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Irresponsabilidade materna

Mãe perde poder familiar por maus-tratos e negligência com filhas menores

Por entender que a mãe de duas filhas menores de Gravataí (RS) não tinha interesse nas meninas nem capacidade de cuidar delas, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reformou um acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para destituir o poder familiar da mulher por maus-tratos e abandono das crianças.

Em decisão unânime, os ministros acolheram um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul sob a alegação de maus-tratos e negligência da mãe. O MP também apontou que as duas meninas estão bem cuidadas, vivendo em família substituta, já tendo sido ajuizada a ação de adoção.    

Segundo o MP, uma das meninas chegou a ser internada em um hospital local com “lesões disseminadas em várias partes do corpo, edemas, desnutrição, má higiene”, fato comunicado pela assistente social ao Conselho Tutelar, que encaminhou a menor para um abrigo. Um diagnóstico médico constatou que “a criança estava com fungo proveniente do lixo”.

Destituição da guarda
O juízo de primeira instância julgou procedente o pedido de destituição familiar. Decisão que foi revista pelo TJ-RS, ao acolher recurso da Defensoria Pública para manter as meninas com a mãe por considerar que “não restou evidenciado abandono afetivo”. Inconformado, o MP recorreu ao STJ.

Responsável pela relatoria do caso, o ministro Raul Araújo ressaltou que as crianças permanecem sob os cuidados da família substituta desde 2009, “por força da guarda provisória inicialmente deferida que perdurou no tempo por força das circunstâncias fáticas do caso concreto”.

“Não se pode desprezar na hipótese dos autos a situação fática consolidada pelo tempo, em prol do melhor interesse das menores, desconsiderando a convivência e total adaptação na família substituta que acolheu as crianças, meio no qual já estão inseridas desde 2009, plenamente assistidas e bem cuidadas pelos pretensos pais adotivos”, avaliou.

O ministro considerou que abandono material e a “despreocupação da mãe biológica em relação à prole foram confirmados” e que, apesar do alegado interesse em permanecer com as filhas, a mãe encontra-se em local desconhecido, deixando as filhas sob os cuidados da família substituta.

“Identificando-se, no início da ação, situação grave de risco e abandono, e não subsistindo, atualmente, nenhuma comprovação de capacidade da genitora para cuidar das filhas, nem havendo vínculo afetivo entre elas com a mãe biológica, deve prevalecer o melhor interesse das menores, já inseridas em família substituta”, concluiu Araújo. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Revista Consultor Jurídico, 5 de janeiro de 2017, 11h42

Comentários de leitores

2 comentários

Desigualdade entre pais e mães

Clesio Moreira de Matos (Administrador)

Para uma mãe perder a guarda dos filhos só em casos extremos, o judiciário é desumano no que tange o direito do convívio entre pais e filhos. O pai pode ser o melhor do mundo, mas se for separado da mãe fica a mercê da boa vontade desta, pois a justiça não faz nada contra as mães que dificultam o convívio entre pais e folhos, é uma coisa estarrecedora! Se a mãe casar novamente e falar para a criança este é seu pai! A justiça aceita e se o pai reclamar ainda está errado e pode acabar tendo sua convivência com o filho extremamente prejudicada, mas a pensão tem que pagar direitinho senão é preso, é claro! A coisa é tão obvia que a justiça, quando o pai é mansinho, concede o direito de VISITAS, VISITAS! O pai não tem o direito ao convívio e sim a VISITAS, é um absurdo!
Ah, mas e a guarda compartilhada? Esta por enquanto só está no papel, pois na prática os magistrados só a dão se a mãe concordar. Absurdo!!! Rasgam a Lei!!!!!

Respeito necessita de Coragem.

Montalvão 1985 (Advogado Associado a Escritório - Família)

Coragem...o Mp e o TJ foram corajosos... Não é fácil tomar decisão de afastar a mãe de seus filhos... Sobretudo porque a prova dos maus tratos não é fácil de ser produzida...Parabéns para a Justiça

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