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Desvio fatal

Advogado que escapou do vôo 3054 faz reclamação ao MP

por Claudio Julio Tognolli

Freqüentador assíduo da rota aérea São Paulo-Porto Alegre, o advogado Cezar Rodrigues ficou indignado não só com o acidente com o Airbus da TAM e suas dua centenas de mortes, mas também porque poderia estar a bordo do vôo sinistro. Movido por seus sentimentos, o advogado promete procurar nesta semana os Ministérios Públicos Federal e Estadual para fazer uma acusação.

Ele sustenta que os pilotos que pousam em Congonhas, desde o ano passado, têm de fazer um desvio de 130 metros, em pleno ar, para se desviarem de um prédio, que funciona como uma espécie de anexo para atendimento dos clientes de uma das casas de prostituição mais famosas do Brasil.

Destacado investigador de polícia dos anos 70, o hoje criminalista Cezar Rodrigues diz que é hora de o Ministério Público interditar esse prédio. “O edifício ficou embargado, mas depois de quatro meses a Prefeitura resolveu liberá-lo. O cliente passa da casa de prostituição para o prédio por um túnel. Investigadores que estudaram o caso a meu pedido fizeram até um croquis. Eles constataram que os aviões que pousam em Congonhas têm de desviar um quarteirão e meio no ar, cerca de 120 metros, por causa desse prédio. Ou seja: a pista de 1.940 metros perde 120 metros no ar, praticamente”.

Cezar Rodrigues embarcou para Porto Alegre no dia 12 de julho, no vôo JJ3051, às 6h43. Só não estava no avião que caiu cinco dias depois, no vôo de volta, porque teve de antecipar a volta para atender a um cliente em São Paulo.

O advogado acredita que diante do apagão aéreo, os clientes deveriam exigir que as companhias aéreas firmassem um termo de responsabilidade antes de cada viagem. “Deveria haver esse acordo jurídico de maneira clara, da mesma forma que você assina um termo de responsabilidade quando transporta um paciente de risco numa ambulância”. Com isso, ele acredita, o caos seria institucionalizado, e o termo de responsabilidade demonstraria a transparência das companhias. “Em contrapartida, quem assinasse o termo iria assumir que corre risco ao contratar aquela companhia para transportá-lo”.

Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2007

Sobre o autor

Claudio Julio Tognolli: é repórter especial da revista Consultor Jurídico

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Total: 4Comentários

futuka (Consultor - - ) 24/07/2007 - 20:07

Um fato novo e de natureza estranha eu acredito que deva ser investigado para que se apure em tempo essa forte denúncia. Mesmo não havendo como reverter a tragedia será para se considerar se procede - e mais adiante uma outra.

Cissa (Administrativa - - ) 24/07/2007 - 17:25


É ridículo mesmo!

Mas é essa a cara do Brasil, da Infraero, desse governo que nem sabe o que dizer.

Hoje ouvi o pai de um rapaz que foi vítima dessa tragédia que questionou o seguinte:

- se as torres gêmeas fossem no Brasil, até hoje o IML estaria liberando laudos.

É um absurdo tudo neste país.

É uma vergonha este governo, estas instituições e tudo o que eles apóiam e, a única coisa que eles têm gabarito para apoiar, ou seja, seus iguais. Viva a putaria!

Não é possível nem enterrar-se os mortos!!!!

É lamentável ! ! !


parabolyka (Advogado Assalariado - - ) 24/07/2007 - 13:06

Esse país está mergulhado no ridículo. Tal qual casas de prostituição a qualquer esquina, "brotam" casas de jogos de azar sob as barbas da lei. Enquanto eu pago altos impostos para não ter assistência nenhuma, os bandidos têm a liberdade de agir como querem.

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