Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Intertexto processual

Na "lava jato", quem enxerga excessos é tratado como exceção

Por 

Primeiro, grampearam mais de 16 mil telefones, sem auxílio da polícia, sem regras.
Mas não foram repreendidos: "Quem não deve não teme".

Depois, infiltraram em manifestações populares o "não" à PEC 37, que regrava a investigação.
Mas ninguém reclamou: quanto mais gente investigar, melhor.

Então, grampearam e divulgaram ilegalmente a presidente da República conversando ao telefone.
Mas continuaram com apoio popular: estava mesmo na hora de o governo cair.

Depois, interceptaram ilegalmente o telefone central do escritório de advocacia que defende um ex-presidente.
Mas o apoio continuou firme: quem defende também deve ser culpado.

Logo, "sequestraram" um jornalista para descobrir suas fontes de informação.
Mas blogueiro que apoia um partido não deveria ter a mesma segurança constitucional dada a jornalistas, justificaram.

Agora, divulgaram ilegalmente a conversa grampeada entre um jornalista famoso e sua fonte, na qual falavam mal de Deus e o mundo — e nada tinha com as investigações.
Mas ele merecia, dizem. Andou atacando os mocinhos da história.

Já que vale tudo no “combate à corrupção”, quem enxerga excessos é tratado como exceção.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 24 de maio de 2017, 14h59

Comentários de leitores

6 comentários

Novos Tempos...

davidbragat (Advogado Autônomo - Trabalhista)

No Brasil acostumou-se a tudo que envolvia corrupção acabava em impunidade. Havia pouca informação, manipulação da notícias de forma pinçada pelos meios de comunicação.
Atualmente vê-se um descortinar cotidiano de esquemas, que estão instalados no Brasil há décadas, inquéritos e processos sempre existiam mas nunca chegava em uma condenação ou se vinha, já havia ocorrido a prescrição. Portanto, não é surpresa que muitas estejam espantados com os novos tempos.

Não é de hoje que os legisladores do país fazem leis unicamente para se beneficiarem e fomentarem seus esquemas ilícitos. Prova disso é a famigerada Lei do Abuso de Poder, anistia ao caixa dois, etc., feitas sobre medida para legalizar a impunidade. O discurso de abuso de investigação só ressalta o quanto nosso ordenamento jurídico precisa ser atualizado para atender a realidade que vivemos no Brasil.

Acertou!

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Acertou? Aplausos. Errou? Críticas e reprovação. Condenar inocentes sem provas é que não dá para aplaudir ou perseguições infindáveis.

Só um comentário.

Marden Leda (Servidor)

Não estou acreditando que esse sujeito acha que a PEC 37 era uma coisa positiva. O objetivo era tirar o poder do Ministério Público de fazer investigações. Ora, se até outros órgão podem investigar, por que motivo o MP não pode? Isso é de um despropósito sem tamanho. Aliás, tinha um propósito, manietar o MP! Agora entendi o conteúdo de muitos artigos publicados aqui na Conjur: era autorizado por esse cidadão.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 01/06/2017.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.