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Longe do lar

Senador boliviano que pediu asilo no Brasil morre após queda de avião

O ex-senador boliviano Roger Pinto Molina morreu na madrugada desta quarta-feira (16/8) em um hospital público de Brasília. Ele vivia no Brasil desde 2013, quando pediu asilo político afirmando perseguição por parte do governo Evo Morales.

Molina viveu mais de um ano sem sair da embaixada brasileira na Bolívia; ele caiu quando pilotava um ultraleve em Goiás.
Reprodução

No sábado (12/8), o ultraleve que ele pilotava caiu em Luziânia (GO), região do entorno do Distrito Federal. Único ocupante da aeronave, o ex-senador sofreu múltiplos ferimentos e foi internado com traumatismo cranioencefálico.

O antigo líder da oposição boliviana respirava com a ajuda de aparelhos desde então e sofreu uma parada cardiorrespiratória às 4h43, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base do Distrito Federal. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal.

Eleito por um partido de oposição a Evo, Molina tornou-se conhecido no Brasil em 2012, quando se refugiou de surpresa na embaixada brasileira na Bolívia e viveu mais de um ano em uma sala de 20 m2, sem tomar sol, na condição de asilado político.

Para deixar seu país, o ex-senador precisava da concessão de um salvo-conduto, ou seja, de uma permissão para que pudesse transitar pelo território boliviano sem ser preso. 

Como as autoridades bolivianas não concediam a autorização — alegando que o político tentava escapar a vários processos, como suspeita de causar danos econômicos ao Estado da ordem de US$ 1,7 milhão — funcionários da embaixada brasileira decidiram transportar Molina em segredo até o território brasileiro a bordo de um carro oficial, que não foi parado durante todo o trajeto entre La Paz e Corumbá (MS).

A operação foi autorizada pelo então chefe de chancelaria da embaixada, ministro Eduardo Saboia, que substituía, temporariamente, o embaixador brasileiro Marcelo Biato. À época, autoridades do governo boliviano pediram explicações ao Brasil.

Em meio à polêmica, o então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pediu demissão do cargo. Depois disso, Molina passou a viver em Brasília, longe da família, com auxílio de amigos e entidades.

Investigações
No domingo (13/8), investigadores do 6º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos estiveram no local do acidente para fazer registros fotográficos, coletar documentos e entrevistar pessoas que testemunharam a queda da aeronave.

Investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), no entanto, têm como função prevenir novas ocorrências. Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2017, 21h41

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