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por Débora Pinho
Depois de três tentativas, em quase um ano, a Justiça finalmente conseguiu citar o jornalista Jorge Kajuru no processo movido pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, por calúnia e injúria. Ele foi citado, na segunda-feira (14/3), durante intervalo do programa Linha de Passe, da ESPN Brasil.
Diante da dificuldade para citar Kajuru, a Justiça autorizou o uso de força policial, se necessário, para que a formalidade fosse cumprida. Não foi preciso. A oficial de justiça, Vandira Ferreira Brandão, entrou no estúdio da ESPN durante o intervalo do programa e cumpriu o seu dever. Segundo ela, Kajuru “ficou a par do inteiro teor do mandado, aceitou a contrafé”, mas se recusou a assinar o documento.
Marconi Perillo resolveu processar Kajuru depois de suas declarações no programa “Boa Noite Brasil”, do apresentador Gilberto Barros, o Leão. No dia 18 de março de 2004, o jornalista disse que teve de sair de Goiás porque sua ex-mulher foi agredida e violentada a mando do governador. Também afirmou que Marconi Perillo mandou distribuir panfletos ofendendo sua família. Tudo com um intuito: queria que ele saísse do estado para não mais falar das supostas irregularidades do governo.
A Justiça não conseguiu citar Kajuru em três ocasiões diferentes: na TV Bandeirantes, em um flat em São Paulo e na TV Thati, em Ribeirão Preto.
O governador de Goiás é representado pelos advogados José Luís de Oliveira Lima, Camilla Hungria, Rodrigo Dall’Acqua e Giovanna Gazola. Segundo Dall’Acqua, a demora para a citação prejudica a prestação jurisdicional. Além disso, diz ele, “é razoável que quem foi ofendido queira que o ofensor seja punido logo pelo crime que cometeu”.
Kajuru é réu em mais de 100 processos em quatro estados -- Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Goiás, ele tem até uma condenação definitiva por crime contra a honra. Ele é processado também pelo presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, pelo empresário de Goiás, Jaime Câmara Júnior, e pela apresentadora da Rede TV, Luciana Gimenez, entre outros.
A revista Consultor Jurídico procurou Kajuru na tarde desta quinta-feira (17/3), mas não obteve retorno.
Leia o relato da oficial de justiça
CERTIDÃO
Certifico e dou fé, eu, oficial de justiça ao final assinado que em cumprimento ao r. mandado, me dirigi à R. Piracicaba, 175 – Sumaré, às 21:15h do dia 14 do corrente, e ali chegando fui atendida pelo Sr. Samuel Palestino, que trabalha na recepção da emissora ESPN, que ali está estabelecida, o qual telefonou para o coordenador do programa Linha de Passe, Sr. Fernando, que atendeu-me informando que o querelado estava no estúdio e que assim que houvesse um intervalo ele comunicaria ao querelado que eu o aguardava na recepção.
Por volta das 22:30h houve um intervalo e eu pedi para entrar, momento em que fui acompanhada pelo Sr. Samuel, da recepção. Como o querelado não atendeu-me (nem sequer saiu do estúdio), eu pedi para entrar no estúdio e assim poder falar com ele, (sempre acompanhada do Sr. Samuel). Ao entrar no estúdio o programa já havia recomeçado, porém fui informada por funcionário de dentro do estúdio que por volta das 22:50h haveria um outro intervalo.
Eu, então aguardei o próximo intervalo e, exatamente às 22:51h pedi para falar com o querelado. Este disse que não iria atender-me naquele momento, porém eu aproximei-me da mesa em que ele estava, identifiquei-me e CITEI O Sr. JORGE REIS DA COSTA, conhecido como JORGE KAJURU, o qual ficou a par do inteiro teor do mandado, aceitou a contrafé que lhe ofereci, porém se recusou a exarar sua assinatura. Ele é branco, estatura mediana, cabelos e olhos castanhos escuros e aparentando 43 anos. O referido é verdade.
São Paulo, 15 de março de 2005.
Vandira Ferreira Brandão
Oficial de Justiça
Revista Consultor Jurídico, 17 de março de 2005
Débora Pinho: é editora da revista Consultor Jurídico e titular do blog Leis & Negócios, do portal da revista Exame.
Quem vê pela Tv acha que ele é santo...
Olha ai, fugindo do Oficial de Justiça...
É dificil de achar um politico honesto neste país, quem sabe o Kajuru errou desta vez, e teremos uma nova safra de politicos honestos, o que eu acho dificil.
Na justiça não tem como dar nó, mas basta a pessoa ser P...P...e sem condições neste país para ser condenado.
Assim caminha a humanidade com um lacre na boca e com muitos processos nas costas.
Esse acha que também dará nó na Justiça. É um tremendo brigao-bobo e se acha com a Voz da Razão.
Com 100 processos nas costas, perdendo a maioria, será mesmo tão esperto assim?