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“A Camélia Branca” é terceiro livro do escritor Nelson Câmara publicado pela editora Lettera.doc. O romance histórico completa a trilogia que tem como foco o absurdo e abjeto instituto da escravidão e as formas como os negros, com histórica colaboração de brancos abolicionistas, perseguiam, obstinadamente, as nove letras – liberdade -, assentadas em séculos de sangue, torturas e mortes.
Ambientado seis anos antes da abolição (1882), mesmo ano da morte de Luiz Gama - jornalista, poeta, advogado e ex-escravo que libertou mais de 1000 negros cativos pela via judicial e é considerado o precursor do abolicionismo – o livro “A Camélia Branca”, narra, por meio do gênero romance histórico, a vida, luta e empenho de Antonio Bento e seu grupo de ação libertária, que ficou conhecido como os “caifazes”. Curiosidade: o significado real do nome “caifazes” nunca ficou devidamente desvendado, o que, dada a luta empreendida, é irrelevante.
Juiz em Atibaia, Antonio Bento foi demitido injustamente pelo presidente da Província por denúncias de poderosos senhores de escravos que o acusavam de nomear avaliadores favoráveis a dar preço baixo para as "peças" e assim facilitar o depósito para a alforria do negro. Quando isso aconteceu, ele era Juiz Municipal na cidade de Atibaia. A partir deste fato, ao abandonar a magistratura, passa a se dedicar a ações “ilegais” de libertação dos escravos. Ele e seu grupo estudavam as fazendas nas quais a violência contra escravos era mais gritante e, armados, dispostos a tudo, entravam nas propriedades, estouravam os cadeados das senzalas e libertavam pequenos grupos de negros.
Perseguidos pelos capatazes, refugiavam-se na floresta, certos de que da parte dos fazendeiros a ação seria intensamente repelida. Mas, entretanto, havia certa aura que cercava os “caifazes”, de grupo organizado, coeso e preparado, capaz de enfrentar em igualdade de condições a crueldade dos capatazes. Com isso, conseguiam se livrar de perseguições e traziam para a cidade de São Paulo os escravos libertos. Com a colaboração de brancos abolicionistas, eram encaminhados principalmente a dois quilombos: o Quilombo do Jabaquara, na cidade de Santos, e o Quilombo do Leblon, no Rio de Janeiro.
Para contar essa história, Nelson Câmara acompanha a vida de três casais: dois negros, separados pelas circunstâncias, desejam imensamente se reencontrar, um casal judeu e inglês, e um terceiro, composto por um estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e uma jovem professora de francês, que mora em Santos.
Onde encontrar o significado da “camélia branca” que dá título ao livro? No Quilombo do Leblon ela era cultivada em boa quantidade, iniciativa de um português, Seixas, proprietário das terras e abolicionista, apaixonado pela flor. Por sua beleza e delicadeza, a camélia branca passou a ser usada na lapela de quem se incluía do lado dos abolicionistas. Poderia dizer-se que “A Camélia Branca” encerra um ciclo, mas de Nelson Câmara se pode (e se deve) esperar outros livros. Há vidas, como a de Antonio Bento, que precisam ser mais bem estudadas, e “apresentadas” a um número maior de pessoas, como Silva Jardim, Raul Pompeia, Bernardino de Campos e tantos outros, que contribuíram significativamente para a libertação de milhares de homens e mulheres.
Título: A Camélia Branca
Autor: Nelson Câmara
Editora: Lettera
Edição: 2011
Número de páginas: 432
ISBN: 9788598810195
Nelson Câmara
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