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Enxugando gelo

Guerra às drogas sobrecarrega prisões e alimenta massacres

Comentários de leitores

13 comentários

Que tal sermos coerentes e proibir o fumo e o álcool

José Advogado (Outros)

Interessante: por que será que essa turma que insiste numa política falida de proibição não defende a criminalização do consumo do consumo e da venda do álcool e do tabaco?

Razões não faltam: como noticia a imprensa, o tabagismo "custa à economia global mais de US$ 1 trilhão por ano, em gastos com saúde e perda de produtividade, e até 2030 matará um terço a mais de pessoas do que agora, de acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicado nesta terça-feira".

Sobre o álcool é melhor nem falar...

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/tabagismo-custa-us1-trilhao-e-em-breve-vai-matar-8-milhoes-por-ano-diz-estudo.ghtml

Lógica absurda

Felippe Vieira (Estudante de Direito - Tributária)

Faz muito sentido legalizar o crime com a desculpa de que é impossível combatê-lo. Se assim fosse, todos os tipos penais de grande repercussão deveriam deixar de existir se fosse impossível combatê-los. Ora, ocorrem mais de 60 mil homicídios por ano no Brasil. Seguindo a lógica absurda do autor do texto, legalizar o homicídio seria diminuir suas respectivas ocorrências. A mesma lógica, repito, absurda, se constataria com os estupros, com a lei Maria da Penha e entre outros. Isso, ao meu ver, é apenas desculpa para, como bem colocou o sr Ribas do Rio pardo, "aumentar o número de zumbis." Zumbis são melhor manipuláveis, homens sãos, não.

Dr. Ribas

Luís Veiga (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Dr. Ribas, entendo perfeitamente sua posição e tenho consciência de que a descriminalização das drogas não resolverá todo e qualquer problema de saúde ou segurança pública, vide o exemplo do contrabando de tabaco. Mas é mais do que evidente que o modelo atual jamais funcionou, então por que não, por pura pragmática, buscar outra saída? Será que não é por esse viés que outros países mais desenvolvidos estão olhando? Será que todos os milhares de presos por tráfico são de fato criminosos com alguma periculosidade? A descriminalização não facilitaria, inclusive, o enfrentamento objetivo a quem de fato importa? Não sei, mas não vejo porque não se possa tentar.

Dr. Luiz II

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Chamo atenção do doutor para o contrabando de cigarros, uma das modalidades mais violentas que se tem, com inúmeras mortes, em especial na região de Foz de Iguaçu, para o fato do tabaco ser liberado. Chamo a atenção para a queda dessa modalidade criminosa quando o STJ decidiu por pouco tempo pelo perdimento dos veículos apreendidos. A liberação das drogas só vai servir para que a classe "a" e "b" comprem a droga no shopping e não nos morros, bem como para enriquecer a industria do tabaco. Não irá para a saúde, só vai aumentar o número de zumbis, resultado da lei 11343/06 que criou a cracolândia. Ali, disseram que a polícia atrapalhava, ali a Defensoria conseguiu liminar proibindo a PM de abordar usuários, e de repente algo de 3000 viraram 33000. Os hotéis viram pontos de venda de drogas, os assistentes e sociólogos passaram a ser sistematicamente roubados, inclusive as bicicletas usadas em suas andanças, mas isso não se divulga, pois é contra o politicamente correto.

Dr. Luiz

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Os índices caíram muito antes de alguns Estados liberarem o uso medicinal da droga, caíram em razão de uma política séria, onde um processo se encerra em média em três meses, caíram porque lá o números de recursos não é ilimitado, por isso os processos terminam, caíram porque lá, se condenado a cinco anos não ficará em liberdade, pergunte a Robert Downey e a Lindasay Lohan, caíram porque nenhum grupo social achou que era punitivismo eles cumprirem pena, a mesma Justiça que ressocializou Paris Hilton. Aqui artistas e outros intelectuais, como se alto denominam gritariam que tal conduta feriria o tal estado democrático. Caiu porque portar arma irregularmente na maioria dos Estados dá uma pena de cinco anos sem benefícios. E, digo mais, nos Estado mais rigorosos onde a droga não foi liberada caíram primeiro os indicies de criminalidade. Colegas que têm vindo de lá estranham, e muito, por exemplo, a hierarquia da legislação processual no tocante a investigação, como por exemplo, não poder lançar mão desde logo da interceptação, muitos acreditam que é brincadeira nossa. Agora, para como dizem os comentaristas, em relação a drogas caiu também na Filipinas.

Quanta besteira?

Luís Veiga (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O Brasil insiste a décadas na mesma política em relação às drogras: repressão e punição. É mais do que óbvio que não funcionou. Aparentemente as coisas só pioraram, conforme dados do artigo. Besteira, então, não seria insistir no mesmo erro? Afirma um comentarista, abaixo, que a criminalidade nos EUA diminuiu. Mas não é justamente um dos países que mais rápido caminha para a completa legalização ao menos da maconha? Isso depois de ter sido o "pai" da política repressiva lá na metade do século passado. Mas pelo visto, pelo menos aqui no BRASIL, o certo é continuar a enxugar gelo com o que ainda resta de recursos públicos.

