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Operação Hurricane

Juiz admite existência de esquema de venda de sentença

A Polícia Federal informou que o juiz do Tribunal Regional de Trabalho da 15ª Região (Campinas, São Paulo) Ernesto da Luz Pinto Dória admitiu em depoimento no final de semana a existência de um esquema de venda de sentenças favoráveis à máfia de jogos ilegais. Ele foi preso com mais 24 pessoas, na sexta-feira (13/4), pela Polícia Federal durante a Operação Hurricane.

A PF não deu mais detalhes sobre o depoimento de Dória. No entanto, fontes informaram que ele foi um dos poucos a colaborar com as investigações. Dos 25 presos, 20 já prestaram depoimento. A maioria preferiu se manter em silêncio, para preservar um direito constitucional.

Os policiais esperam que a situação mude daqui para a frente, já que o Supremo Tribunal Federal autorizou os advogados dos presos a terem acesso ao processo. Um CD com cópia das peças do inquérito já está sendo entregue.

João Mestieri, advogado do procurador da República João Sérgio Leal — preso pela PF — minimizou a confissão de Dória. “Alguém segregado e em situação de desespero pode afirmar qualquer coisa. O meu cliente, eu garanto, não vendeu nada”, afirmou o advogado ao jornal Folha de S. Paulo.

Os presos estão na sede da Superintendência da PF, em Brasília. Na quarta-feira (18/4) termina o prazo de prisão preventiva. A PF vai pedir a prorrogação por mais cinco dias. Para agilizar o trâmite, o pedido deve ser feito pela Procuradoria-Geral da República, que mandaria o despacho diretamente ao Supremo Tribunal Federal.

A Operação Hurricane foi deflagrada na sexta-feira (13/4) nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal. O objetivo era prender supostos envolvidos em esquemas de exploração de jogo ilegal (caça-níqueis).

Foram presos os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Regueira, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira. Também foram detidos Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis; Capitão Guimarães, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro; Antônio Petrus Kalil, conhecido como Turcão, apontado pela Polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio; a corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Suzi Pinheiro Dias de Matos, o advogado Virgílio Medina, irmão do ministro Paulo Medina;

No total, foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão. Os presos foram transferidos para Brasília (DF), para serem interrogados.

Revista Consultor Jurídico, 17 de abril de 2007

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Total: 3Comentários

gilberto prado (Consultor - - ) 19/04/2007 - 00:56

Há necessidade de se fazer uma faxina geral na justiça brasileira.Além de sentenças encomendadas, a morosidade dos processos, principalmente quando uma das partes, economicamente é superior a outra, o processo não anda.

Fernando Teixeira (Funcionário público - - ) 17/04/2007 - 20:43

Agora só falta aparecer alguém dizendo que o juiz foi coagido ou torturado para confessar.

luiz P. Carlos (((ô"ô))) (Comerciante - - ) 17/04/2007 - 20:33

Um Juiz, pessoa de notório saber juridico, não se dixa levar por coações ou pressões de qualquer natureza, expressou a verdade como réu confesso envergonhado e fazendo mea culpa.

Não ha duvida que sua situação é muito triste, mas mesmo assim sua dignidade calou mais forte, mostrando que ainda lhe resta carater e desejo de reabilitar, não a si, pois isso seria impossivel, mas o PODRE PODER JUDICIARIO.

Esse depoimento merece sem duvida apreciação em favor deste arrestado pela corrupção. Independente de culpa e pena a cumprir. A fraquesa e a submissão ao ilegal e inconstitucional é crime absoluto, porem parcialmete reparavel.

Assim sendo, é confirmativo a corrupção existente e ativa no poder judiciario, pois se esse reu confessa, é porque realmente existe, é só uma questão de tempo e de provas materiais para indiciar a todos os envolvidos e mais alguns que sem a menor duvida vão cair nas malhas da POLICIA FEDERAL.

Sem a ação desta policia não ha chance para o Brasil do futuro...

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