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Tese "exótica"

Todos os processos trabalhistas sobre ultratividade de acordos são suspensos

Uma liminar assinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, suspende todos os processos e até efeitos de decisões na Justiça do Trabalho que discutam a aplicação da ultratividade de normas de acordos e de convenções coletivas. A controvérsia envolve súmula do Tribunal Superior do Trabalho que reconhece cláusulas coletivas nos contratos individuais mesmo quando elas já deixaram de vigorar, até que novo acordo seja firmado. A decisão ainda deve ser referendada pelo Plenário do STF.

A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) afirma que a jurisprudência — reconhecida pela Súmula 277 do TST “despreza” o fato de que essa regra existia na Lei 8.542/1992, que tratou do tema, mas foi revogada. Para o ministro, “parece evidente” que o assunto desperta dúvida sobre o cumprimento dos princípios da legalidade, da separação dos Poderes e da segurança jurídica.

Até 2012, o enunciado da corte do Trabalho dizia o extremo oposto. O posicionamento foi revisto na chamada “Semana do TST”, que reavaliou a jurisprudência e o regimento interno da corte, em setembro daquele ano. “Da noite para o dia, a Súmula 277 passou de uma redação que ditava serem as normas coletivas válidas apenas no período de vigência do acordo para o entendimento contrário, de que seriam válidas até que novo acordo as alterasse ou confirmasse”, afirma Mendes.

Gilmar Mendes definiu como "exótica" mudança na jurisprudência do TST.
Fellipe Sampaio/SCO/STF

Ele considera “no mínimo exótico [...] que um tema que tenha sido mais de uma vez objeto de análise pelo Poder Legislativo – em amplo processo democrático de elaboração de leis – retorne ao cenário jurídico por meio de simples reunião interna de membros do Tribunal Superior do Trabalho”.

O ministro reconhece que a suspensão do andamento de processos “é medida extrema que deve ser adotada apenas em circunstâncias especiais”, mas considerou que o tema exigia a medida. A decisão monocrática tem 57 páginas, com referências ao Direito alemão e uma série de palavras duras.

Zigue-zague jurídico
Mendes escreveu ainda que, “sem legislação específica sobre o tema, o Tribunal Superior do Trabalho realiza verdadeiro ‘zigue-zague’ jurisprudencial, ora entendendo ser possível a ultratividade, ora a negando, de forma a igualmente vulnerar o princípio da segurança jurídica”. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Clique aqui para ler a decisão.
ADPF 323

Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2016, 13h02

Comentários de leitores

4 comentários

Justiça Exótica

Rocha advogado do ES (Advogado Assalariado - Empresarial)

Vislumbramos que a justiça especializada se tornou uma máquina injusta que precisa ser remodelada com urgência. Já está claro que ela dá prejuízo ao Estado e as partes ora cobrando de mais ou de menos, sendo seus Atores muitas vezes, investidos de uma arrogância e intolerância, insuportável pelas partes e seus defensores. Quem julga, precisa no mínimo de equilíbrio e bom trato com as partes. A época da Santa Inquisição já passou é hora da conciliação e bom entendimento para por fim a contenda.

Não é de hoje que a Justiça do trabalho se perdeu

Tiago Fraga (Assessor Técnico)

Não é de hoje que a Justiça do trabalho se perdeu.

Tst

Mark Twain (Oficial de Justiça)

Segurança jurídica? O que é isso?

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