Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Interesses da classe

Entre delegados da PF, reforma da Previdência é comparada a Holocausto

Por 

“É o Holocausto o que estão fazendo com os servidores policiais do Brasil.” A definição foi cunhada pela delegada da Polícia Federal Creusa de Castro Camelier. Para ela, o que é comparável ao genocídio de judeus pelo nazismo é a reforma da Previdência elaborada pelo governo Temer, que inclui policiais federais e outros agentes de segurança na regra que aumenta a idade mínima para aposentar – policiais militares e membros das Forças Armadas estão de fora.

Creusa fez sua analogia em uma mesa debate durante o congresso organizado pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) que ocorre em Florianópolis. Sediado em um resort à beira-mar, o evento se desenrolou tranquilo como a paisagem a sua volta. A exceção foi o debate sobre a reforma da Previdência, que mostrou uma classe determinada a defender seus interesses com vigor.

A delegada usou uma excêntrica lógica matemática para alegar que a reforma não traz benefícios ao Estado. “Por volta de 800 mil policiais militares e membros das Forças Armadas ficaram de fora e pouco mais de 300 mil policiais de âmbito civil foram incluídos no projeto. Qual a lógica tributária disso? Nenhuma, estamos apenas sendo usados de bode expiatório.”

Pela plateia, corriam duas pranchetas para assinaturas. Uma era a lista de presença do evento. Outra era um abaixo-assinado em prol da Proposta de Emenda à Constituição 412/2009, projeto que prevê autonomia funcional, administrativa financeira da PF.

Fundo solidariamente individual 
A matemática estava em alta no debate. Sandro Torres Avelar, delegado e ex-presidente da ADPF, contou uma história permeada de cálculos.

“Eu estava em um churrasco com um juiz de Direito e ele me disse ser favorável à reforma. O ponto dele era que se pegasse o percentual de dinheiro de seu salário que ia para a Previdência todos os meses, multiplicasse por todos os anos de carreira e dividisse pelos anos de expectativa de vida pós aposentadoria, o valor mensal seria de pouco mais de R$ 5 mil. Mas ele se aposenta com o salário integral de quase R$ 30 mil. Ele disse não ser justo. Eu expliquei que a conta está errada, já que o dinheiro fica rendendo e não parado. Alguns dias depois fui atrás de ver como seria esse rendimento, fiz a simulação e o valor certo seria de fato mais de R$ 20 mil. Ele passou a concordar comigo".

Golpe na base
Carlos Eduardo Sobral, atual presidente da ADPF, conclamou a classe para a luta, dizendo que sem embate todos perderão o benefício. A estratégia foi definida: “A população é contra a reforma. Temos que ir na base eleitoral de cada deputado e convencê-la a pressionar seus representantes a não aprovarem o texto como está. Ninguém quer colocar a carreira política em jogo. Por isso tenho certeza que se agirmos, iremos sair vitoriosos”, previu.

Outra tática firmada é que semanalmente cada unidade da Polícia Federal envie representantes para Brasília para que façam o périplo por gabinetes de deputados, convencendo-os a apoiar a Previdência da PF. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2017, 13h45

Comentários de leitores

3 comentários

Nunca é demais lembrar

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Nunca é demais lembrar que o braço armado da sociedade deve proteger os cidadãos inocentes de qualquer ameaça a seus direitos mais fundamentais (vida, liberdade, etc.). Assim sendo, deve agir rigorosamente dentro da Lei e não deve cumprir ordens manifestamente ilegais, devendo sempre denunciá-las à sociedade. O que isso tem a ver com a Previdência dos policiais federais ?

Tendenciosa

Jurista Sincero (Advogado Autônomo - Criminal)

Notícia tendenciosa, não entendi a finalidade. Ficou parecendo que a discordância da reforma da previdência é exclusividade dos delegados da PF.

Só entre delegados?

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Pensei que todo trabalhador pensasse assim. A lei permite o registro em carteira a partir dos 16 anos, assim ninguém se aposentará antes do 65, isso se tiver sorte de não ficar desempregado pelo meio do caminho. A expectativa de vida dos policiais não chega a 60 anos, tanto o é que é a categoria que mais comete suicídio no Brasil e a mais assassinada do mundo (polícia do Brasil). Vivemos estado de guerra. Por que não se propõe a previdência individual, como no Chile ou nos EUA? O Deficit da previdência não vem das aposentadorias, mas da assistência e da seguridade. O Brasil criou um amplo rol de benefícios que não existe em nenhum lugar do mundo. É preciso estimular o brasileiro a voltar a buscar o mercado de trabalho. Também é preciso diminuir o assistencialismo, bem como os exageros trabalhistas e, por outro lado punir exemplarmente quem descumpre suas obrigações. Mais a mais não vi ninguém do Congresso defender a cobrança dos grandes devedores da previdência. Um parlamentar custa R$ 12.000,00 por minuto, isso é um exagero. Outro exagero é a frota de carros de luxo, isso sim tem que acabar no serviço público, motoristas, etc. Quem recebe mais de R$ 10.000,00 por mês pode ir e vir para o trabalho com seu próprio carro, ou vá de metro, ônibus, uber, etc.

Comentários encerrados em 30/03/2017.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.