![]() |
www.conjur.com.br
por Maria Fernanda Erdelyi
O Supremo, o STJ e o TSE trocam de comando este ano. Em abril, no STF sai Ellen Gracie e entra Gilmar Mendes. No STJ, Barros Monteiro dá lugar a Humberto Gomes de Barros, que fica só até junho e será substituído por Cesar Asfor Rocha. E no TSE, em maio, o irriquieto Marco Aurélio cede a vez para o pacato Carlos Britto.
À frente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes aplicará a experiência de administrador adquirida nos tempos em que liderou a Advocacia-Geral da União, entre 2000 e 2002. Ele organizou a AGU, transformou-a em órgão ministerial do governo e ditou a estrutura que dura até os dias de hoje. Além de advogado-geral da União no governo Fernando Henrique, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil entre 1996 e 2000.
Ao contrário de Ellen Gracie, que não gosta de se expor e evita entrevistas, Gilmar Mendes parte para o enfrentamento, é critico e não esconde o que pensa. Critica abertamente o Ministério Público, o avanço na ação de improbidade administrativa e algumas condutas da Polícia. Sob sua direção, o Supremo deverá ter ainda mais visibilidade.
Um ministro aposentado da Corte ressalta que a administração da ministra Ellen foi muito útil e proveitosa para advogados e jurisdicionados. Ela implantou as petições online, os julgamentos em bloco com matérias repetitivas — como foi o caso da pensão por morte, com cinco mil recursos julgados num só dia — além de impulsionar a implantação da Súmula Vinculante e da Repercussão-Geral do Recurso Extraordinário. Ellen foi a primeira mulher a integrar e presidir o Supremo.
Gilmar deve dar continuidade a estes projetos da ministra, no sentido de conferir ainda mais racionalidade aos julgamentos, além de dar atenção especial à Súmula Vinculante. Gilmar é mentor da Ação Declaratória de Constitucionalidade e da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental e deve atuar por maior elasticidade dos instrumentos. Manterá diálogo necessário com o Executivo e o Legislativo.
Alta rotatividade
Já o Superior Tribunal de Justiça passará por duas trocas de presidente em poucos meses. Raphael de Barros Monteiro Filho, ministro reservado, dono de uma administração técnica, deixa a cadeira para o alagoano Humberto Gomes de Barros. Em administração relâmpago — o ministro ficará no cargo até julho, quando se aposenta compulsoriamente aos 70 anos de idade — Gomes de Barros deve seguir a política do antecessor e tocar projetos em andamento.
A mudança de perfil deve vir na administração do ministro Cesar Asfor Rocha, que assume a Presidência no segundo semestre. Segundo avaliam advogados e ex-ministros da casa, espera-se de Asfor Rocha uma gestão mais dinâmica, de diálogo mais intenso com a sociedade e com os outros poderes. Assim como Barros Monteiro, deve dar atenção especial à questão da celeridade e aparelhamento do tribunal. Barros Monteiro investiu pesado na modernização e informatização do STJ e colocou em funcionamento a petição eletrônica.
Com Asfor Rocha, não deve ser diferente. Em seis meses à frente da Corregedoria-Nacional de Justiça, o ministro implantou diversos projetos para identificar os problemas e racionalizar a Justiça. Por exemplo, quer levantar o número exato de processos em todo o Brasil e formar um banco de dados para acompanhar o andamento de cada um deles.
Nomeado ao STJ em vaga do quinto constitucional da Advocacia, Asfor Rocha mantém estreito diálogo com a Ordem dos Advogados do Brasil e deve abrir mais espaço para a classe em sua administração. O ministro também deve travar diálogo próximo com o Executivo e o Legislativo. É amigo de Ciro Gomes (PSB-CE), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e outros políticos, sobretudo, do Ceará, sua terra natal.
Corte Eleitoral
Depois de comandar o Tribunal Superior Eleitoral com proeminência nas eleições de 2006, o ministro Marco Aurélio cede a cadeira de presidente para o ministro Carlos Ayres Britto. Apesar de mais informal e menos apegado à liturgia do cargo do que o antecessor, Britto deverá seguir as diretrizes já traçadas, com rigor na análise de irregularidades em busca de eleições limpas e com ampla fiscalização. Mais reservado, Britto não se expõe e não polemiza como Marco Aurélio.
Na opinião de advogados que militam no TSE, Britto deve imprimir uma administração mais discreta, deverá ouvir mais e descentralizar o trabalho. O ministro já foi filiado ao Partido dos Trabalhadores. Chegou a candidatar-se à vaga de deputado federal, mas não foi eleito.
No Tribunal Superior do Trabalho, a direção não muda este ano. O presidente Rider de Brito fica no comando da Corte até 2009.
Revista Consultor Jurídico, 22 de janeiro de 2008
Carlos Britto foi membro da Comissão Executiva Regional Provisória do PDT Sergipe em 1985 e candidato, nesse ano, a Prefeito Municipal de Aracaju por esse mesmo partido político, antes de ingressar no PT.
Francisco Augusto Ramos - fundador do PDT Sergipe
Nos últimos dois anos o judiciário,mostrou-se coerente,mudou,agilizou fez valer o dever de servir a população.Ainda a muito o que fazer mais se olharmos com atenção..coisas importantes movimentaram a justiça brasileira.
Na minha opinião,Stf e Tse foi os que mais se destacaram!congratulo com felicidade a presidente do supremo ministra Ellen Gracie..pelo excelente desempenho a frente da Corte Maior de nosso país.Ela representou com altivez todas as mulheres de nosso país. E a sua história ficará marcada..como primeira mulher a ocupar um cargo tão importante.O que abre espaço pra mulheres como eu acreditarem que com trabalho e luta pode-se alcançar todos os nossos objetivos.