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Luto no Direito

Morre processualista Ada Pellegrini Grinover, referência nacional

Por 

Ada Pellegrini em entrevista à ConJur.
ConJur

A processualista Ada Pellegrini Grinover, uma das mais respeitadas juristas do país, morreu nesta quinta-feira (13/7). 

Ao longo dos seus 84 anos, Ada participou da reforma do Código de Processo Penal e do Código de Defesa do Consumidor, foi coautora da Lei de Interceptações Telefônicas, da Lei de Ação Civil Pública e da Lei do Mandado de Segurança e fez pesquisas sobre meios alternativos de solução de controvérsias.

Ainda nesta quinta-feira um parecer feito por ela havia se tornado motivo de discussão no tema mais badalado da República: a gravação que o empresário Joesley Batista fez de sua conversa com o presidente Michel Temer. Para a professora, a gravação clandestina não pode ser usada como prova de acusação.

Na vida acadêmica, dedicou-se à Universidade de São Paulo, onde se tornou livre-docente e deu aulas até a aposentadoria compulsória, aos 70 anos. Depois disso, passou a atuar na elaboração de pareceres e memoriais.

Seu currículo lista mais de 100 livros dos quais foi autora ou organizadora, bem como outras 160 obras sobre Direito nas quais ela escreveu capítulos.

Além de seu conhecimento técnico, a facilidade de tratar dos mais diversos temas chamava a atenção, tal qual seu bom humor. Em 2016, ao sentar-se à mesa para dar uma longa entrevista à ConJur, a jurista olhou para o aparelho de ar condicionado da pequena sala de reuniões e perguntou: "Eu posso fumar aqui?". A resposta foi sim. E, ao ouvir que uma das jornalistas inclusive pitaria um cigarro para acompanhá-la, disse, sorridente: "Parabéns, você não tem medo da vida nem da morte!". 

A conversa da jurista com cinco jornalistas durou mais de duas horas. A abordagem de questões sérias, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a falta de uniformização do Judiciário, foi recheada de tiradas sarcásticas, como a sugestão da professora, que acabava de voltar da China, para resolver a política brasileira. "A solução é importar um tirano chinês", ria.

Sua conclusão virou manchete: "Com Executivo e Legislativo em crise, o Judiciário tomou conta de tudo". Segundo ela, o juiz tem que ser ativo, porque o Judiciário é protagonista do Estado de Direito. "Ele é construtor do Estado de Direito e, se os outros poderes se omitem como acontece muitas vezes com as políticas públicas porque a administração não faz o que deveria fazer, a posteriori o juiz tem que intervir", afirmou Ada Pellegrini.

Clique aqui para ler a entrevista de Ada Pellegrini Grinover à ConJur, em julho de 2016.

*Texto alterado às 00h21 do dia 14/7/2017 para acréscimo de informações.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2017, 23h36

Comentários de leitores

9 comentários

Grande mestre

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Grande perda para o mundo jurídico.

Tributo à Profa. Ada

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Minhas homenagens à cultura, perspicácia, combatividade e afetuosidade da eminente Mestra Ada Pellegrini Grinover. Ensinou Direito e ensinou a advogar. Ensinou a enfrentar e a ceder. Ensinou uma boa maneira de viver. Que Deus a tenha!

R.I.P - professora Ada Pellegrini

pj.branco (Advogado Autônomo - Civil)

Saudades de quando utilizei o livro dela de TGP no transcorrer da graduação. Todas as vezes em que abria o livro dela, dizia "bom dia, professora!", em alusão a um trecho do filme "Vai Trabalhar, Vagabundo" (1973), quando o personagem Dino -magistralmente interpretado por Hugo Carvana (R.I.P também)- é liberado da prisão.
Aliás, colega Neli (Procurador do Município), creio que não exista ninguém do ramo jurídico que não haja aprendido com a digníssima professora Ada Pellegrini. Quem disser que não, ou é mentiroso ou não é bacharel em Direito.

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