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Opinião

No tempo em que vivemos, os Deuses continuam sedentos.

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Não é o tempo de Anatole France, mas é o tempo de um Bob Dylan, que se recusa a reconhecer seu reconhecimento. No tempo em que vivemos, os Deuses continuam sedentos.

Os homens, à bordo de suas convicções, querem condenações; querem culpados; querem linchamentos; querem aquilo que chamam de Justiça, que nada mais é do que o reconhecimento urgente e cego de suas próprias convicções.

Não basta ter ojeriza ao crime. É necessário afastar o devido processo legal, a ampla defesa e o julgamento isento.

Já consideraram provados todos os fatos que a mídia lhes apresentou e se questionam o porquê de tanto procedimento, tanta produção de provas, tantos prazos e tantos direitos procedimentais. A modernidade atrapalha!

Exigem sangue... e agora! Exigem o cadafalso para o réu e o exigem Imediatamente! Se o juiz não lhes dá, passam a exigir o sangue do próprio juiz. O bom julgador é o que acolhe o confuso grito de barbárie coletiva e segue — não de toga mas com a capa do Batman — a veloz marcha da manada.

Como é fácil aos homens abandonar a racionalidade para confirmarem suas visões morais do mundo!

Como é fácil esquecer as normas para punir os outros, sejam eles culpados ou inocentes!

Pouco depois do tempo ficcional do francês que eu citei, os juristas diziam "não conheço o direito civil. Só conheço o Código de Napoleão". Afirmavam isso porque a norma escrita era a defesa que as pessoas possuíam contra as atitudes do absolutismo.

Era revolucionário aplicar a lei!

Nos tempos que correm, é revolucionário cumprir singelamente o código de processo penal.

 é desembargador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Pós-doutor em Direito, professor, membro da Academia Maranhense de Letras.

Revista Consultor Jurídico, 20 de março de 2017, 7h09

Comentários de leitores

3 comentários

Operações para Todos

Helena Meirelles (Contabilista)

A PF prepara operação em delegacias de polícia, para apurar comércio de favores. Outra investida prevista é em escolas (professores que sabem menos que os alunos). Outra será em jornais, emissoras e sites (por tudo quanto é mutreta). Clubes, bares, restaurantes. Só se livra quem provar que é inocente.

Não demorou!!!

Professor Edson (Professor)

Tudo isso pela operação carne fraca??? Eu acho que ficou com vergonha de dizer, por isso esse desabafo genético.

texto ou desabafo?

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

É duro após tantos séculos ver carcomido o celeiro de privilégios que como rei se podia dar ao súditos que lhe rendiam favores e mais privilégios. É duro ver a sociedade clamando pelo fim de auxílios nababescos que engordam o que deveria ser um subsídio e na verdade se tornam fontes de enriquecimento ilícito.

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