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por Eduardo Mahon
Está mais do que na hora de acabar com facilidades sem qualquer fundamento. A boquinha das isenções para igrejas precisa mirar o ocaso. Muita fiscalização no que acontece na coleta e nas sacristias. Mas o Brasil é uma república que engatinha em valores republicanos, infelizmente, minguando em valores de separação, contenção, fiscalização do poder. Pior: o povo brasileiro ainda credita na religiosidade a maior confiabilidade nacional.
Ainda não compreendemos que políticas públicas devem estar dissociadas da opinião religiosa e a imprensa não tem que se socorrer dos clérigos toda vez que tocamos em questões de saúde pública como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, planejamento familiar ou o aborto.
Ademais, como já explicado noutro ensaio alhures publicado no jornal A Gazeta, até mesmo os tribunais, parlamentos, executivos estão impregnados de valores religiosos, iniciando e findando sessões públicas com o apelo teológico. Ao contrário do que determina a Constituição, cresce em proporções espantosas a influência política dessa massa manobrada por pastores, padres, diáconos, bispos, bispas e toda a sorte de prelados que se intitulam ou profetas ou apóstolos.
É preciso mais valor científico, aprofundando o aspecto laico no espaço público brasileiro e não rumarmos para torniquetes ideológicos, como acontece frequentemente na educação primária e secundária estadunidense, por exemplo. Nas ondas da medievalidade high-tec, surgem as bancadas religiosas, confundindo o “rebanho” com a massa eleitoral que reza semanalmente numa campanha eleitoral permanente e transcendental.
É verdade que a Constituição de 1988 prega a liberdade de culto. Mas isso não significa que uma criança, um adolescente tenha que ser educado pelas cartilhas criacionistas, não conhecendo sequer o evolucionismo de Darwin. A liberdade religiosa, grande valor brasileiro conquistado por uma benéfica convergência histórica, não é sinônimo da liberdade paterna em condicionar os filhos na crença de que a Terra é o centro do universo. Finalmente, a liberdade de crença não poderá jamais impedir o serviço ético do profissional médico que tenta salvar vidas com transfusões de sangue. É que os valores constitucionais não são absolutos e devem ser temperados uns com os outros.
A mídia noticia uma avalanche de processos de seitas contra a própria imprensa que, utilizando-se de suas prerrogativas, investiga as ligações dos dízimos com financiamentos de campanhas políticas, remessa ilegal de divisas para o exterior e lavagem de dinheiro. Os fiéis montam equipes jurídicas para defender seus pastores, bispos, arcebispos e tantos outros pontífices. A jornalista Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo, assinou reportagem que retrata uma tal de Unimetro, ligada por sua vez à Cableinvest, registrada no paraíso fiscal da ilha de Jersey, no canal da Mancha. “O elo aparece nos registros da empresa na Junta Comercial de São Paulo. Uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais.”
Não sei se adianta dizer que não acredito em nada disso. Ou, quem sabe, afirmar que tenho a “fé” que nenhuma igreja sustenta seus pastores a pão-de-ló, ou ainda, remete divisas ilegalmente para o exterior por meio de um sofisticado esquema de sonegação e câmbio criminoso. O fato é que não acredito em nada disso. É claro: se eu acreditasse, poderia ser processado também. Explica-se: é que os fiéis, seguidores, rebanho ou seja lá como se chamem, estão se organizando para ameaçar a imprensa brasileira a fim de não divulgar nenhuma informação relativa às atividades mais mundanas, digamos assim. Daí vir um fenômeno inusitado no Brasil: o assédio judicial.
O assédio judicial é uma forma de coagir o jornalista e comentarista, processando-o de formas múltiplas, em variados locais a fim de impossibilitar-lhe a defesa. A sorte da pobre alma é contar com juízes mais iluminados que os fanáticos de sensibilidade epidérmica. Um juiz de Bataguaçú condenou uma das partes em litigância de má-fé. Os argumentos são enfáticos: “A postura adotada pelo autor demonstra a existência de inquestionável má-fé, pois deturpa o conteúdo da reportagem para, inserindo-se individualmente nela, buscar indevidamente o recebimento de valor indenizatório. O Poder Judiciário está sendo utilizado pelo autor para o fim espúrio de prejudicar os demandados, tendo em vista que diversas demandas, com a mesma causa de pedir e pedido, foram distribuídas pelos variados rincões do país, em localidades de difícil acesso, sendo nítida a intenção do autor, como também dos demais demandantes nas ações mencionadas, de dificultar a defesa dos réus", observou o magistrado Alessandro Pereira.
