais tratam demandas abertas com base neles hoje. A regulamentação destes dois direitos faz-se necessária para evitar que a simples revogação da Lei de Imprensa transforme em um costume o desrespeito a estes dois direitos, hoje já uma prática comum, cotidiana e absoluta.
Sugeri ontem [sexta-feira (22/2)] e retomo hoje [sábado (23/2)] a proposta de discussão de uma nova lei de imprensa. A liberdade de informação não está em risco no Brasil, como sugere a campanha da mídia tendo como pretexto processos movidos por integrantes da Igreja Universal. Vamos distinguir: são processos que podem e devem ser resolvidos no âmbito do Judiciário e a decisão do ministro Ayres Brito, do STF, ao suspender 20 dispositivos da Lei de Imprensa só comprova isso. Aliás, um dia depois da decisão do magistrado, descobriu-se que boa parte deles não têm como base a Lei de Imprensa, mas outros dispositivos da legislação.
Repito, faz-se necessário um debate democrático sobre a estrita obediência por parte da imprensa ao texto constitucional. A imprensa não pode continuar a ignorar a presunção da inocência, os devidos processos legais, não pode se antecipar à conclusão destes. Não pode atingir a honra e imagem dos cidadãos alegando que foram denunciados ou processados e ficar por isso mesmo. A Constituição é clara, e as leis também — não há culpabilidade de uma pessoa quando da aceitação de uma denúncia contra ela — ela e todos tem o direito a presunção da inocência até serem julgadas.
A imprensa não é Polícia, nem Promotoria, muito menos Justiça. Não pode investigar, processar e julgar como faz, não pode alegar ser ou atender o "clamor popular" ou a "opinião publica". Pior, não pode dar páginas e páginas diárias contra uma pessoa massacrando-a, e remeter suas reclamações e esclarecimentos para um cantinho escondido e diminuto da seção de cartas dos veículos. A continuar assim, pior do que manter a Lei de Imprensa será estarmos consagrando uma ditadura, agora não militar, mas da mídia.
Revista Consultor Jurídico, 26 de fevereiro de 2008
José Dirceu : advogado, é ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005.
De qual Lei? Aquela que amordaça e cria o controle externo conduzido pelo Executivo vigente????????
Se for de outra, concordo plenamente.
Abs.
Então tá, amigo Chorba.
Mas que do seu comentário se depreende um certo viés cala-imprensa, isto sim.
Nossa imprensa sempre defendeu este ou aquele interesse. Aliás, no mundo inteiro é assim. Acho que as manifestações anti-isso ou pró-aquilo, devem ser reservadas, com honestidade e clareza, para as páginas dos editoriais. O resto deve ser JORNALISMO, livre, responsável e honesto.
Mesmo que nem sempre seja assim (e temos vários exemplos) é melhor uma imprensa menor do que nenhuma ou do que uma efetivamente aliada do "oficialismo".
Já se disse: "Entre imprensa e governo, prefiro um país sem governo e com imprensa, do que um com governo e sem imprensa".
No caso presente, o "revolucionário de boteco", fiel ao leninismo-gramsciano, evidencia claramente a sua preferência pela segunda opção.
A ação da IURD tenta reproduzir o tipo de comportamento de amesquinhamento e sujeição da imprensa pela coação e ameaça, coisa a qual o (des)governo "que aí está" vem acalentando faz tempo.
Um abraço.
Caro Richard Smith – Consultor
Pe Tralha metido a Gentil?
Engano.
Fui um crítico do PT e outros e até por que não dizer, por falta de maturidade Anti-PT.
Não tens noção como critiquei o Governo do PT no RS, quando o Sr. Olívio Dutra perdeu a FORD para a Bahia, por estar mal assessorado e uma ideologia infundada.
Não é o Caso do Sr. Lula, Presidente do Brasil a quem devo todo o Respeito, como o fiz com outros Presidentes.
Parece-me que o Governo Lula esta deixando as pessoas nervosas.
O Sr. Lula é um exemplo: Proibiu alguém de qualquer Comentário ou Ação
Mesmo assim faço críticas:
TIREM O AR CONDICIONADO DA MINISTRA MARINA SILVA.
Não misture as coisas.
Estamos discutindo IMPRENSA:
IRRESPONSÁVEIS, SEM CONTEÚDO, SEM ÉTICA, SEM RESPEITO, FORMADORES DE OPINIÕES, PRÉ-JULGAM, PRÉ-CONDENAM, DESTROEM VIDAS, sem falar na PIROTECNIA DA PF. (Nem todos)
“Tente vir cassar minha liberdade de pensamento expressão”
Jamais farei isto, até porque não é direito ou obrigação minha.
Estamos em um País Democrático, com liberdade de expressão que permite comentários agressivos com despolidez.