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Mediar é Divino

Líderes religiosos fazem curso do TJ-GO para se tornar mediadores de conflitos

Um projeto do Tribunal de Justiça de Goiás vem promovendo a capacitação de líderes religiosos para que façam mediação e conciliação em conflitos nas comunidades onde estão localizadas as igrejas. Chamada de "Mediar é Divino", a iniciativa busca dar efetividade a resoluções do Conselho Nacional de Justiça e do TJ no sentido de manter e aperfeiçoar as ações voltadas ao cumprimento da política das metas.

Os religiosos passam por um curso de 40 horas teóricas e 60 horas práticas de estágio supervisionado. Segundo o juiz Paulo César das Neves, a ideia do projeto é difundir a cultura do diálogo e do fortalecimento dos métodos alternativos de solução de conflitos, em especial a mediação, no âmbito das entidades religiosas, como instrumento de pacificação social. “Acreditamos no Mediar é Divino como mais uma forma de aproximação do Poder Judiciário da comunidade e também levar uma alternativa de solução de conflitos que não seja a sentença”, salientou.

O juiz Romero Cordeiro ressalta que a intenção do projeto é promover a cultura da paz e conscientizar a comunidade para a importância do diálogo. “É preciso mudar o enfoque do litígio para o diálogo. Hoje em dia as pessoas conversam muito pouco e não resolvem seus problemas por meio do diálogo, fazendo com que haja uma litigância muito forte. Por isso, procuramos verificar quais as portas que as pessoas procuram para resolver seus problemas (escolas, delegacias e igrejas)”, explicou.

O magistrado fez questão de ressaltar que o projeto é um meio alternativo e não é a única opção. “Estamos levando o Poder Judiciário para um lugar onde já existe esse trabalho informal de conciliação, dando ferramentas e técnicas para essas pessoas que já buscam essas mediações e conciliações no seu dia-a-dia. Aquele trabalho que ela faz de uma forma mais simples, ela passa a fazer de uma forma mais técnica”, destacou.

Ainda de acordo com ele, a cultura da conciliação é, inclusive, uma das soluções para a Justiça. “São 105 milhões de processos no Brasil para cerca de 200 milhões de habitantes. Só em Goiás, em 2015, ingressaram em torno de 800 mil ações. Os dados representam a falta de diálogo e a importância de métodos alternativos”, exemplificou.

Sem resistência
Paulo César antecipou que uma nova turma do curso de mediadores e conciliadores de líderes religiosos já está sendo formada. Segundo Marielza Nobre Caetano da Costa, instrutora do curso, a primeira edição reuniu 14 líderes religiosos das igrejas católicas, evangélicas e espíritas. “Eu esperava uma maior resistência dos cursandos em razão de algumas divergências religiosas. Porém, me deparei com pessoas falando uma só língua, uma só mensagem”, frisou.

De acordo com ela, todos os participantes entenderam que a mediação é cabível dentro de suas igrejas, sem que seus conceitos, dogmas e respeitos sejam violados. “Tivemos audiências de mediação em que o mediador é pastor evangélico e o co-mediador espírita e eles realizam o ato com uma união e comunicação única. Usaram seus conhecimentos religiosos e os ensinamentos judiciais para um ponto comum, a pacificação social.  Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-GO. 

Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2016, 9h04

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