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Teoria x prática

Procurador preso nesta quinta foi à Câmara defender pacote "anticorrupção" do MPF

O procurador da República Ângelo Goulart Villela, preso nesta quinta-feira (18/5) sob suspeita de repassar detalhes de investigações ao dono do frigorífico JBS, já subiu à tribuna da Câmara dos Deputados para defender as chamadas 10 Medidas contra a Corrupção — proposta de reforma do Código de Processo Penal defendida pelo Ministério Público Federal.

Em audiência no dia 22 de junho e 2016, ele afirmou ser necessário o “aprimoramento do combate à corrupção em nosso país” e pediu “um basta no caixa dois” eleitoral. Das dez medidas listadas pelo MPF, ele destacou proposta para tipificar a contabilidade paralela como crime e determinar que partidos políticos respondam de forma objetiva (independentemente de dolo ou culpa) por qualquer dissimulação de valores.

Ângelo Goulart Villela, em audiência da Câmara sobre medidas anticorrupção.
ANPR

Diretor de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Procuradores da República e assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral, Villela integrou um grupo criado pela Procuradoria-Geral da República para “velar pela preservação do espírito do projeto inicial” da proposta, quando a Câmara sugeriu mudanças no texto.

Ele iniciou a audiência na Câmara dos Deputados saudando o “estimado colega e amigo” Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação “lava jato” e também participante da audiência.

“É preciso dar um basta no caixa dois, que acaba gerando um abuso do poder econômico e acaba sequestrando daqueles candidatos que querem participar de um pleito justo, limpo, equilibrado e de igual possibilidade de eles contribuírem no processo eleitoral”, declarou.

Ainda estavam na Câmara, naquele dia, os procuradores Bruno Freire de Carvalho Calabrich, José Maria de Castro Panoeiro, Guilherme Guedes Raposo, Thaméa Danelon Valiengo e Roberson Pozzobon, além da subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Frischeisen, coordenadora da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (que cuida da área criminal).

Gosto amargo
Segundo o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, Villela recebeu propina para vazar informações sigilosas sobre a operação greenfield, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão de funcionários de estatais. A primeira denúncia da operação foi apresentada também nesta quinta. Foram denunciadas 14 pessoas, incluindo os ex-diretores da Funcef, empresários ligados à Engevix, além de políticos e um ex-superintendente da Caixa Econômica Federal.

Em comunicado a colegas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou que a prisão “tem um gosto amargo para a nossa instituição”.

Revista Consultor Jurídico, 18 de maio de 2017, 17h20

Comentários de leitores

11 comentários

Quem não respeita a Lei é que é bandido!

A favor da lei advocacia autônoma (Advogado Autônomo - Civil)

Na verdade, o cara-de-pau do procurador bandido, somente foi afastado, em razão das sérias e graves denúncias veiculadas na mídia, caso contrário, estaria lá no seu canto, usufruindo de privilegiado vencimento, sem qualquer reprimenda legal. O tal do "Serpico Viscardi (professor do quê!), ao defender apaixonadamente o MPF - sem distinguir o bem do mal - em que pese o resistente corporativismo, se esquece dos vários promotores e procuradores "bandidos" que são severamente punidos pelo CNMP. Nesse contexto, a Lei, principalmente a Maior, está acima de instituições e seus nem sempre republicanos interesses. Assim, ao melhor trocadilho: quem não respeita a Lei é bandido!

Parabéns ao MPF

Serpico Viscardi (Professor)

Mais uma vez o MPF mostrou profissionalismo e, acima de tudo, imparcialidade!

Nenhuma instituição é perfeita. O MPF comete falhas, mas no geral, vem prestando ótimos serviço ao Brasil.

Quem não reconhece isso é bandido, defensor de bandido, recalcado ou as três coisas ao mesmo tempo!

Corporativismo

Jurista Sincero (Advogado Autônomo - Criminal)

Que o MPF é um dos órgãos mais corporativistas da República não há dúvidas. O PGR é escolhido pela ANPR, e já assume o cargo com compromissos classistas, como aniquilar a Polícia Investigativa e hipertrofiar seus já grandes poderes assumindo também a investigação.
Não andou bem o Jantot quando diz que tem um "gosto amargo" prender um procurador da república corrupto. Claro que não precisa ter um "gosto doce", mas o PGR não precisa lamentar absolutamente nada em prender um canalha que, não satisfeito em receber imorais auxílios mensais às custas do contribuinte, vende informações para uma organização criminosa.

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