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"Único compromisso"

"Não renunciarei", diz Michel Temer em pronunciamento nesta quinta-feira

“Não renunciarei”, disse duas vezes nesta quinta-feira (18/5) o presidente Michel Temer. Em pronunciamento oficial, ele afirmou que explicará as acusações de que autorizou pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao Supremo Tribunal Federal, onde foi aberto inquérito para apurar as informações. “Meu único compromisso é com o Brasil.”

A revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma da crise política, disse Temer.
Anderson Riedel

Temer foi acusado pelo empresário Joesley Batista, dono do frigorífico Friboi, de ter conhecimento e incentivar o pagamento de R$ 500 mil a Cunha para que ele não fizesse acordo de delação. As informações foram prestadas por Joesley à Procuradoria-Geral da República também como parte de um acordo de delação premiada.

“A revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma da crise política de proporção ainda não dimensionada”, disse Temer. “A investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território onde surgirão todas as explicações.”

O presidente fez o pronunciamento tanto para responder às acusações quanto para tentar acalmar seus aliados no Congresso. Nesta quinta, parlamentares do PSDB, partido da base de sustentação de Temer, protocolaram um pedido de impeachment do presidente. Mais cedo, o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), deixou o governo.

O PSB, outro integrante da base aliada, também anunciou o desembarque nesta quinta. O senador Roberto Freire (PPS-SP), ministro da Cultura, também renunciou ao cargo.

No início da tarde, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relator das reformas de leis trabalhistas, pauta prioritária do governo, anunciou a suspensão de todas as discussões a respeito do tema. “Todo o resto agora é secundários”, disse o parlamentar, em nota divulgada nesta quinta.

“Esta semana meu governo viveu seus melhores e piores dias”, disse Temer, em seu pronunciamento. Ele disse que os índices macroeconômicos “criaram a esperança de dias melhores”. As gravações, disse, botaram tudo a perder. “Todo o imenso esforço pode se tornar inútil, e não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do país.”

Além de Temer, também foi aberto inquérito contra o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por recebimento de suborno para ajudar a JBS. Loures é assessor próximo a Temer, desde os tempos em que ele era vice-presidente.

Leia o discurso do presidente Michel Temer:

Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao País. E, desde logo, ressalto que só falo agora - os fatos se deram ontem - porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores.

O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar.

Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação,  não preciso de cargo público nem de foro especial.

Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente.

E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará.

Muito obrigado. Muito boa tarde a todos."

Revista Consultor Jurídico, 18 de maio de 2017, 16h43

Comentários de leitores

4 comentários

Que pena

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Que pena, o Brasil não merecia isso. Um homem sem a estatura necessária na sua presidência.

Impunidade x Foro privilegiado

Bruno Campelo (Administrador)

na certeza da impunidade não renunciou porque sabe que iria perder o foro e podia ser preso ha qualquer momento!, por isso o uso do cargo para receber quem não devia!, para dar aval a cala testemunha, cobrar propina, se fosse tão inocente como adv que é não deveria o ter recebido no palácio do jaburu ou seja numa residencia oficial, se a conversa fosse informal deveria ter ocorrido em local não oficial agora esta chateado porque "foi grampeado ilegalmente" quando foi a Dilma não achou o grampo ilegal agora lançou o programa nova minha casa Caiu!!! pau que dar em chico dar em francisco!!!!

Presidente Michel Temer

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

De fato, ouvi a conversa e o empresário disse que "estava de bem com o Eduardo", a que o senhor respondeu "precisa manter isso". Olha, foi a mídia que acrescentou a história de que o empresário pagaria uma mesada para Eduardo Cunha não fazer uma delação. Esses são os fatos. Se é verdade ou não, só as provas poderão confirmar. De fato, justamente quando a sua equipe econômica consegue efetivamente mudar os parâmetros da Economia brasileira, ainda que discretos, surge uma "bomba". Há tempos venho falando que existe hoje no Brasil uma guerra híbrida. E esse cara da JBS é muito estranho, pois fez a gravação, saiu do Brasil, tem negócios nos EUA, tudo muito mal explicado. E mais estranho ainda é que o "furo" de reportagem foi do jornal "O Globo", empresa da Rede Globo, que anda muito mal falada na internet, onde, aliás, muitos brasileiros buscam informações que se revelam mais confiáveis, de jornalistas independentes em sites e canais de vídeos próprios. Presidente, li em algum lugar que o senhor não fez comentário quando o empresário/JBS falou que tinha um procurador que passava informações para ele porque o senhor não acreditou, achou que era bravata. E NÃO ERA !!! Esse MPF, antes de abrir inquérito contra o senhor, deveria abrir sindicância para verificar todos os seus quadros. Presidente, eu só acredito no devido processo legal, acredito na sua inocência até que se prove o contrário. E boa sorte na peleja econômica !

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