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Dinheiro de sobra

Titulares de cartório, MP e magistratura são elite salarial do Brasil

A elite salarial brasileira é formada por donos de cartório, membros do Ministério Público e a magistratura. A constatação aparece no relatório Grandes Números, produzido pelo pesquisador José Roberto Afonso, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

A ausência dos executivos de grandes empresas na pesquisa tem justificativa: a maior parte dos valores recebidos por eles não são tributados por serem lucros ou dividendos. “Cerca de 707 mil dirigentes e executivos ganham R$ 214 bilhões que são isentos. Outra parcela recebe como pessoa jurídica”, explica reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, que divulgou os números.

A pesquisa mostra a força do funcionalismo público brasileiro. Além dos três primeiros colocados da relação serem cargos estatais, 70% das profissões listadas como bem remuneradas são estatais. Da área privada aparecem médicos, pilotos de aeronaves e embarcações e atletas — 5ª, 9ª e 10ª posições, respectivamente.

Os três primeiros colocados da lista são, nessa ordem, titulares de cartórios, procuradores e promotores de Justiça e membros do Judiciário e dos tribunais de contas. As informações usadas na pesquisa do Ibre/FGV vêm das declarações de Imposto de Renda de 2015 (ano-base 2014).

Confira a lista de maiores rendimentos:

Categoria Rendimento Médio da Categoria (R$ milhares) Total do rendimento (R$ bilhões)
Titular de cartório1.10010,7
Membro do MP527,67,4
Membro do Judiciário e de tribunais de contas51210,6
Diplomata3320,9
Médico304,6101,1
Advogado do setor público, procurador da fazenda e consultor jurídico284,17,8
Servidor das carreiras do BC, CVM e Susep269,31,5
Servidor das carreiras de auditoria fiscal e de fiscalização264,918,1
Piloto de aeronaves, comandante de embarcação, oficiais de máquina252,63,1
Atleta e desportista219,41,3

Revista Consultor Jurídico, 10 de outubro de 2016, 21h30

Comentários de leitores

19 comentários

Comparação absurda

Fernando Henrique Pinto (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Pena o CONJUR perder a oportunidade de discutir os custos cartorários, e sua relação com a remuneração astronômica de muitos titulares de cartórios. Mas o mote atual é taxar os protagonistas da lava a jato de elite privilegiada, que não precisa de reajuste (não "aumento"), como se não houvesse concurso público rigorosíssimo é aberto a todos, como se fosse comparável salários de magistrados a oficiais de cartórios extrajudiciais, e como se a função de julgar e dar a última palavra em tudo não encarnasse formação e responsabilidade que impliquem em remuneração condizente - salvo uma realidade fatal do mercado: a carreira não mais atrairá os melhores profissionais do mercado (e na verdade já não atrai, pois é a terceira opção entre a maioria dos candidatos).
Em tempo, por meio da compra dos produtos e serviços é sempre o "povo" que paga o salário de todos, e os impostos, além dos servidores concursados de carreira, custeiam a corrupção e o mar de cargos em comissão.

Funcionários Públicos vivem de Impostos

A.F. WAGNER JR. (Advogado Autônomo)

Matemática básica.
C (Estado) tira de A (trabalhador do mundo real) pra dar a B (funcionário público), mediante uma comissão, B continua sendo favorecido pelo que foi tomado de A.
Sem essa de elite pagadora de impostos.

Atuação em função do lucro

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Aqui em São José do Rio Preto, a cidade acabou se desenvolvendo naturalmente para longe do centro. Na parte "nova" da cidade acabou se concentrando quase toda a atividade forense. Hoje, somente as varas criminais ficam no centro da cidade. Justiça do Trabalho, Justiça Federal, Justiça Comum Cível, Varas da Fazenda, Varas da Família, ficam em local próximo, e relativamente distante do centro. Ocorre que os cartórios não acompanharam essa movimentação. Quem estiver em um fórum ou arredores em São José do Rio Preto tem que se deslocar até o centro da cidade para uma simples autenticação. Não menos do que um hora pelo menos, se conseguir estacionamento. Assim, fui ao CNJ pedir que fosse criado um novo cartório, próximo ao local na qual se situa a maior parte do serviço forenses da cidade. Já esperava que haveria longos e complexos argumentos para que tudo fique exatamente como os donos de cartório querem. Foi o que aconteceu. Uma infinidade de blá-blá-blá sem nenhuma outra base que não seja a defesa incondicional e irrestrita do lucro do dono de cartório. Veio a decisão de arquivamento, baseada no "forte argumento" de que a pretensão era na verdade de natureza individual (para quem não entendeu, o cara queria dizer que eu queria um cartório só para mim), e assim não poderia haver atuação do CNJ. Mas, fazer o que? Ninguém está interessado no tema, até que para um simples negócio qualquer é preciso vender um rim para bancar as custas do dono de cartório.

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