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Cratera do Metrô

Promotor quer encomendar laudo paralelo ao do IPT

por Claudio Julio Tognolli

O Ministério Público de São Paulo está iniciando uma nova etapa nas investigações do acidente da Linha 4 do Metrô. Passados 30 dias do desabamento do canteiro de obras da Estação Pinheiros, na zona oeste da cidade, o MP anunciou nesta terça-feira (13/2) seus próximos passos: fazer marcação cerrada em cima do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O acidente deixou sete pessoas mortas.

O promotor Saad Mazloum comanda a nova empreitada. E oficiou, nesta terça, toda a diretoria e presidência do IPT. Mazloum afirmou à revista Consultor Jurídico que considera um absurdo o prazo de seis meses para a confecção do laudo sobre o acidente. “Dizem que entregam o laudo só em agosto. Como pode? Esperar todo esse tempo por um laudo num caso dessa magnitude é um absurdo”, avalia.

Saad Mazloum detalha que quer tomar depoimento “de todos os peritos envolvidos nesse laudo” e fazer “acompanhamento diário” sobre o laudo. O promotor gosta de lembrar de uma frase ensinada aos policiais na primeira aula de criminalística que têm na Academia de Polícia Civil: “O tempo que passa é a verdade que foge”.

O promotor Mazloum é responsável pelas investigações pontuais de dois fatores: dano ao patrimônio público e social e suposta improbidade administrativa. Já tomou depoimento da presidência do Metrô, para saber sobre como foi feita a fiscalização da Linha 4 antes e depois do acidente. Agora, vai intimar o gerente de construção da Linha 4, Marco Antonio Buoncompagno, que já é processado sob a acusação de ter participado de um esquema ilegal de contratações públicas em parceria com uma empreiteira do Consórcio Via Amarela.

No segundo tópico de investigações, Saad Mazloum se foca na Companhia do Metrô. “Quero ver como pensavam nos interesses do povo. Na segurança, sobretudo”, diz. O promotor diz que já estuda inclusive entrar em contato com peritos e engenheiros que possam fazer um trabalho independente ao do IPT. E nesse ponto ele insiste no fator tempo. “Volto a dizer, seis meses é um tempo impossível para um caso desses.”

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo fez na tarde desta segunda-feira (12/2) uma manifestação na Estação Sé, no Centro de São Paulo. Cerca de 30 pessoas participaram do protesto, entre integrantes do sindicato e parlamentares. Com faixas com frases como “Valorização do corpo técnico do Metrô”, “Movimento contra a privatização da Linha 4 do Metrô” e “Pela instalação da CPI da Assembléia Legislativa de São Paulo sobre a Linha 4”, os manifestantes pediram um processo transparente de investigação nas obras da Linha 4.

“Queremos um processo de investigação transparente do estado, do Metrô e das empreiteiras. Achamos que há muitos órgãos da sociedade civil, como o sindicato dos engenheiros, dos arquitetos e o próprio IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que têm condições de fazer uma apuração mais isenta e mais transparente”, disse o presidente do sindicato, Flávio Godói.

Revista Consultor Jurídico, 13 de fevereiro de 2007

Sobre o autor

Claudio Julio Tognolli: é repórter especial da revista Consultor Jurídico

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Total: 2Comentários

Richard Smith (Consultor - - ) 14/02/2007 - 15:34


Reduza-se, Caloteiro!

patuléia (Outros - - ) 14/02/2007 - 15:19

...obra da camarilha tucanalha e pefelista que certos "patriotas" queriam colocar no planalto. A imprensa cega precisa pesquisar outros contratos...

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