Quanta besteira II

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

As quadrilhas, no momento empregam mais os jovens, tanto para buscar a droga nas cidades como Bela Vista, como para manter à frente dos negócios, já que a apreensão por tráfico não acaba em internação. Se ao invés de fazer uma matéria do achismos de especialistas de internet e de pessoas que nunca estiveram a frente de investigações ou julgamentos em comarcas, como o dr. Gilmar Mendes, o articulista analisasse, por exemplo, os boletins de ocorrência do Estado de mato Grosso do Sul, do Paranã, do Rio Grande do Sul, para ficar nas zonas que conheço melhor, veria que hoje os adolescentes descem com os carros para a fronteira e retornam com drogas. Veria sempre a presença de um adolescente nas ocorrências que em audiência assumirá a culpa, aduzindo que a droga lhe pertence e que o adulto é usuário. Por fim anoto, que TODAS as legislações anteriores vieram para abrandar o tal punitivismo o que só agravou a situação do país, enquanto a Europa e os Estados Unidos vêm observando queda nos indicies de criminalidade.

Quanta besteira

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Nunca li, com todo o respeito, aqui no CONJUR uma matéria tão divorciada da verdade quanto esse artigo. A matéria deixa claro que o jornalista fez a matéria com base em relatos rasos da internet, pois do contrário saberia que a guerra deflagrada não vem na busca do mercado interno, mas sim das rotas de entrada da droga, pelo Paraguai, Peru, Colômbia e Bolívia e, hoje luta principalmente pelo trapézio amazônico, cujos rotas levam as drogas para Europa e Estados Unidos. O que se quer, na verdade, através do loby das industrias de tabaco, em decadência, liberar a maconha para que este segmento devolva os lucros perdidos com o cigarro que virou coisa de careta e politicamente incorreto. Outro ponto que a reportagem não abordou é o tráfico de armas que vem evoluindo da Colômbia com o desmantelo de parte das FARCS e da Venezuela. Afirmar que a Justiça vem condenando usuários por falta de critérios também é vergonhoso, pois lembra uma imprensa marrom, cuja finalidade não é com a prestação de serviço de informação, mas de propaganda. Se conhecesse de fato, como funciona, a lojinha, a biqueira, o forninho, como são chamados os pontos de venda de drogas, o articulista jamais teria escrito tal absurdo. É cediço que o dono da droga recebe, com venda ou sem venda e, a pena para inadimplência é a morte. Assim, as organizações criminosas estabelecem espaços territoriais mínimos entre um ponto e outro com vistas a diminuir a a movimentação e, por conseguinte, não chamar muito atenção. Os donos dos pontos guardam a droga em casas de pessoas sem passagem pela polícia, ou em casas vazias e alugadas somente para esse fim. Mantém em suas posses pequenas quantidades de drogas para responderem como usuários ou como pequenos traficantes.

Controle dos Presídios

E. COELHO (Jornalista)

Penso que o principal problema é o fato do Estado ter perdido o controle dos presídios. Quem manda lá são as facções.

Filho ou vizinho drogado

E. COELHO (Jornalista)

Somente quem não possui um filho ou vizinho drogado é capaz de defender a liberação das drogas.
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Fala-se se muito de direito de escolha, porém o drogado antes, durante e após o processo de autodestruição, é um peso à família e à sociedade, melhor dizendo uma carga insuportável.
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Que tal fazer uma visita à Crackolândia de SP? Ou então, à Clínicas de Reabilitação de Drogados?

A Matemática é uma ciência exata

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

As estatísticas apresentadas não deixam margem para dúvidas. É preciso descriminalizar todas as drogas e providenciar com urgência mais lentos para tratamento de dependência química. É também um fato histórico que tudo o que é proibido é mais procurado. E tem razão quem diz que aqueles que mais criticam a legalização de todas as drogas fumam cigarros e muitos têm o hábito de beber bebida alcoólica e se, por acaso, essas drogas fossem tornadas ilícitas, eu afirmo, com toda a segurança, que essas pessoas roubariam e matariam por uma garrafa de bebida ou por uma maço de cigarros.

Leniência

Rivadávia Rosa (Advogado Autônomo)

A CRIMINALIDADE OU MELHOR A BANALIZAÇÃO DO CRIME E DA VIOLÊNCIA – é [sub] produto de uma correlação de omissões, negligências e sequência de deficiência/fracasso de políticas públicas na área acumuladas ao longo do tempo.

O que há é leniência. Assim, certas condutas, principalmente de autoridades que encaram e ‘justificam’ com normalidade a criminalidade, além de atribuir a culpa à sociedade e ao Estado são fortes fatores de legitimação da violência. Por isso, é fundamental não dissociar os atos de violência do clima social e distinguir entre a postura individual e a de grupos ativistas que usam isso como legitimação

E segue-se a leniência [sem nenhum acordo] das autoridades da vida pública que fingem ignorar que cada cidadão tem também deveres sociais, cujo descumprimento deve ter como consequência as correspectivas sanções, para desestimular o perverso relativismo jurídico.

Boa reflexão...

José Advogado (Outros)

A legalização é um MAL MENOR: o consumo das drogas hoje consideradas ilícitas é praticamente inevitável e o seu combate traz muito mais malefícios do que benefícios.

Pena que o país está dominado por fundamentalistas neandertais incapazes de qualquer diálogo racional a respeito.

Ps: sou avesso a todas as drogas, inclusive as lícitas, as quais, aliás, CAUSAM TAMBÉM ENORME ESTRAGO CEIFANDO VIDAS E DESTRUINDO FAMÍLIAS, inclusive a "inocente" cervejinha do fim de semana (a propósito: os contrários à legalização das drogas, por coerência, também não deveriam ser favoráveis também à criminalização do consumo do álcool e do fumo?)

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