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"Paixões das ruas"

Em carta ao MPF, Janot pede calma, humildade e imparcialidade

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou carta aos integrantes do Ministério Público Federal pedindo que esqueçam vaidades e não se deixem influenciar pelas “paixões das ruas". A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Intitulado “União e Serenidade”, o texto do procurador-geral contém críticas a certas atitudes de procuradores. Segundo Janot, os integrantes do MPF devem evitar o "messianismo", as "cizânias personalistas" e os "arroubos das idiossincrasias individuais".

Janot destaca que o MPF não possui ideologia ou partido e que os guias da instituição são o texto da Constituição e as leis. Ele ainda orienta seus subordinados a ficarem "alheios aos interesses da política partidária" e a evitarem "que as paixões das ruas encontrem guarida" entre as nossas hostes".

O procurador-geral diz que a operação “lava jato” “não salvará o Brasil”, mas argumenta que "esse belo trabalho — estou convicto disso — tem as condições necessárias para alavancar nossa democracia para um novo e mais elevado patamar".

Porém, Rodrigo Janot condiciona o sucesso da investigação e a melhora da democracia brasileira às atitudes dos procuradores, que devem “manter a união, a lealdade institucional, o respeito à Constituição". "Devemos apagar o brilho personalista da vaidade para fazer brilhar o valor do coletivo, densificando a institucionalidade dentro da nossa casa e, consequentemente, no país."

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2016, 22h25

Comentários de leitores

8 comentários

Falso moralismo

ARMANDO (Delegado de Polícia Federal)

Nessa oba oba de falso moralismo, no qual o discurso de Eduardo Cunha é o mesmo dos presos da Operação Anaconda, dos ladrões de merenda e ainda por cima repicado por alguns delegados da Polícia Federal, torna-se necessário um esforço dos cidadãos de bem no sentido de ver a realidade. Princípios comezinhos do direito estão sendo violados, prerrogativas de advogados e direitos de investigados estão sendo negligenciado. As sucessivas intervenções de parlamentares e particulares nos atos da Presidência da República são reveladores da importância de se viver num Estado com normas. Atropelar essas normas é afrontar o Direito, a Democracia. Não precisamos nem de paladinos nem messias, menos ainda os que se encantam com holofotes.

Imparcialidade?

Neli (Procurador do Município)

O Ministério Público, nas investigações(e não como fiscal da lei) tem que ter paixão, ser parcial. Se não for, não haveria investigação. Se os membros do MP forem imparciais, numa investigação, não haveria investigação.Quem deve ter imparcialidade é o Juiz! Ele sim que deve ser imparcial. Por outro lado, o senhor vai investigar a senhora presidenta da República ?Ela apoiou um investigado, quebrando o princípio da separação dos Poderes,inserido na Constituição da República. Dr. Janot,parabéns pelo valoroso trabalho no MPF.

Nova constituinte

JUNIOR - CONSULTOR NEGÓCIOS (Professor)

Nesse andar da carruagem, o mp, com arrogância, parcialidade e distante da legalidade, se afasta cada vez mais do munus "fiscal da lei", que certamente uma nova constituinte irá o colocar no devido lugar, ou é fiscal da lei ou é titular da ação penal, as duas funções são incompatíveis ao mp, a história dirá, ou melhor, já estamos vivenciando a dicotomia.

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