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Equipe desfalcada

Depois de notícia sobre delação, advogados deixam a defesa de Delcídio

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Diante das informações de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) assinou um acordo de delação premiada, conforme divulgado pela revista IstoÉ, advogados que o defendiam na operação “lava jato” deixaram o caso. Entre a quinta-feira (3/3) e esta sexta-feira (4/3), os advogados Luiz Henrique Machado e o ministro Gilson Dipp, aposentado do Superior Tribunal de Justiça, renunciaram ao mandato. A ConJur não conseguiu contato com o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto. O advogado Raul Amaral continua na equipe de defesa.

Maurício Silva Leite, que representava o senador no Supremo Tribunal Federal, deixou a equipe depois que Delcídio foi solto pelo ministro Teori Zavascki, no dia 19 de fevereiro. Ele informou que seus serviços se encerraram no momento da concessão do agravo que o libertou.

O senador foi preso em novembro de 2015, por causa de gravações em que aparece oferecendo dinheiro para a família de um dos investigados para que ele não colaborasse com as investigações e propagando relações com ministros do STF.

Os advogados deixaram a defesa por não terem sido informados sobre o acordo de delação descrito pela IstoÉ. Até a quarta-feira (2/3), relataram, Delcídio negava qualquer tipo de acordo com o Ministério Público. Na nota divulgada por ele na quinta, o senador não nega nem confirma que tenha feito delação, apenas diz que “não reconhecemos a autenticidade dos documentos” apresentados pela revista. Gilson Dipp trabalhava apenas na Comissão de Ética do Senado. No Supremo, trabalhavam Maurício Leite e Figueiredo Basto.

Chamou atenção o fato de só Figueiredo Basto e Delcídio assinarem a nota divulgada. Desde que Basto foi contratado, em dezembro, se especula que o motivo seria para costurar uma delação premiada, sua especialidade.

Depois que Basto negou que fora contratado para isso, começou a circular a informação de que Delcídio o contratara para assustar o governo. No dia que o senador foi preso, o presidente do PT, Rui Falcão, publicou uma nota dizendo não estar obrigado a defendê-lo. Delcídio se sentiu abandonado com a postura e decidiu pressionar. O senador era o líder do governo no Senado — e teria muitas informações de interesse dos investigadores da “lava jato”.

Quando disse à ConJur que não havia fechado acordo de delação, Figueiredo Basto não negou cogitar da hipótese. Disse que estava esperando o desfecho do acordo de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras também investigado, “e de uma série de outros fatores”.

A informação que circula é que Delcídio, fragilizado na prisão e abandonado pelo partido e pelos companheiros senadores, decidiu falar com o Ministério Público. Depois que ele viu que sua defesa estava bem feita e o caso, bem encaminhado, desistiu. Procurou os responsáveis pelo acordo para tentar voltar atrás, ou mudar a versão sobre das algumas informações. E diante da possibilidade de a delação melar, o acordo foi vazado à IstoÉ.

*Texto alterado para acréscimo de informação.

 é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 4 de março de 2016, 13h34

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