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por Márcio Chaer
O número de ações indenizatórias por dano moral contra os cinco mais conhecidos grupos de comunicação (Globo, Abril, Estado, Folha e Editora Três) caiu nos últimos quatro anos. Em compensação, a faixa média das indenizações no Brasil multiplicou-se por quatro. Passou de R$ 20 mil para R$ 80 mil.
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Valor Médio de Indenizações | |
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Ano |
Valor |
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2003 |
R$ 20 mil |
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2007 |
R$ 80 mil |
O levantamento, feito pela revista Consultor Jurídico, foi divulgado durante o 2º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji na semana passada.
Até o mês de abril, registravam-se 3.133 processos em um universo de 3.237 jornalistas. Os dados foram fornecidos pelos advogados da Editora Abril, Grupo Folha e Grupo Estado. Os dados do sistema Globo e da Editora Três foram pesquisados nos sites de tribunais. As duas empresas somam juntas 1.825 ações.
O levantamento apontou que as empresas jornalísticas vencem cerca de 80% das ações cíveis. Do universo global de processos, apenas 4,2% foram ajuizados na Justiça criminal.
Em pesquisa anterior, feita junto ao mesmo grupo de empresas, registrou-se a existência de 3.342 ações contra um universo de 2.783 jornalistas. Ou seja, havia 1,2 processo para cada profissional. A relação caiu para 0,9 processo por jornalista.
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Números de Jornalistas X Número de Processos (Cinco Maiores Grupos de Comunicação) | ||
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Ano |
Jornalistas |
Processos |
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2003 |
2.783 |
3.342 |
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2007 |
3.237 |
3.133 |
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Quadro de Jornalistas (Cinco Maiores Grupos de Comunicação) | |
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Ano |
Número de jornalistas |
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2003 |
2.783* |
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2007 |
3.237** |
* Em 2003 foram contabilizados os profissionais em jornais impressos, TVs e revistas;
** Em 2007 foram considerados também os jornalistas na internet e em agências.
A se confirmar as projeções, considerado o índice de vitórias da imprensa e o valor médio das condenações, os eventuais ofendidos serão indenizados em R$ 50 milhões (627 processos multiplicados pela média de R$ 80 mil).
A primeira vez que o site fez esse levantamento, no ano de 2001, apurou-se que havia apenas 1.237 processos contra empresas e profissionais de imprensa. A apuração foi feita no mês de dezembro.
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Progressão do Número de Processos (Cinco Maiores Grupos de Comunicação) | |
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Ano |
Número de processos |
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2001 |
1.237 |
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2003 |
3.342 |
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2007 |
3.133 |
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Números de Jornalistas Maio 2007 | |
| Empresa |
Números |
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Abril |
780 |
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Grupo Estado |
200 |
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Grupo Folha |
430 |
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Grupo Globo |
1.766 |
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Editora Três |
61 |
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Total |
3.237 |
A brusca elevação do volume de ações por dano moral contra a imprensa não é um fenômeno isolado. Pelos números do Superior Tribunal de Justiça, a reportagem apurou um crescimento de 42.700% entre o ano de 1993 e o primeiro quadrimestre de 2007 (considerando todo e qualquer tipo de ação por dano moral). Entre 2001 e 2007, o número de processos contra a imprensa cresceu 159%. Pela estatística no STJ os processos que pedem reparação por dano moral de toda ordem (não só contra a imprensa), no mesmo período, multiplicaram-se por 12.
Considerando-se que o STJ recebe cerca de 300 mil recursos por ano e a Justiça brasileira recebe algo como 30 milhões de processos novos a cada 12 meses, pode-se fazer uma projeção para estimar o número de processos por dano moral em todo o país. Ou seja: se o STJ recebe anualmente 10 mil novos processos por dano moral isto pode representar, nacionalmente, um volume de 1 milhão de ações com essa finalidade.
De onde se pode aduzir que o número de 3.133 processos existentes contra os cinco grandes grupos de comunicação é alto — já que existem no país mais cerca de cinco mil empresas jornalísticas. Mas os números enquadram-se em um contexto de mudança de comportamento do país. Um dos grupos de comunicação consultados informou que, para os cerca de 300 processos por dano moral contra a redação, há outras 1.200 ações de outra ordem contra a empresa.
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Processos Autuados no STJ com os assuntos “Indenização — Dano Moral / Dano Material c/c Moral” | |
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Ano |
Número de processos |
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1993 |
28 |
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1994 |
47 |
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1995 |
181 |
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1996 |
228 |
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1997 |
440 |
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1998 |
540 |
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1999 |
962 |
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2000 |
1.331 |
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2001 |
1.748 |
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2002 |
3.990 |
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2003 |
4.632 |
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2004 |
8.201 |
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2005 |
10.008 |
Revista Consultor Jurídico, 31 de maio de 2007
Senhor Junior, está completamente equivocado, pois o que esta surgindo é uma crescente procura por noticias para que se possa "vender" informações (revistas, jornais, blogs), e nessa "onda" surge o desrespeito a norma e consequentemente aquele que causa dano deve repara-lo
A lei regula o seguinte: Deve se reparar o dano a outrem, ainda que exclusivamente moral. A integridade a honra a vida privada é inviolável.
Toda vez que há desrespeito a esta norma deve se sofrer a consequencia de seu ato, a unica maneira é por via judicial, o valor da indenização deve punir o infrator e nao servir apenas para aplacar uma "dor" ou um "trinco" na imagem, deve servir de exemplo.
O direito a informação e devido mas nao deve ultrapassar os limites impostos por principios constitucionais.
Senhor Junior, com todo o respeito, Dano Moral não tem preço e não é para beneficiar financeiramente o ofendido e sim penalizar o ofensor.
Diante disto o valor deve ser alto sim, proporcional ao tamanho da empresa, caso contrário os fatos se repetem.
Ofensa, acusação injusta...devem ser censuradas ou barradas de alguma forma.
Por isto o Dano Moral tem que ser para punir, ou não haverá mais limites.
Jorge Alencar Chorba
chorbamatrix@gmail.com
