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Opinião

Condições especiais e sensibilidade apurada fazem do juiz um médium

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O juiz médium. Não me refiro ao significado espírita para designar o respeitável cidadão que serve de instrumento de comunicação entre os homens e os espíritos. E sim, ao médium que vê como um provável vidente e ao que escuta como audiente, aquele que serve com a capacidade ou dons para perceber as ações e situações existentes.

O juiz de direito, investido da toga, como se sabe, é aquele que resolve os conflitos de interesse de acordo com as leis, as provas e sua consciência, dando a cada um o que lhe pertence. Se somar as condições especiais de bondade, discrição, discernimento, perseverança e sacrifício, teremos então, um juiz médium.

Bondade para que possa atender ao jurisdicionado com atenção, calma, igualdade e boa vontade, para servir a todos que buscam às portas do Judiciário.

Discrição para conhecer e sentir, guardando-os para si, os segredos ditos, os dramas até então inconfessáveis e os problemas do relacionamento humano.

Discernimento para examinar com prudência e sensatez os fatos postos, distinguindo o certo do errado, o verdadeiro do falso e assim apresentar a mais oportuna e sábia solução do litígio. Afastar aqueles que agem com malícia, má-fé e extrema vaidade do poder. Nesse passo, “ajudar os outros para que os outros se ajudem”, encerrando uma fase difícil da vida deles.

A perseverança exige do magistrado que cumpra com seu dever superando os diversos obstáculos que surgem. Reiteradamente, estuda a demanda, as leis e as provas, desejoso de encontrá-las e aplicá-las, sem preocupação de agradar ou desagradar.

O abençoado sacrifício confunde-se com o sacerdócio escolhido. É preciso deixar de lado horas e dias prazerosos para dedicar grande parte de seu tempo à prestação jurisdicional, sobretudo respeitando os prazos. Atinge o ideal ao servir com compromisso e responsabilidade sempre.

O saber jurídico dispensa comentários por integrar a própria profissão.

Com a alma enriquecida de tudo isso, com as costas cansadas pela experiência vivida, ele juiz, pode dizer que é um juiz médium, que sente, vê e ouve, analisando o processo para buscar a verdade e o equilíbrio no julgamento.

Mas, é preciso saber dosar esta percepção, por mais nítida que seja, para não violar o princípio da imparcialidade que é o ponto alto da Justiça e nem tampouco fazer um pré-julgamento.

Foi possível ver mais razão no silêncio da mulher do que nos argumentos ofensivos do marido, no calor das emoções, quando realizava audiência na Vara de Família; e o inverso também. Algumas vezes, no júri, a negativa de autoria, se dita sem convicção ou com demasiada convicção, conduziu os jurados diante das demais provas produzidas com laudos ao resultado pressentido.

O apego exagerado ao formalismo da letra fria da lei só existe onde falta a sensibilidade ao interpretar.

Penso que, uns já nascem com esta mediunidade em grau elevado. Outros a desenvolvem no decorrer dos anos por meio do trabalho diário e com o conhecimento da vida, que ensina na formação de pessoas perceptíveis. No meu caso, estou aprendendo a cada dia.

Em época de crise social, econômica e política, o País precisa cada vez mais dos bons magistrados em todas as instâncias, e o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro conta com eles, muitíssimos com a força mediúnica da sensibilidade apurada para bem servirem, fazendo a esperada Justiça.

Peterson Barroso Simão é desembargador da 3ª Câmara Cível e membro da Academia Fluminense de Letras.

Revista Consultor Jurídico, 5 de julho de 2017, 8h33

Comentários de leitores

4 comentários

Se não existisse a Conjur, não saberíamos

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Um órgão de informação cumpre o seu dever quando - INFORMA. A informação deve ser idônea, isto é, não ficcional. O autor escreveu tudo o que pensava e assinou. A Conjur publicou, pois não atentava contra direitos humanos ou outras garantias constitucionais. No que concerne ao conteúdo, tivemos a confirmação de nossas percepções, assinada por um magistrado. Cabe-nos alterar essa realidade, seja através da Lei, seja através de trabalho esotérico, seja por qualquer outro meio eficaz.

Os chakras dos juízes

Hans Zimmer (Assessor Técnico)

Alguns julgadores tem a necessidade de acariciar o próprio ego e associar sua profissão à virtudes extrassensoriais vindas do Divino. E aí passam a falar de sacrifício, da rotina dura, e logo estarão falando de vocação, dom, etc. O que parece um discurso cheio de elogios vazios a si mesmo na verdade esconde a crença íntima de serem dotados de virtudes agostinianas, inacessíveis ao reles mortal mas a eles atribuídas pelo cosmos.

E com razão o comentarista Casoconcreto. O Conjur faria bem ao selecionar melhor os artigos autopromocionais que de quando em quando são publicados nesse espaço.

Não falta mais nada: juiz medium ´- que picaretagem

Casoconcreto (Professor Universitário)

É incrivel como as pessoas não tomam um remédio chamado "siflagrol", isto é, elas não se flagram do ridiculo que escrevem. Por isso o país está assim. Se um desembargador (e membro de academia de letras?) comete um sincericidio desse quilate, o que esperar dos demais? O Conjur está com problema: ou não tem matéria ou não faz seleção dos artigos. Alô direção do Site. Esse artigo depõe contra a qualidade. Não pega bem. Faltou dizer que sentença vem de sentire. Ou de mediunidade. Por que será que ninguém pensou em uma coisa dessas no resto do mundo? Por que, raios, é sempre por aqui que aparece esse tipo de bazófia jurídica?

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