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Ação exagerada

Após críticas de delegado à "carne fraca", PF recua e fala em problema pontual

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Repercutiu com força a declaração do presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, de que a PF teria errado no modo como divulgou para a imprensa e para a sociedade a operação carne fraca.

Já no final da tarde de terça-feira (21/3), a direção da Polícia Federal soltou uma nota em conjunto com o Ministério da Agricultura afirmando que não se trata de um problema sistêmico.

Os delegados da PF estão reunidos em congresso da ADPF em Florianópolis, onde o informe foi interpretado como um recuo. Um delegado com notória liderança na classe disse que “já tinha demorado” para o comando da PF dar a mão à palmatória.

A afirmação de Sobral foi feita na segunda-feira (20/3), primeiro dia do congresso da associação nacional da categoria, em Florianópolis. Para ele, ficou evidente que havia corrupção de fiscais e problemas em frigoríficos.

“Mas isso foi um problema sistêmico? Não vi os colegas da operação dizendo isso. Mas quando se coloca que foi a maior em operação da história da polícia leva ao entendimento de que é algo muito maior do que pode ser na prática", disse.

“Embora as investigações da Polícia Federal visem apurar irregularidades pontuais identificadas no Sistema de Inspeção Federal (SIF), tais fatos se relacionam diretamente a desvios de conduta profissional praticados por alguns servidores e não representam um mau funcionamento generalizado do sistema de integridade sanitária brasileiro”, diz a nota conjunta da PF e do Ministério da Agricultura.

O delegado da PF responsável pela segurança nos Jogos Olímpicos, Andrei Augusto Passos Rodrigues, disse em entrevista à ConJur que a “comunicação social da entidade é um dos pilares para informar bem sobre as operações e evitar qualquer efeito colateral indesejado”, mas não entrou em detalhes sobre a operação carne fraca.

Luiz Roberto Ungaretti de Godoy, delegado da PF com maior experiência em operações de combate ao narcotráfico, ressaltou que a “questão da comunicação das grandes operações, aquelas que têm um contexto político e econômico enorme como essa [carne fraca], muitas vezes geram essas polêmicas. A gente percebe que toda vez que a operação lida com elementos de corrupção, qualquer palavra pode gerar uma grande repercussão. Mas PF tem que divulgar seu trabalho e a sociedade demanda isso”.

Ministros criticam
O modo estridente como a PF divulgou a investigação contra frigoríficos e fiscais foi também foi tema de declarações de ministros do Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli, chamou de “pirotecnia” o modo de divulgar a operação. "Se todos comêssemos carne podre não estaríamos em sessão, mas no hospital". 

Em sessão da 2ª Turma, o ministro Gilmar Mendes foi enfático: “Um delegado decide fazer uma operação, a maior já realizada no Brasil, para investigar a situação de carnes e anuncia que estaríamos comendo carne podre e que o Brasil estava exportando para o mundo carne viciada. Por que ele fez isso? Porque num quadro de debilidade da política, não há mais anteparo, perderam os freios, não há mais freios e contrapesos".

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2017, 11h16

Comentários de leitores

5 comentários

Uma coisa é informar senhor delegado, outra coisa é fazer...

Rogério Maestri (Engenheiro)

Caro senhor delegado Ribas do Rio Pardo.
Uma coisa é informar senhor delegado, outra coisa é fazer espetáculos midiáticos. Se querem aparecer na TV vão para a Globo fazer novelas.
Há um limite muito tênue na disposição de informar a população e fazer pirotecnia, vão terminar desmoralizando a Polícia Federal e outras instituições, pois a moda nos dias atuais é delegados, procuradores e juízes fazerem midiatização de seu trabalho, vocês são agentes da lei e não artistas de novela.

Lamentável

Observador.. (Economista)

O estrago ao setor já foi feito.
Empregos estão em risco.

E ficará por isso mesmo....
Precisamos mudar o país em 2018.

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Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

A polícia vive entre a cruz e a espada. A cruz é o fardo de trabalhar sem recursos, sem condições ideias para exercer seu mister, sem direito a exigir melhorias, como por exemplo, adquirir as próprias expensas uma ama que lhe dê confiança no exercício de sua função, pois tal atividade é dominada pelo Exército Brasileiro, e, por tudo isso muito criticada. O próprio exercício do poder de polícia vem sistematicamente sendo atacado enfraquecendo dia a dia as prerrogativas dos policiais, extinguindo ferramentas de trabalho e desprestigiando a classe policial como um todo. Com tudo isso as Policiais sentem uma necessidade muito grande de informar à população os seus acertos e, as vezes, não sei se é o caso, acabam por exagerar e cometer injustiças. O ideal seria que assessorias de imprensa efetuassem tais divulgações inibindo o culto ao "eu", bem como os exageros. Por outro lado a mídia pressiona e os governantes despreparados e ignorantes no assunto segurança pública pressionam injustamente suas policiais. Quem nunca ouviu um repórter após noticiar fato grave concluir com a frase "até agora ninguém foi preso", como se a elucidação de fatos levassem imediatamente à prisão dos autores.

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