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por Adriana Aguiar
O diretor da Google no Brasil, Alexandre Hohagen, disse, em depoimento ao Ministério Público Federal de São Paulo na sexta-feira (10/3), que não é o responsável por monitorar o conteúdo do Orkut — site de relacionamentos da internet que virou mania no Brasil. Segundo Hohagen, a divisão brasileira da Google está no país para fazer negócios e não para monitorar o comportamento de usuários.
O MPF o intimou para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo preconceituoso e ofensivo que está alojado em diversas comunidades no site. O diretor da empresa no Brasil explicou aos promotores que o Orkut fica hospedado nos Estados Unidos e a matriz é quem tem o poder de monitorá-lo. Hohagen também afirmou ao MPF que vai encaminhar os pedidos à matriz da empresa.
O MPF quer a colaboração da Google para impedir o uso do site Orkut para disseminar idéias racistas e pretende fazer com que a empresa ajude a polícia brasileira a descobrir a identidade dos criadores de comunidades criminosas.
Para o advogado Omar Kaminski, é possível responsabilizar a filial Google Brasil e até mesmo o responsável legal pelo domínio google.com.br no Brasil, o escritório de advocacia carioca Mountaury Pimenta Machado & Lioce, se provado que agiram com omissão ou negligência na condução do site.
Segundo o advogado, princípios constitucionais fundamentais (artigo 5º, incisos IV, X e XII) podem entrar em choque no uso do Orkut. Por um lado, a Constituição Federal garante a liberdade de expressão e de pensamento, vedado o anonimato. Por outro, protege a dignidade humana, a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas e assegura o direito à indenização nos casos de violação, além de garantir o direito ao sigilo dos dados, salvo por ordem judicial e para fins de investigação criminal.
Para Kaminski, o Google terá que colaborar com a justiça brasileira na identificação dos usuários quando necessário. “O serviço não pode ser colocado à disposição para a prática de crimes e de atos ilícitos, que podem e devem ser desencorajados e reprimidos localmente”, afirmou.
O ato ilícito no Orkut pode ser enquadrado nos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil. De acordo com o artigo 186, “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
O artigo 187 completa dizendo que “também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. E, por fim, o artigo 927 obriga a reparação caso seja violado algum dos dois artigos citados acima.
Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2006
Dra. Fernanda, obrigado por seu comentário.
Cogitei essa possibilidade em vista de uma ação em trâmite no RJ, na qual uma atriz está responsabilizando o Google - no caso, os dententores do domínio google.com.br - por ter sido listada no mecanismo de buscas associada a conteúdos eróticos e impróprios.
Os domínios, especialmente os nacionais (com.br) são a maneira mais célere de se chegar aos responsáveis por um conteúdo, para que ao menos auxiliem e colaborem na identificação de um possível criminoso.
De outra sorte, demandar-se-ia a Google Brasil, se entendida como filial. Ou na pior das hipóteses, responsabilizariamos o Sr. Orkut, encontrável por rogatória lá no Vale do Silício...
Curioso o comentário do Dr. Omar Kaminski. Se a discussão em tela versa sobre o mal uso do serviço ORKUT (disponível sob o domínio www.orkut.com) por alguns usuários, porque que o escritório Montaury Pimenta, que é apenas o registrante do nome de domínio www.google.com.br, teria a ver com isso? A discussão se dá no orkut.com, cujo o titular não é referido escritório.
Esse artigo me fez lembrar a piada do sofá: ao encontrar a mulher com o amante em um sofá, um homem não teve dúvidas - jogou o sofá fora.
O racismo é um crime abjeto que repugna o país e deve ser duramente combatido. É para isso que pagamos policiais e promotores.
Investigar tais crimes não é tão difícil, posto que seus autores não são pessoas muito inteligentes e acabam se deixando prender. Pode ser trabalhoso, mas não é impossível, ocorre que, com a desculpa de "excesso de trabalho", polícia e ministério público adotaram uma atitude muito passiva nos últimos anos. Falta-lhes garra.
Hoje em dia, controla-se tudo, até a imprensa: é notória a dependência do quarto poder com relação à verba de propaganda dos governos estadual/municipal/federal, dependência essa que foi admitida recentemente pelo dono de um grande jornal paulista.
A tentativa de controlar o Orkut é pura censura: verdade seja dita, o que apavora os govenantes e seus aceclas é não poder controlar quem fala mal dos políticos naquele site de relacionamento.
A grande maioria dos orkutianos é honesta e trabalhadora, assim como 98% dos brasileiros.
Colocar o Orkut como o grande mal da sociedade é simplesmente ridículo, ainda mais em uma época em que é público e notório que nós, brasileiros, somos reféns de bandidos e ninguém dos altos escalões parece se importar.
Não se iludam - os poderosos não estão nem aí para o racismo. Parece que, em ano de eleição, a única coisa que importa é controlar a boca e o cérebro do povo.