Eu mesmo rezo (ou faço oração?) para que possa escapar do mármore quente do inferno e, aqui na Terra, não padecer com processos por expressar a minha opinião que, aliás, é sempre pelo apostolado autêntico das igrejas, seitas, doutrinas cultos em questão. E, se assim os anjos e outras potestades ajudarem (menos arcanjos), poderemos informar a sociedade brasileira do que vem acontecendo com o dízimo. Como a contribuição está liberada e não pode ser fiscalizada, vamos acabar com as isenções sem qualquer sentido em favor das igrejas. Aleluia! E Deus me livre.
Revista Consultor Jurídico, 21 de fevereiro de 2008
Mr. Mahon: o sectarismo é uma afronta à liberdade humana. A liberdade se perde, quando se afronta o limite de sua fronteira. A imprensa afrontou. Trata-se de repetitório o fato alienista de afirmar sua nobre argumentação. Data venia, o fato de um juiz se convencer ao contrário, é prerrogativa do mesmo. Nada impede que outros pensem diferente e que se impetrem recursos, via advogados. O dízimo é justo e respalda atividadesde quaisquer igrejas. Por que não podem ser sobrevida de seus líderes? Questiona-se, reflete-se e se há abusos, tais fazem parte do contexto. Impedir ou usar alegorias em sentido contrário é desdenhar a democracia. Não servem hipótes, como nos EUA é assim, em Portugual a Iurd não tem vez. Tudo isso é pura celeuma sem fim. O uso de V. Exa. da expressão assédio judicial demonstra radicalismo fundamentalista. Primeiro se arvora na verdade e depois se enaltece na certeza! Puro farisaismo, data maxima venia. A imprensa extrapolou, a Iurd é legítima na defesa de sua honra subjetiva ou objetiva e deve buscar o judiciário. É direito constitucional em nosso País. Cada ofensa é uma e cada ação independe de ser sobre o mesmo fato, porque são ofendidos diferentes. Lamentável racionalizar o artigo do senhor em apenas uma vertente. Trata-se de provocação hilariante que a nada leva. Lamentável.
Insisto mais uma vez numa opinião que tenho da "Igreja Universal do Queijo do Reino". Nada contra. Nada a favor.Ao contrário. Mas o que se faz com as pessoas miseráqveis e de boa-fé em nome de "Deus" e "Jesus Cristo" para arrancar-lhes dinheiro a todo custo não existe "márquete" mais perfeito e agressivo no mundo dos negócios! Uma colega passou mais de três anos desempregada. Miséria total. Distribuiu mais de trezentos currículos nas empresas, nas indústrias e no comércio. Desolada da vida, certo dia, entrou num "templo" desses, e "os pastores" fizeram-lhe uma "corrente de "oração" "ou sessão espiritual de descarrego", para lhe espantarem o "Demo" e que tal emprego aparecesse logo. Dias depois de frequentar a "igreja", a "fiel" foi contrada. Não pelas "orações", mas por causa da distribuição dos currículos, pois, cobra que não anda, não engole sapo. A lavagem cerebral feita na "irmã" foi tão bem aplicada, tão mirabolante, tão bem arquitetada, que essa "irmã", mesmo passando por todas as dificuldades financeiras e alimentares, quando recebeu o primeiro salário, foi direto à "igreja", agradeceu-lhe a "graça" do emprego alcançado, fechou os olhos,e depositou todo aquele salário no "saco" do "pastor"!!!! Pergunto: Se Deus existe, é justo, é fiel, é misericordioso, por que permite que se cometa tantas injustiças na terra, principalmente contra todos os desprovidos e incautos, em seu nome!!?? Cícero Tavares de Melo. Acadêmico em Direito da FACIPE. chiquinhoolem@yahoo.com.br
Obrigado pela terna lembrança, caro amigo Sunda.
Também lembrei de você ainda ontem, ao visitar o site "Judeus por Jesus" (www.judeusporjesus.org.br)por indicação de um amigo.
E mais, que filme de Scorcese?
Um abraço a você.
