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Opinião

Gilmar, o goleiro que pode impedir uma goleada histórica contra o Brasil

Por 

caricatura Dr. Walfrido Warde [Warde Advogados]O nosso país se tornou um grande laboratório de experimentos jurídicos.

Só aqui o combate à corrupção se faz por meio do ataque e do aniquilamento dos capitalistas nacionais.

Aqui, uma simbiose perfeita entre acusador e magistrado afasta, sob aplausos, a necessária equidistância entre as partes do processo.

Lugar ideal para toda a sorte de exotismos, o Brasil de hoje está para o “novo direito”, assim como a África está para os novos medicamentos. Nele, sigilo é igual a vazamento, dignidade significa escárnio, prisão traz convencimento, mentira leva à liberdade e cidadania é crime.

O “novo Direito” promete transformar a nação na Casa (aquela da música de Vinícius de Moraes), à mercê do capitalismo internacional, que não é mais nobre do que o nosso, mas que é, no fim do dia e nas últimas instâncias, inatingível ao espetacular aparato de combate à corrupção que construímos para nós. Será que as nossas forças-tarefas acham que vão cumprir mandados de prisão em Wall Street, Frankfurt, Paris e Pequim?

Arriscamos os mais relevantes interesses brasileiros, o controle sobre as nossas riquezas naturais, a vida, a saúde e a felicidade de milhões de brasileiras e de brasileiros, a pujança de nossas empresas, a sua capacidade de financiamento e a sua autonomia, em prol de um combate inconsequente à corrupção. Ou seja, um combate à corrupção que, a despeito de necessário, não mede meios e consequências, não provê soluções de continuidade, não se ocupa dos efeitos colaterais adversos decorrentes de sua própria atuação. Não precisa ser assim! E não vale dizer que quem prende e acusa não tem que preservar. Os agentes de Estado são distintos, mas o Estado é o mesmo. Essa crise de múltiplas personalidades estatais arrisca arruinar o país.

Diante desse desastre, uma voz se ouve, em meio à intelligentsia amedrontada e os tarados do cadafalso, um discurso de autoridade se expressa para impedir uma goleada histórica contra os mais relevantes interesses brasileiros. É Gilmar!

Não se confundam. Não me refiro a Gylmar dos Santos Neves, o goleiro bicampeão mundial pela seleção canarinho, mas (ao aprender que é perigoso cuspir pra cima) à Sua Excelência, o ministro Gilmar Mendes.

Gilmar é um dos poucos que, por conta e risco (que não é pequeno), insurge-se contra o absurdo; sereno, legalista, corajoso. Trabalha, conservador como são os juristas, pela conservação do país, pela legalidade, pela reaproximação cidadã entre a classe política e a sociedade civil, pela estabilidade política e também pelo combate à corrupção.

É por isso que Gilmar, o famigerado Rasputin do golpe (como propuseram alguns), hoje, na falta de melhor guarda-meta, é o goleiro do Brasil.

 é advogado, bacharel em Direito pela USP e em filosofia pela FFLCH-USP, LLM pela New York University School of Law e doutor em Direito Comercial pela USP

Revista Consultor Jurídico, 29 de março de 2017, 17h40

Comentários de leitores

13 comentários

Um intelectual

O IDEÓLOGO (Outros)

Um intelectual escreve sobre o outro intelectual.
Oswald Spengler durante a formação do Estado Nazista, demonstrou preocupação com a presença de intelectuais em uma ordem socialista, autoritária e marcada por um "racialismo".
Estamos em uma situação pior que a antecedente ao "Fascismo alemão".

Combate à corrupção e Gilmar Mendes

Bia (Advogado Autônomo - Empresarial)

Concordo com o comentarista João Henrique Cardoso no sentido de que o artigo chega a ser engraçado. Mas, para mim, o articulista também se parece um pouco com o Eduardo Cunha, numa espécie de psicopatia e/ou sociopatia por simbiose. Em resumo, ele defende o combate à corrupção através da defesa dos INTERESSES dos próprios corruptores e dos consequentes cartéis existentes no país - todos capitalistas, no entender dele. De certa forma, além dos "ditos" empresários ("ditos" porque, afinal, suas licitações são todas fraudadas e, portanto, não podem ser considerados verdadeiros empresários), sim, político corrupto também pode ser considerado "capitalista", mas do dinheiro público, para os próprios bolsos, devidamente saqueado e desviado de suas funções originais (subsidiar saúde e educação públicas, saneamento básico, infraestrutura do país, entre outros), mas cedido aos grandes ditos empresários, em superfaturamento de obras que, por sua vez, permitem o financiamento de campanhas daqueles mesmos políticos, numa perfeita manutenção do status quo da CORRUPÇÃO! E os culpados de tudo isso são o MPF, a PF e os juízes que se "atrevem" a julgar e condenar todos esses "santos" alavancadores do progresso do país! Sim, o articulista se parece muito com o Eduardo Cunha! Merece ser enviado à psicanálise!

Elio Gaspari fazendo escola

Kodama (Funcionário público)

Depois de Elio Gaspari escrever que Temer é o que há de melhor para levar o país até as eleições de 2018, ainda temos que ler o articulista defendendo Gilmar Mendes...

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